Só 30% das universitárias optam por carreiras ligadas à ciência, tecnologia e matemática (em inglês as chamadas STEM), revelou um estudo recente da Unesco. Para os especialistas em direitos humanos e igualdade de género, isto significa que o peso dos estereótipos assimilados na infância influencia claramente o futuro. “A escolha da profissão é apenas uma amostra de como os papéis adotados por cada gênero influenciam o desenvolvimento cognitivo e afetivo”, defendeu Rosa Martínez, secretária para a infância da Liga Espanhola de Educação e Cultura ao El País.

Esta ONG filmou uma série de raparigas do município de Fuenlabrada, Madrid, a responderem à questão “o que queres ser quando fores grandes?”. A maioria respondeu “atriz”, “estilista” ou “professora”. A seguir foi-lhes perguntado se escolheriam a mesma profissão caso fossem rapazes. E as respostas mudaram – muitas responderam “astronauta”, “polícia” e “médico”.

“As crianças não estão isentas de estereótipos de género. O facto de escolherem profissões feminizadas e masculinizadas é um reflexo da cultura de desigualdade que ainda vigora e que distingue claramente os homens das mulheres”, afirmou Rosa Martínez, sublinhando que “a primeira coisa a fazer é tomar consciência da realidade e acabar com o mito da igualdade em que vivemos imersos. Só assim a transformação pode acontecer”.

Um outro estudo sobre igualdade levado a cabo pela Federação de Mulheres Progressistas em 2012 – e no qual se baseou o filme da Liga para a Educação e Cultura - revelou que 50% dos 153 adolescentes entrevistados alterou a sua resposta sobre o emprego futuro quando lhes foi pedido que se imaginassem do sexo oposto. E aqui os rapazes mudavam mais de profissão do que as raparigas.

O mesmo estudo concluiu que, em relação às escolhas profissionais, ambos os sexos apresentam valores semelhantes em profissões como medicina, educação e veterinária, mas os resultados já variam bastante quando se trata de profissões tradicionalmente atribuídas a um sexo.  Por exemplo, muitos rapazes disseram querer ser engenheiros, futebolistas e polícias; elas optaram mais por atividades ligadas à beleza ou aos cuidados.

Se há questão que reúne o consenso num tema tão polémico, é a da necessidade de contrariar a cultura sexista bem cedo. “Temos que começar logo na escola primária, e aproveitar o movimento feminista que se vive nesse momento”, defendeu Carmen Segura, chefe de divulgação científica da mesma ONG.

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