O advogado da professora, João Magalhães, disse à Lusa que se tratou de uma “manifestação espontânea de solidariedade, carinho e apreço” para com a professora, que diz estar suspensa “sem ninguém saber porquê”.

“Oficialmente, a única coisa que temos é um ofício da escola, com três linhas, que diz que a professora está suspensa por 90 dias. De resto, mais nada. Zero”, referiu.

Os alunos, que seriam perto de meia centena, empunhavam cartazes de apoio à professora, em que exigiam a sua reintegração na escola.

A professora acabou por se deslocar à escola e foi recebida “calorosamente” pelos alunos, com quem trocou “beijos e abraços”.

Segundo João Magalhães, os alunos que participaram na manifestação foram proibidos, pela direção da escola, de entrar no estabelecimento de ensino, mesmo aqueles que tinham tirado a senha para o almoço.

“É uma situação inconcebível e inqualificável. É como se um aluno tivesse passado os portões da escola para ir lá fora dar um beijo ao pai ou à mãe e a direção já não o deixasse entrar por ter tido esse gesto de carinho”, acrescentou.

A Lusa tentou ouvir a diretora da escola, mas ainda não foi possível.

A professora em causa, de 34 anos, está suspensa desde 7 de abril.

A diretora da escola, Luísa Sousa Dias, já tinha alegado, em declarações à Lusa, que se limitou a cumprir a lei, "para salvaguarda" tanto do aluno como da professora em questão.

"Tendo havido algum sururu, alguns indícios de que poderia haver relacionamento íntimo, optou-se, para salvaguarda tanto do aluno como da professora, que ela ficasse sem dar aulas até ao final do ano. É benéfico para todos, porque entretanto as coisas serenam", afirmou.

Luísa Sousa Dias sublinhou que a professora está apenas provisoriamente suspensa, por um período de 90 dias, uma decisão sugerida pela escola, mas tomada pelo diretor regional de Educação.

"Agora, o caso está nas mãos da Inspeção-Geral da Educação", disse ainda.

A professora já negou, pública e reiteradamente, qualquer envolvimento amoroso ou sexual com o aluno.

Para o advogado da docente, "as coisas estão a ser feitas ao contrário".

"Houve um sururu e o que se faz? 'Prende-se' para investigar em vez de se investigar para 'prender'. É uma completa subversão", criticou João Magalhães.

O causídico admitiu que a professora poderá estar a ser vítima de "alguma ingenuidade", decorrente da sua "forma aberta de ser" e da sua propensão para "ajudar os alunos com mais dificuldades".

Segundo João Magalhães, a docente já admitiu que ajudava aquele aluno nas disciplinas em que ele tinha mais dificuldades e que chegou a ir buscá-lo a casa algumas vezes para lhe dar explicações na escola, além de ter mantido com ele alguns contactos telefónicos.

Ajuda que, acrescentou, disponibilizava igualmente a outros alunos.

"Às vezes, nestas idades, os adolescentes confundem as coisas. Onde há apenas preocupação da professora em ajudar os alunos veem outros interesses. Aliás, quem é que já não teve uma paixoneta por uma professora?", questionou João Magalhães, para reiterar que a docente está "inocente".

A professora em causa é solteira e, segundo testemunho de colegas, prima por manter com os alunos uma "relação aberta".

"Veste de uma forma muito informal, à teenager, quase que se confunde com as alunas. Gosta de ir jantar com as turmas, mantém uma relação muito, muito aberta com os alunos", acrescentam os colegas.