Em entrevista à Lusa, Ernesto Gasco — que participou numa conferência sobre infância promovida pela Unicef Portugal na Assembleia da República, na semana passada — reconheceu que Espanha “está muito acima da média europeia em exclusão, em desigualdade, em pobreza infantil”.

O país tem um índice de pobreza infantil “histórico” — aliás, maior do que o português, assinalou.

“Em Espanha, fez-se muito pouco até agora. Até 2018, o orçamento para combater a desigualdade na infância rondava os 350 milhões de euros. Neste momento, já quase multiplicámos por cinco, estamos em mais de 1.500 milhões”, apontou.

Foi perante este cenário, lembrou o representante, que o Governo de Pedro Sánchez criou o alto comissariado e afirmou a intenção de “fazer políticas transversais”, cujos resultados só serão visíveis “nos próximos anos”.

O objetivo é “reduzir os índices de pobreza e chegar à média europeia em 2030”, assumiu o comissário.

Apesar do aumento do orçamento, Espanha continua a ser “muito desigual”, reconheceu Ernesto Gasco, que foi conselheiro municipal durante 20 anos em San Sebastián (País Basco, norte de Espanha), realçando que as políticas locais e regionais, quando pensadas a longo prazo, conseguem formar redes de proteção das crianças mais eficazes.

Por outro lado, frisou Gasco, há que prestar atenção às cidades: “Historicamente, a pobreza infantil existia mais no sul do que no norte de Espanha, mas estamos a detetar que nas grandes áreas metropolitanas, por causa do aumento dos preços da habitação, estão a ser geradas novas bolsas de desigualdade, sobretudo em torno de Madrid e Barcelona. Dos 2,2 milhões de crianças que temos nessa situação, 400 mil vivem na comunidade de Madrid”.

Sobre o impacto da pandemia de covid-19 nos mais vulneráveis, entre os quais as crianças, Gasco destacou o “escudo social” adotado pelo atual Governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).

“Estamos com 2,2 milhões de crianças em situação de pobreza e vulnerabilidade. Se não tivéssemos adotado este escudo social, neste momento teríamos quase três milhões, um milhão mais… Contivemos a situação de vulnerabilidade”, apontou.

Com as medidas sociais adotadas, Espanha conseguiu “dissipar as desigualdades geradas pela pandemia em tempo recorde”, disse o alto comissário, assumindo o receio face ao impacto da atual crise energética e de inflação.

No contexto da União Europeia (UE), a pobreza infantil é mais visível no sul da Europa, onde “há maior desigualdade social e menos coesão social”, explicou, reconhecendo que, “nos países mediterrânicos, a origem e o rendimento familiares marcam muito, ainda, as possibilidades de desenvolvimento futuro”.

Ora, “a pobreza infantil não é só monetária, também é cultural”, recordou o alto comissário, mencionando o programa em curso, financiado em 220 milhões de euros, para formação e capacitação digital dos jovens de 10 a 17 anos em situação de vulnerabilidade, na premissa de garantir “igualdade de oportunidades para os empregos do futuro”.

Um plano de combate à obesidade infantil, porque “é mais alta nas famílias mais vulneráveis”, é outra das medidas adotadas.

De Portugal, Espanha encontrou inspiração na escola infantil universal para crianças de 1 a 2 anos. “Portugal vai um pouco mais avançado neste domínio”, elogiou.

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