Investigadoras da Universidade de Princeton, nos EUA, descobriram que crianças concebidas durante o mês de Maio apresentam um risco relativo acrescido, de cerca de 10 por cento, de nascerem prematuras quando comparadas com bebés concebidos noutras épocas do ano.

 

As autoras do estudo acreditam que pode ser uma consequência do aumento da exposição da futura mãe à gripe sazonal, durante os meses de janeiro e fevereiro, exatamente na altura prevista para o nascimento de um bebé concebido em Maio.

 

«Fomos surpreendidas pelos dados tão evidentes sobre a relação entre a potencial exposição à gripe sazonal e o parto prematuro» disse a autora do estudo Janet Currie, diretora do Center for Health and Wellbeing da Woodrow Wilson School (Universidade de Princeton). «Alguns trabalhos recentes sugerem que a gripe pode induzir o parto prematuro em mulheres grávidas, e os nossos resultados parecem confirmar isso.»

 

Janet Currie, que conduziu o estudo com a investigadora Hannes Schwandt, acrescentou que, se as mulheres grávidas forem vacinadas contra a gripe, poderão não estar em risco de parto prematuro, devido a infeção por gripe.

 

As descobertas foram publicadas online na edição atual da revista Proceedings of National Academy of Sciences. O estudo revelou uma associação entre o mês da conceção e o nascimento prematuro, mas não prova o fenómeno de causa-efeito.

 

Para explorar o potencial impacto do momento da conceção sobre a saúde infantil, as especialistas analisaram dados de cerca de 647 mil mães na região nordeste dos Estados Unidos da América, as quais já tinham dado à luz mais do que um filho.

 

Além de datas de nascimento e durações de gravidez, os dados incluíram informações sobre as alterações de peso materno, etnia, educação e historial tabégico.

 

A equipa de investigação observou que, olhando unicamente para a experiência conceção- nascimento de mais de 1,4 milhões de irmãos (em oposição a bebés sem grau de parentesco), poderiam comparar situações semelhantes e contornar outros fatores que podem influenciar o risco de prematuridade, tais como o rendimento económico de uma família ou a formação académica.

 

O resultado

Os autores identificaram uma «diminuição acentuada» na duração das gravidezes que se iniciaram em maio.

 

Indo mais longe e alinhando registos de nascimento e de conceção mês a mês com dados sobre gripo pós 1997 que tinham sido compilados pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, a equipa de investigação encontrou uma correlação entre as conceções de maio e um aumento notável da exposição à gripe durante o terceiro trimestre de tais gravidezes.

 

Além disso, os bebés concebidos durante os meses de verão tendem a pesar um pouco mais quando nascem do que bebés concebidos em outras épocas do ano.

 

«Os resultados do peso ao nascer de bebés concebidos durante o verão sugerem que estes são mais pesados em parte porque as mães tendem a ganhar mais peso durante a gravidez quando concebem no verão», disse Janet Currie. «Parece provável que tal aconteça porque s têm uma dieta melhor, apesar de que não podemos observar isso diretamente nos nossos dados.»

 

«Não podemos descartar outros fatores que também podem ser importantes para os resultados da gravidez», afirmou a investigadora. «Mas achamos que a mensagem do nosso trabalho é que os pais devem tomar medidas para se protegerem contra problemas conhecidos», sugerindo que a coisa mais prática que as mulheres grávidas podem fazer é simplesmente comer bem e serem vacinadas contra a gripe sazonal. «Isso provavelmente seria uma abordagem mais sensatado que tentar evitar a conceção em maio.»

 

Dois médicos do centro médico Scott & White Healthcare, no Texas, descreveram o estudo como «interessante», sublinhando a necessidade de as mulheres grávidas serem vacinadas contra a gripe.

 

«Evitar a conceção durante certas épocas do ano, é uma opção», disse Nancy Bertsch, obstetra e ginecologista do centro Scott & College Healthcare. «Mas se a teoria das autoras está correta e o aumento da taxa de prematuridade está relacionado com picos sazonais de gripe, a melhor opção é que os médicos que seguem as gravidezes façam um trabalho melhor na prevenção da gripe.»

 

Nancy Bertsch afirmou que tanto o American College of Obstetricians and Gynecologists como o CDC recomendam a vacinação contra a gripe durante a gravidez. «É uma vacina perfeitamente segura para a mãe e para o bebé», disse. «Nós já sabemos que uma mulher grávida com gripe pode ficarmuito mais doente do que uma mulher não grávida, e podem ocorrer consequências muito mais graves, tanto para ela como para o bebé. Se a vacinação contra a gripe durante a gravidez também diminuir o risco de prematuridade, esta é mais uma razão para se recomendar a vacinação.»

 

Richard Jones, diretor do serviço de obstetrícia da mesma unidade hospital, concordou rematando: «Seguindo essas recomendações, esperam-se melhores resultados do que tentar planificar o mês da conceção, uma vez que cerca de metade das gravidezes é indesejada ou não planeada.»

 

 

Maria João Pratt

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