"A obesidade é influenciada por muitos fatores de risco, um dos quais a inatividade física", disse à Lusa André Seabra, coordenador do projeto, acrescentando que esta doença tem uma "grande responsabilidade e contribuição na mortalidade, estando em quarto lugar na escala da Organização Mundial de Saúde (OMS)".

Embora existam recomendações internacionalmente definidas para uma boa saúde, do ponto de vista da atividade física, mais de 60% das crianças e jovens portugueses não seguem essas orientações, indicou.

O projeto "Futebol é Saúde" surge no seguimento de uma investigação do Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer, da FADEUP, em parceria com as faculdades de Medicina, de Farmácia, de Psicologia e Ciências da Educação e de Nutrição da Universidade do Porto.

Durante a investigação, que teve a duração de seis meses, foram avaliadas cerca de 120 rapazes, seguidos no Hospital da CUF, aos quais foi possibilitada a prática gratuita de futebol, três vezes por semana (60-90 minutos cada sessão), bem como um acompanhamento nutricional.

Atualmente, alunos e professores da FADEUP envolvidos no projeto continuam a proporcionar aulas de futebol a cerca de 60 crianças (agora também com meninas) do Agrupamento de Escolas de Perafita.

Crianças deviam realizar, diariamente, 60 minutos de atividade física

De acordo com o investigador, todas as crianças deviam realizar, diariamente, pelo menos 60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, que lhes proporcione "uma respiração alterada e o coração a bater depressa".

Para além disso, os sistemas muscular e ósseo só se fortalecem e adquirem maior densidade se a criança realizar exercícios de força, sendo esta a segunda recomendação da OMS quanto à atividade física infantil. A terceira recomendação passa pela prática de uma atividade que seja apropriada à idade da criança e que seja variada e agradável.

Para André Seabra, as crianças só participam de forma regular e sistemática numa atividade física se esta for a sua favorita e lhes proporcionar prazer, perceção de competência e sucesso.

A escolha do futebol para o foco deste projeto deve-se essencialmente ao facto de este desporto ser o mais popular em Portugal, "independentemente do sexo da criança, dos estatutos nutricional e socioeconómico, da raça ou etnia", referiu.

O facto de ser um desporto económico e fácil de implementar, ter regras simples e exigir um esforço físico que responde às exigências da OMS são outros dos motivos para a escolha do futebol.

A investigação, que teve início em 2013, foi apoiada pelas câmaras de Matosinhos e Paços de Ferreira, por algumas figuras do futebol, pelos professores de Educação Física das escolas envolvidas e pelo Hospital CUF, do Porto.

Foi financiado pela Federação Portuguesa de Futebol e UEFA - União das Federações Europeias de Futebol, entidades que continuam a ser parceiras neste projeto.

Expandiu-se, entretanto, para o Brasil, para a Tailândia e para Moçambique, onde foi adaptado à realidade de cada país.

A nível nacional, "a ideia agora é expandir o projeto a um maior número de escolas de forma a abranger um número crescente de crianças", acrescentou André Seabra.

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