Quase 51 mil estudantes entraram no ensino superior na 1.º fase do Concurso Nacional de Acesso, que se transformou no concurso com mais alunos colocados de sempre.

Para o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos, o “aumento significativo” de alunos a entrar no ensino superior mostra que "os jovens e as famílias acreditam que o ensino superior é um investimento importante a longo prazo, apesar dos momentos de incerteza” que se vivem em relação ao futuro.

As inscrições dos caloiros começam hoje, assim como o processo de candidatura à 2.º fase do concurso nacional de acesso (que é composta por três fases).

Aos 51 mil que agora entraram, vão juntar-se outros milhares através das várias formas de acesso. No total, a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), estima que este ano haja cerca de 95 mil novos alunos em instituições públicas e privadas.

Segundo Pedro Dominguinhos, as instituições estão preparadas para os receber, tendo em conta a atual época de pandemia, que tem tido impacto na saúde mas também na situação financeira de muitas famílias.

O presidente do CCISP explicou à Lusa que cada instituição desenhou medidas adaptadas à sua realidade tendo por base as recomendações da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).

Alguns politécnicos instalaram equipamentos nas salas de aula, permitindo assim dividir as turmas em dois grupos e ter, de forma rotativa, apenas metade dos alunos dentro da sala de aula enquanto os colegas acompanham as aulas à distância.

O também presidente do Instituto Politécnico de Setúbal deu como exemplo a sua instituição explicando que foram investidos cerca de 180 mil euros para adquirir equipamentos para 72 salas de aula, permitindo assim transmitir a aula em direto.

“Mas existem instituições onde tal não é necessário e por isso foram encontradas outras soluções”, explicou, acrescentando que as aulas dos alunos mais velhos já começaram, já surgiram alguns casos de covid em ambiente escolar e o processo de ensino continua a funcionar.

Além dos circuitos de circulação, da disponibilização de álcool gel e uso obrigatório de máscara, há instituições que colocaram à entrada das salas de aula a limitação máxima desses espaços e há salas que têm acrílicos nas secretárias dos alunos.

O aumento de estudantes poderá traduzir-se também no aumento de casos a precisar de ajuda e Pedro Dominguinhos acredita que estão criadas condições para que os alunos não desistam de estudar por dificuldades financeiras.

O regulamento de atribuição de bolsas de estudo foi alterado, alargando o limiar de elegibilidade, assim como o valor das bolsas é agora mais elevado do que as propinas (a bolsa mínima é 871 euros e a propina 697 euros).

No mesmo sentido aumentou também o complemento de alojamento, que agora tenta estar mais alinhado com os preços praticados no mercado de arrendamento, lembrou Pedro Dominguinhos.

No entanto, o presidente do CCISP sublinha que a “perda de rendimentos de muitas famílias é muito significativa” e por isso as instituições têm de estar atentas e os alunos têm de pedir ajuda, quando tal necessitem.

Em algumas instituições, como é o caso do Politécnico de Setúbal, foi criada uma bolsa extra e foi criado um projeto que permite emprestar computadores e internet a quem mais precisa.

Na 1.º fase do concurso nacional de acesso (CNA) concorreram cerca de 62 mil alunos, tendo entrado quase 51 mil, ou seja, quatro em cada cinco já estão colocados.

A 2.º fase começa hoje e tem cerca de seis mil vagas.

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