
"Tecnologia e Criatividade" é o tema do congresso, que decorre na quarta-feira e na quinta-feira, em Lisboa, e que pretende encontrar resposta para a pergunta “Crianças e jovens e as novas tecnologias: risco ou oportunidade?”
“Pretendemos através da partilha de investigação e estratégias de intervenção contribuir para a clarificação” desta questão e “encontrar estratégias criativas, inovadoras e eficazes para promover uma utilização saudável e construtiva das novas tecnologias de informação e comunicação”, disse à agência a coordenadora do congresso.
Tânia Gaspar Santos, do Instituto de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade Lusíada de Lisboa, adiantou que o tempo despendido com as novas tecnologias de informação e comunicação tem vindo a ocupar cada vez mais tempo na vida das crianças e dos jovens.
Citando alguns estudos, a psicóloga disse que um dos comportamentos mais referidos pelos jovens na ocupação dos tempos livres é o “tempo passado com os media, a ver televisão ou a utilizar outros equipamentos tais como o vídeo, os videojogos e a internet”.
Em média, os jovens passam três a cinco horas diárias a utilizar estes instrumentos, um tempo superior ao gasto na ocupação dos tempos livres com atividades físicas e só ultrapassado pelo tempo que passam a dormir.
Tânia Santos advertiu que estes comportamentos podem acarretar novos desafios que devem ser equacionados, como “o aumento de comportamentos de risco ao nível da violência associada ao uso do computador” e “o isolamento social que pode implicar, sobretudo se os jovens manifestarem dificuldades de relacionamento social”.
Os estudos sugerem que as atividades de tempo de ecrã podem ser um fator protetor e um fator de desenvolvimento sócio cognitivo e do bem-estar desde que esse tempo não seja excessivo, especialmente que não impeça outras atividades de ocupação de tempos livres e outras formas de interação social e com supervisão parental.
Nuno Loureiro, um dos autores do estudo “Adolescentes ativos e adolescentes sedentários: a realidade portuguesa e o papel das Novas Tecnologias”, disse à Lusa que os jovens têm que ser preparados para as novas tecnologias, mas também têm de “ser estimulados” para praticarem atividade física.
“É comum fazer-se uma avaliação e ir à procura de culpados”, olhando-se para a tecnologia como “a causa para grandes problemas de saúde dos jovens”, disse Nuno Loureiro, do Instituto Politécnico de Lisboa.
Os comportamentos de lazer sedentários são muitas vezes associados à reduzida prática de atividade física dos adolescentes e o que “percebemos é que em alguns casos isso pode ser verdade, mas na grande maioria dos casos não funciona dessa forma”, disse o investigador.
“Há muitos jovens que conseguem gerir o seu tempo, ter comportamentos ativos e, ao mesmo tempo, estarem ligados à tecnologia”, acrescentou.
“É na adoção entre comportamentos mais ativos e mais sedentários que vai residir a saúde dos jovens”, defendeu.
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