O projeto “Direitos digitais: Uma password para o futuro”, promovido pela Deco e pela Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), assenta na aplicação de um questionário a jovens do ensino básico, secundário e profissional de escolas de 18 capitais de distrito de Portugal continental.

O estudo visou identificar “conjuntos de práticas e de consumos mediáticos e digitais, perceber atitudes face aos novos media e identificar situações de risco e vulnerabilidades no mundo digital”.

Dos resultados preliminares do estudo, que envolvem 1.012 alunos de 12 distritos do país, a coordenadora do projeto, Paula Lopes, da UAL, destacou “a quantidade de jovens” que diz ter conhecimento de situações de humilhação e chantagem na internet.

“A mesma percentagem diz ter conhecimento de roubos de perfis nas redes sociais, o que também nos parece um dado surpreendente”, disse à agência Lusa a investigadora.

Segundo o estudo, 45% dos jovens inquiridos afirmam ter conhecimento de humilhações, ameaças, chantagem ou difamação ('ciberbullying') a um ou mais dos seus amigos e dizem saber do roubo de perfis nas redes sociais.

Poucos assumem ser vítimas

No entanto, a percentagem dos que se assumem vítimas é muito menor, seja em relação ao ciberbullying (14,3%) ou ao roubo da sua identidade digital (11%).

“Os riscos e vulnerabilidades mais vezes (auto) declarados nesta investigação são o convite para conversar em privado em redes sociais ou chats (26,4%), a exposição, sem querer, a imagens ou conteúdos eróticos ou pornográficos (25,7%) e o encontro pessoal com alguém que se conheceu na internet (25,5%)”, refere o estudo.

Quase 90% dos jovens dizem que navegam na internet todos os dias e fazem-no para participar em redes sociais (62,5%) e ouvir música online (58,9%).

Paula Lopes considerou também preocupante os dados que os jovens partilham online e que os podem colocar numa situação de risco

“Por muito que os programa da internet segura digam tenham alguma atenção com as partilhas que fazem, a maioria partilha fotografias, o nome verdadeiro, a idade verdadeira na internet, e muitos são menores”, sublinhou.

Os dados indicam que 81% dos jovens inquiridos disponibilizam fotografias pessoais nas redes sociais, 77,4% colocam o nome verdadeiro e o apelido, 53,3% a idade e 51,6% o nome da escola que frequentam.

Questionados sobre quem devia ensinar e informar sobre este mundo digital, 54,1% apontam a família, 55,3% os professores, 53,5% os meios de comunicação social e 52,3% as empresas que fornecem serviços de internet (52,3%)

A investigadora disse que é preciso analisar estes dados “mais à lupa e cruzá-los com outros estudos do género”, com o EU-Kids online.

“Um estudo deste género, com base num questionário, dá-nos muitos dados sobre o que fazem os jovens, que tipos de risco correm, mas temos muito poucas indicações” sobre porque o fazem, disse, adiantando que só um estudo mais qualitativo poderá ajudar a perceber as razões destes comportamentos.

O distrito com maior percentagem de respondentes é o Porto, seguido de Bragança e Vila Real.

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