“Um total de 23 professores não vão estar hoje a cumprir o seu horário normal, razão pela qual me vejo forçado a interromper as atividades letivas não abrindo a escola. Lamento profundamente a perturbação e os transtornos causados às famílias”, disse à agência Lusa António Mário Godinho.

O responsável disse esperar que a situação se altere na terça-feira, adiantando que durante o dia de hoje vai tentar perceber se os professores candidatos à bolsa de contratação de escolas aceitaram ou não a vaga.

“Amanhã [terça-feira] conto retomar o sistema de substituição que vigorou nas semanas anteriores. Não me vai resolver a situação em definitivo porque vou continuar a tapar buracos, mas pelo menos dará a satisfação aos pais e encarregados de educação de que a escola acolhe as crianças e as mantém o máximo de tempo possível ocupadas com atividades letivas ou de substituição”, frisou à Lusa o diretor.

Segundo António Mário Godinho, a anulação na sexta-feira, por parte do Ministério da Educação, das colocações de professores do concurso da bolsa de contratação, cujos resultados foram conhecidos a 12 de setembro, veio provocar algumas consequências no estabelecimento de ensino, nomeadamente a falta de professores.

O responsável adiantou ter acompanhado durante o fim de semana a plataforma da DGAE (Direção-Geral da Administração Escolar) e constatado que não iria ter o número de professores suficiente para abrir as portas da escola, salientando que esta já funciona com carência de docentes desde o início do ano letivo.

“Esta é uma situação que me deixa transtornado. Trata-se de uma situação caótica que não gostaria de viver, mas era um risco abrir a escola”, que tem cerca de 600 alunos, frisou o responsável, adiantando que até hoje teve de fazer “alguma ginástica” para que os alunos que não tinham aulas pudessem estar acompanhados com atividades não letivas.

As aulas na Escola EB Francisco de Arruda, na Calçada da Tapada da Ajuda, Lisboa, iniciaram-se a 22 de setembro com 16 professores em falta, funcionando aquele estabelecimento de ensino apenas da parte da manhã, por falta de funcionários.

Na sexta-feira, vários agrupamentos de escolas receberam orientações do Ministério da Educação para anularem as colocações de professores do concurso da bolsa de contratação, cujos resultados foram conhecidos a 12 de setembro.

Também a presidente da Associação de Pais, Sandra Alves explicou à Lusa que, apesar de todos os anos a escola se deparar com problemas na colocação de professores, este ano o “problema é máximo”.

Sandra Alves afirmou que os problemas ocorreram apesar de a direção ter feito “um esforço para manter a escola aberta fazendo um mapa diário de substituições”

“Até sexta-feira funcionou com a garantia do ministro da Educação de que o erro na bolsa de contratação não iria anular os contratos, mas perdemos três professores, com os 16 que nos faltavam, mais dois de baixa e outros dois de baixa parental, ao todo são 23 que faltam, e assim não se pode abrir os portões da escola”, lamentou Sandra Alves.

A também encarregada de educação frisou que a situação não só prejudica os alunos no seu percurso nas escolas, como também os professores “são tratados de uma forma inadmissível” e a escola “sofre, por sua vez, com isso”.

Sandra Alves alertou ainda para o facto de este ano a escola ter perdido a sua denominação de Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), o que permitia que o estabelecimento tivesse dois técnicos de ação social e um psicólogo, lamentando que desta forma tenham perdido um técnico “essencial para equilibrar as relações sociais” na escola.

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