As vacinas são uma das maiores conquistas da medicina do século XX, a par dos antibióticos. Com as vacinas conseguiram-se erradicar do mundo doenças, como a varíola. Já a poliomielite diminuiu drasticamente no mundo, e na europa não existe. Quanto ao sarampo, estava prevista a sua erradicação, mas a menor taxa de vacinação por influência de movimentos anti vacinas levou a um recrudescimento desta doença.

A verdade é que, científica e objetivamente, as vacinas são uma mais valia inquestionável, uma afirmação que é também suportada pelo que se passa atualmente no mundo com a vacina anti COVID19. No entanto, mesmo antes desta realidade, já a vacinação universal se tinha revelado um contributo determinante para a diminuição drástica da mortalidade infantil.

Em Portugal, o Plano Nacional de Vacinação (PNV) tem mais de 50 anos e a taxa de vacinação das crianças é superior a 90%, o que é excelente. Somos um dos países do mundo com melhor cobertura vacinal. Recorde-se que doenças como a rubéola congénita, difteria ou tétano desapareceram de Portugal.

Neste momento, o PNV português é um dos mais completos do mundo, tendo se mostrado dinâmico e abrangente à medida que a evidência científica o justifica. Assim, em Outubro de 2020, foram introduzidas no PNV três vacinas: meningocócica B, rotavírus e Papiloma vírus (HPV) para os rapazes nascidos após janeiro 2009 (no caso das raparigas já estava englobada). A vacina anti rotavírus foi incluída apenas para grupos de risco, os quais não foram ainda definidos.  A introdução destas três novas vacinas vem dar, assim, oportunidade à prevenção de mais doenças infeciosas.

Aproveito ainda para deixar uma palavra sobre o BCG, a vacina anti tuberculose. Esta vacina deixou de fazer parte do PNV, porque, atualmente, Portugal apresenta baixo risco de infeção por tuberculose. Nestas circunstâncias, adota-se uma estratégia de vacinação de grupos de risco, de acordo com os critérios recomendados pela OMS e UNICEF. É isso que está em prática em Portugal, segundo diretrizes da DGS. Todavia, tem havido grande assimetria de critérios entre centros de saúde e admite-se uma revisão da política de vacinação pelo BCG.

Não podemos esconder que durante a pandemia, sobretudo durante o 1.º confinamento, se registou atraso na vacinação. As famílias evitavam sair de casa e frequentar centros de saúde e hospitais. Portanto, houve atraso nas vacinas, este facto é inegável. Mas, segundo os dados estatísticos disponíveis, não se registou aumento das doenças infeciosas, cujos agentes etiológicos estão incluídos nas vacinas. Creio que o atraso da vacinação foi de curta duração porque as campanhas nacionais pró-vacinação realizadas, tanto pela DGS como por outras entidades, como o nosso próprio grupo CUF, têm produzido efeito. Há que insistir em campanhas e divulgar a possibilidade de marcação de vacinas.

Quanto ao papel da Pediatria na vacinação, é importante ter presente que a pediatria é uma especialidade que acompanha a saúde da criança, desde o nascimento até aos 17 anos. Portanto, trata-se de uma relação longitudinal com grande responsabilidade, pois o pediatra deve influenciar os comportamentos e hábitos de vida de uma criança, por forma a termos adultos mais saudáveis.

Nesta perspetiva, o pediatra também deve promover a vacinação, e promove. A pediatria tem sido uma acérrima defensora das vacinas e tem contribuído para a excelente cobertura vacinal da população pediátrica portuguesa.

Um artigo da médica Ana Serrão Neto, especialista em Pediatria e Coordenadora do Centro da Criança e do Adolescente no Hospital CUF Descobertas.

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