O apoio a famílias multi-problemáticas com crianças em risco, centrado nas potencialidades de mudança e não nos problemas, está na base de um novo modelo de intervenção desenvolvido por uma investigadora da Universidade de Coimbra (UC). Criado por Ana Teixeira de Melo, da Faculdade de Psicologia de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC), o Modelo de Avaliação e Intervenção Familiar Integrado (MAIFI) encara “a família como um todo” e “rompe com o modelo tradicional” de intervenção. “Não chega aumentar os rendimentos e ensinar as competências parentais, é preciso ajudar as pessoas a serem uma família forte, para viverem melhor, apesar das dificuldades”, disse hoje a investigadora à agência Lusa. Na abordagem tradicional, “o apoio à família é fragmentado, porque a prática em rede ainda é pouco usual”, o que leva a que “os problemas se mantenham e multipliquem e a família enfraqueça”, instalando-se um “clima de desesperança nas famílias e um desgaste muito grande dos profissionais”, apontou. O novo modelo, desenvolvido nos últimos dois anos em sete concelhos, “centra-se nas forças e não nos problemas, na família e não nos indivíduos, estabelece um ambiente colaborativo em que as soluções são construídas em conjunto (família e profissionais)”, refere uma nota hoje divulgada pela UC. “Não ficamos pela eliminação dos problemas, ajudamos a desenvolver uma imagem positiva da família, a manter a esperança, a satisfação de estarem uns com os outros, a coesão e a união”, disse a autora, frisando que “é dessa forma que se garantem mudanças de fundo efetivas”. Com a crise que o país atravessa, “o número de famílias com dificuldades vai aumentar seguramente, o que exige a adoção de mecanismos que as fortaleçam”, perspetivou Ana Teixeira de Melo, alertando para a “ineficácia dos modelos dominantes, que apenas fazem diagnósticos de necessidades”. Nas 67 famílias intervencionadas, disse, constatou-se que, “apesar das dificuldades, passaram a viver mais felizes e a apoiarem-se mais uns nos outros”. Desenhado especialmente para apoiar as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) e os tribunais, o modelo exige “grande flexibilidade das instituições e dos profissionais”, porque implica um “trabalho muito intensivo, em contexto domiciliário, de forma a assegurar a participação ativa e empenhada” das famílias. “É importante apoiar a família, levá-la a aceitar determinadas condições para a mudança, de forma a permitir que a criança (em risco ou negligenciada) permaneça ou regresse a ela (nos casos em que foi retirada), mas também desenhar um projeto alternativo com maior segurança” quando se conclui que essa não é a melhor solução”, disse. A intervenção profunda junto da família, acrescentou, permite aos técnicos “maior segurança nas decisões que tomam”, sendo este um dos aspetos que mais valorizam no modelo proposto. A decisão dos técnicos acaba por ser “mais facilmente aceite pela família”, porque ela teve um “papel ativo” na intervenção prestada, soube “aquilo que era esperado dela e o que tinha de mudar”. O modelo combina o trabalho clínico com as preocupações sociais, educativas, comunitárias e forenses, o que, segundo a autora, é outro dos aspetos inovadores.
Fonte: Lusa
22 de novembro de 2011

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