Dos inúmeros modelos que desfilaram pelas passerelles da Semana da Moda de Londres, que começou dia 15 e termina dia 20 de fevereiro, apenas uma pequena porção será agenciado pela Ugly.

As modelos magríssimas ou andróginas que são contratadas para este tipo de eventos não são a especialidade da agência que procura a originalidade. E, apesar do nome da agência ser Ugly Models (Modelos Feios em português), o dono, Marc French, garante que os agenciados têm muito mais a oferecer.

"É uma agência para modelos com personalidade", diz. "Há gordos, magros, altos, baixos. É uma celebração da diversidade", declara este quinquagenário barbudo, de sorriso esparramado, que cita o ator francês Gérard Depardieu como exemplo.

"Não é o homem mais bonito que vem à cabeça, mas é tão peculiar, tão genial, que é sexy", completa.

O feio é belo

Fundada há meio século, a Ugly Models ocupa um escritório moderno no oeste de Londres. Sofás extravagantes, computadores de alumínio, paredes repletas de fotos de modelos. Entre as imagens penduradas, há um retrato de David Bowie e uma frase que é um verdadeiro lema: "A imperfeição é beleza, a loucura é genialidade".

Como qualquer agência, a Ugly administra a carreira de modelos e põe-nos em contato com todo o tipo de clientes. Entre eles estão marcas como a Burberry, Mercedes e Jack Daniel's.

No dia da visita da equipa da Agência France-Presse (AFP), a agência estava a organizar um casting para completar o seu catálogo. Seguindo a reputação da empresa, os candidatos estão longe dos padrões impostos pelo setor.

Lá, encontramos os modelos plus size.

Um deles chama-se Chris, um ex-militar com braços grossos, que posa com o peito nu ao lado de uma morena de biquíni. Ela tem 50 anos, mas aparenta ter metade, e sonha em retomar a carreira de modelo. Outro exemplo é Kris Chesney, um ex-jogador profissional de râguebi que passou pela equipa dos Toulon e dos Saracens. Com 1,98 m e 135 quilos, o modelo tem os braços tatuados, a cabeça rapada e mostra, com orgulho, as marcas faciais e corporais provocadas por anos de luta nos estádios.

"O que é que procura num lugar como este?", perguntam-lhe. "Uma nova aventura, um novo desafio", afirma Kris.

Outros têm uma causa a defender. Sheerah Ravindren é uma mulher do tipo "mignon", com 1,61 m. Tem 22 anos, é originária do Sri Lanka e apresenta-se como uma "modelo militante e imigrante".

Usa calças largas e um top preto, tem longos cabelos negros, um piercing no nariz e um discurso ativista.

"Sou uma mulher de cor", afirma. "Desde pequena, nunca vi ninguém parecido comigo nos meios de comunicação social ou no mundo da moda", alega.

Lá também está Frances, uma jovem com casaco de cabedal, luvas sem dedos, franja estilo retrô e surpreendentes muletas futuristas. É deficiente física, mas - ressalta orgulhosa - "isso nunca me impediu de fazer o que queria".

Sentir-se bem na própria pele

"Um bom modelo Ugly é alguém que se sente bem consigo mesmo", explica Marc French. "Não queremos que as pessoas mudem. É muito importante quando se pensa na pressão exercida sobre os jovens" que se vêm submetidos à ditadura da magreza.

A agência nega uma certa tendência para o esquisito ou um uso cínico das particularidades dos seus modelos. Muito pelo contrário.

"Às vezes, ligam-nos a pedir 'anões dispostos a lutar'", lamenta Lulu Palmer, encarregada dos novos modelos. "Não fazemos isso. Não estamos aqui para explorar pessoas", ressalta.

Sempre em busca de novos talentos, a agência reconhece que o seu nome pode causar reações inesperadas.

"Conheci muita gente que me diz:  'Não ouse em chamar-me modelo'", conta French, mas - acrescenta -, quando se dão conta da verdadeira natureza da agência, das suas oportunidades, "então, querem fazer parte do nosso portefólio".

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