É verdade que, quanto mais avançada for a idade, maior a probabilidade de se ter manchas cutâneas. Contudo, em muitas mulheres, esses problemas de pigmentação da pele começam a aparecer cedo, podendo resultar de uma negligência na aplicação de proteção solar, não só na praia mas ao longo do ano, mas também de uma inflamação causada por acne ou eczema, de uma história familiar de hiperpigmentação ou da gravidez, no caso das mulheres grávidas.

Independentemente da causa, as manchas cutâneas provocam um grande desconforto e até, nalguns casos, uma profunda tristeza nas pessoas que as têm, podendo afetar a sua autoestima ao ponto de evitarem encontros e oportunidades de socialização. Mesmo que consigam disfarçá-las com maquilhagem, quem sofre pensa sempre que alguém pode notar, sentindo-se, muitas vezes, constrangida e acabando por inibir-se de se expor até no seu círculo familiar e social.

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É, por isso, essencial tomar algumas precauções para prevenir o aparecimento de irregularidades no tom da pele porque, quando as manchas cutâneas veem a luz do dia, só a muito custo é que serão posteriormente eliminadas. Na origem dos problemas de pigmentação, o dermatologista David Serra aponta a exposição solar como "o fator mais importante", uma vez que é responsável pela presença de manchas em zonas do corpo que costumam estar destapadas, como "o rosto, o pescoço, o decote, as mãos, as pernas e os antebraços", esclarece o médico. O facto de estarem associadas ao envelhecimento cutâneo depende muito dos anos a mais passados sob a ação lesiva do sol.

Todavia, nem sempre somos os responsáveis pela heterogeneização da nossa pele. "A genética também é determinante", sublinha. Há populações que apresentam uma maior propensão para determinados tipos de manchas. "As castanhas, do melasma, são mais frequentes em certas etnias, como os hispânicos [América Central e América do Sul] e os mediterrânicos, nos quais nos incluímos. A cuperose é mais frequente em povos de ascendência celta", exemplifica ainda.

O que motiva as diferenças de pele

A cor da nossa pele "depende sobretudo da melanina [que confere as diferentes tonalidades de castanho] e da hemoglobina [que confere os diferentes tons de vermelho]", afirma ainda o dermatologista David Serra. Encontram-se quantidades elevadas do primeiro tipo de pigmento nas "peles mais escuras e em manchas castanhas, pretas, cinzentas ou azuladas, em função da profundidade e da abundância dos depósitos de melanina", acrescenta ainda o especialista.

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O melasma ou pano, nome popularmente dado a estes tipo de manchas cutâneas, "é muito comum em mulheres com idades entre os 25 e os 45 anos", refere o médico. Já o segundo pigmento é mais vulgar nas peles claras e pessoas com cabelos loiros e ruivos, pois concede "um tom rosado em áreas com mais vasos sanguíneos ou mesmo vermelho em lesões vasculares, como é o caso de angiomas, da rosácea e da couperose", exemplifica ainda. Nestes casos, as manchas cutâneas "também podem ser alaranjadas", decorrentes da ação de um pigmento chamado feomelanina, um "tipo de melanina específico destes tipos de pele". Quanto mais claras forem, mais cuidado se deve ter com elas.

Na opinião de David Serra, "a proteção solar desde a primeira infância" é a melhor forma de prevenir o aparecimento das manchas cutâneas. Mas, se for o caso de os problemas de pigmentação já estarem instalados, nem tudo está perdido. O dermatologista garante que "o uso de cosméticos com ativos anti-manchas ajuda bastante" a atenuá-los. Quando estiver a escolher os produtos para si, selecione aqueles que contiverem retinoides na lista de ingredientes.

Entre as substâncias a procurar estão "o ácido kójico, a alfa-arbutina, o ácido tranexâmico, o ácido azelaico, a glabridina, o rucinol e a vitamina C", aconselha. Além dos cuidados tópicos, o especialista adianta que "existem medicamentos com efeito despigmentante, destacando-se a hidroquinona". David Serra sugere soluções mais abrasivas, como os "peelings e oa lasers, que são frequentemente indispensáveis para eliminar de forma eficaz as manchas indesejadas".

"Mas devem ser realizados no inverno", adverte, contudo, o dermatologista. Outras técnicas consideradas por David Serra interessantes na remoção de manchas incluem a luz pulsada intensa, a terapia fotodinâmica e a crioterapia com azoto líquido. No entanto, o dermatologista português alerta ainda para o facto de "a hidroquinona e os retinoides serem potencialmente fotossensibilizantes, pelo que o seu uso no verão não é, por norma, recomendado", sublinha.

O despiste estético que deve fazer

Há males que podem, afinal, vir por bem. Embora seja o desconforto com o aspeto das manchas que leva a maioria das mulheres a consultar um dermatologista, a verdade é que a preocupação de procurar a ajuda de um especialista pode ajudar "a excluir ou até mesmo a detetar um problema de saúde mais grave, nomeadamente o cancro cutâneo", garante David Serra. Não faltam opções de tratamentos para atenuar ou eliminar problemas de hiperpigmentação.

É fundamental pedir uma opinião médica antes de aplicar ou fazer o que quer que seja à sua pele. "Surgem regularmente nas consultas pacientes motivados por preocupações estéticas que apresentam lesões malignas ou pré-malignas", alerta o médico. "Algumas pessoas têm um risco aumentado por terem muitos sinais e/ou a pele muito clara, só uma mancha localizada, história de queimaduras solares e antecedentes de cancro da pele em familiares próximos", avisa ainda.

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