Um novo teste para diagnóstico da tuberculose (TB) em crianças deteta cerca de dois terços dos casos identificadas pelo atual teste de cultura, mas numa fração do tempo, de acordo com os resultados de um estudo realizado na África do Sul e agora publicado na revista The Lancet Global Health.

 

O teste, conhecido como XpertMTB/RIF, também detetou cinco vezes mais casos identificados por análise microscópica de amostra, que é um método preliminar de diagnóstico que é normalmente utilizado como teste inicial, mas que deve ser confirmado pelo teste de cultura.

 

Os resultados do teste XpertMTB/RIF às secreções respiratórias estavam prontos em 24 horas, em média, em comparação com uma média de mais de duas semanas para o teste de cultura utilizado no estudo, verificaram os investigadores.

 

Estudos anteriores demonstraram que o teste Xpert MTB/RIF é eficaz para o diagnóstico de TB em adultos e em crianças com sintomas pronunciados de TB que foram internados num hospital.

 

O diagnóstico da tuberculose em crianças é mais difícil do que o diagnóstico em adultos, porque as crianças tendem a ter níveis mais baixos da bactéria da tuberculose do que os adultos.

A rapidez do diagnóstico

Os resultados do estudo atual indicaram que a facilidade e a rapidez do diagnóstico seriam úteis para crianças atendidas em serviços médicos de países com recursos limitados, que muitas vezes não dispõem de recursos para os testes tradicionais que estão disponíveis nos hospitais. O teste também foi capaz de identificar crianças com tuberculose resistente a medicamentos.

 

Além disso, os investigadores descobriram que o teste XpertMTB/RIF pode facilmente determinar quando o tratamento para a tuberculose não é apropriado. Entre as crianças que não tinham, de facto, tuberculose, os resultados do teste XpertMNTB/RIF deu negativo para a tuberculose com 99 por cento de precisão.

 

O diagnóstico preliminar da tuberculose é muitas vezes feito através da colheita de uma amostra de secreções pulmonares que é, posteriormente, examinada ao microscópio para ver se contém as bactérias que causam a tuberculose. A amostra também é enviada para um laboratório para que as bactérias podem ser cultivadas e identificadas. Para obter um resultado positivo, o teste de cultura pode demorar até seis semanas.

 

Uma vez que as crianças têm níveis inferiores de bactérias infeciosas do que os adultos, é mais difícil detetá-las ao microscópio e fazê-las crescer em cultura. Por esta razão, o diagnóstico preciso da tuberculose em crianças tem sido difícil.

 

«A disponibilidade deste teste em ambientes de cuidados primários pode ajudar as crianças a receber tratamento apropriado mais rapidamente», afirmou Lynne Mofenson, do Maternal and Pediatric Infectious Disease Branch do Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD). «Olhar para uma amostra sob o microscópio, muitas vezes utilizado para o diagnóstico inicial de TB em adultos, é muito impreciso em crianças.»

 

O teste XpertMTB/RIF também deteta estirpes de tuberculose que são resistentes ao medicamento rifampicina, permitindo que os médicos prescrevam com maior precisão o tratamento adequado, declarou Carol Worrel, também do NICHD. Isto é particularmente importante em áreas onde a tuberculose resistente a medicamentos é comum, como a África do Sul.

A eficácia do teste

O estudo foi coordenado por Heather Zar, da Universidade da Cidade do Cabo e do Red Cross War Memorial Children’s Hospital, e Mark Nicol, também da Universidade da Cidade do Cabo e do South African National Health Laboratory Service do Groote Schuur Hospital, África do Sul.

 

«Tem havido a perceção, entre os profissionais de saúde, que o diagnóstico rápido da tuberculose em crianças não é possível nos cuidados de saúde primários, mas este estudo refuta essa visão», afirmou Heather Zar. «Tendo em conta os resultados, a adoção generalizada do teste rápido para a tuberculose e resistência a medicamentos em crianças pode melhorar substancialmente a saúde pública, sem aumentar muito os custos.»

 

A equipa de investigação colheu cerca de 1500 amostras de mais de 400 crianças que se deslocaram a uma clínica de cuidados de saúde primários com os sintomas de tuberculose. Os investigadores, então, compararam os resultados do teste XpertMTB/RIF, dos exames microscópicos das amostras e da cultura de bactérias da tuberculose em laboratório. A cultura bacteriana revelou-se o método mais preciso para o diagnóstico da tuberculose.

 

Dos 30 casos de tuberculose detetados pela cultura, 19 (63 por cento) foram positivos pelo XpertMTB/RIF, enquanto que a análise microscópica revelou apenas quatro casos (13 por cento).

 

Em alguns casos, os investigadores começaram o tratamento da tuberculose em crianças que suspeitavam estar infetadas com base nos seus sintomas. O teste XpertMTB/RIF identificou sete crianças que apresentaram sintomas clínicos de tuberculose e responderam bem ao tratamento, mas cuja tuberculose não tinha sido detetada pelo teste de cultura.

 

«Isto pode ocorrer quando a criança está doente com tuberculose, mas as bactérias estão em níveis especialmente baixos, ou porque a amostra não contém um número suficiente de bactérias presentes no corpo da criança para aparecer quando cultivadas», explicou Carol Worrel. O número total de casos detetados por cultura (30 casos) e pelo teste XpertMTB/RIF (26 casos) foi semelhante.

 

«Por causa da carga global da doença entre as crianças, é vital fazer testes de diagnóstico rápidos e precisos, disponíveis em instalações de cuidados de saúde primários, a fim de identificar a doença e iniciar o tratamento antes que as crianças acabem num hospital», disse Carol Worrel. «O NICHD reconhece o valor do apoio à investigação para melhorar a precisão do diagnóstico da tuberculose em crianças, reduzir o número de amostras necessárias e desenvolver ferramentas de diagnóstico amplamente acessíveis.»

 

A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2012, havia 500 mil casos de tuberculose e 64 mil mortes entre os menores de 15 anos. Em Portugal, segundo dados da Direção-Geral da Saúde, em 2012, foram diagnosticados 41 novos casos de tuberculose em menores de 15 anos, sendo 17 com menos de cinco anos.

 

O teste XpertMTB/RIF foi desenvolvido com financiamento do National Institute of Allergy and Infectious Diseases. O teste XpertMTB/RIF para crianças foi financiado pelo NICHD.

 

 

Maria João Pratt

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