Quem tem amigos imaginários? Geralmente, são crianças com muita imaginação e criatividade que precisam de se sentir acompanhadas e valorizadas e que possuem recursos criativos suficientes para resolver os conflitos afetivos através da imaginação.

Se já viu o seu filho a falar sozinho – e, sim, ele tem alguém ao seu lado, você é que não vê… – não se assuste. É comum crianças entre os dois e os nove anos terem um amigo imaginário. “É natural e saudável porque ajuda a criança a aperfeiçoar a sua relação com o mundo, mas muitas vezes os adultos não dão conta deste fenómeno”, diz Tristana Suarez, psicóloga infantil, ao El Pais.

Entre os dois e os nove anos, a criança atravessa um processo de evolução em que a diferença entre o real e o imaginário é uma questão secundária, diz a especialista espanhola. Os amigos invisíveis “acabam por ser uma ferramenta que as ajuda a refletir sobre si próprias ou até a enfrentarem-se”, defende. Tristana Suarez enumerar algumas das funções destes amigos imaginários.

  1. Ajudam a lidar com a frustração e o medo do desconhecido. “Porque permitem recriar uma situação que foge ao controle da criança; ela pode eleger a conversa e até a voz do seu amigo invisível e assim compensar as experiências que não controla ou que lhe desagradam, como o desentendimento com um amigo”.
  2. Encorajam a tolerância à solidão. Quando se sente acompanhada, a criança aprende a abdicar da presença de adultos; potencia a autonomia (perde o medo de fazer as coisas sozinha) e treina o autocontrolo: “A criança descobre que o conforto que precisa está dentro de si, graças a este amigo imaginário com que pode contar sempre e que lhe evita o embaraço de ter de revelar as suas fraquezas a outros”. Além disso, “torna-se mais livre porque deixa de depender tanto das condições externas para se sentir feliz”.
  3. Mas, atenção. Cuidado com a omnipresença destas criaturas imaginárias. “O amigo imaginário deixa de ser um aliado quando começa a interferir negativamente na vida da criança, limitando ou impedindo a realização das suas tarefas e fomentando sentimentos negativos como a tristeza”, defende a psicóloga infantil. “A sua existência deve proporcionar experiências lúdicas com as quais a criança se diverte e obtém emoções positivas”, esclarece.

O amigo invisível de uma criança – ou outro amigo, parecido – pode já ter habitado a vida do pai ou da mãe. “Se assim for, os pais mostram mais tolerância e compreensão, porque entendem que esta fase tem o seu valor”.

Como relacionar-se com o amigo imaginário do seu filho

  1. Olhe para este amigo como seu amigo também, pois é uma ferramenta muito útil para o desenvolvimento psicológico e emocional da criança.
  2. Encare a situação com toda a naturalidade.
  3. Mostre interesse no que a criança diz sobre o amigo imaginário. Ouça-a sem a repreender, questionar ou envergonhar.
  4. Se tiver dúvidas, pergunte naturalmente, como se fosse um amigo de carne e osso, como é esse companheiro e que tipo brincadeiras fazem juntos. Lembre-se de que ele pode dar-lhe muitas pistas sobre o que o seu filho precisa
Fonte: Ana Torre, psicóloga clínica/El Pais

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