O excesso de peso pode ser uma das dificuldades para engravidar. Por este motivo os ginecologistas recomendam um plano de redução de peso e hábitos de alimentação saudável, pelo menos entre três a seis meses, antes dos casais pensarem em engravidar. Quer seja de forma natural ou através de tratamento de procriação medicamente assistida (PMA).

“Entre 30 a 40% das mulheres obesas têm dificuldade em engravidar. Existem dados que mostram a relação entre o índice de massa corporal elevado e a fertilidade”, explica Sérgio Soares, diretor do IVI Lisboa.

O excesso de peso pode gerar alterações hormonais que fazem com que a mulher não ovule e sem ovulação não pode engravidar. Por outro lado, estudos realizados pelo grupo IVI mostram que as mulheres que estão acima do seu peso, que ovulam e ficam grávidas, têm três vezes mais risco de ter complicações obstétricas, maior risco de aborto e morte fetal.

As pacientes com obesidade, isto é, aquelas que têm um índice de massa corporal acima dos 30, deveriam aumentar apenas sete a oito quilos durante a gravidez. Enquanto uma mulher com o peso adequado pode ganhar sete a doze quilos. É importante que a grávida faça uma alimentação equilibrada e variada e nunca uma dieta com menos de 1.800 calorias.

Mães obesas: filhos obesos

O estudo mostra ainda que o excesso de peso não tem apenas consequência para as mães, mas também para os filhos. Isto acontece porque as condições no útero materno têm efeitos sobre a fisiologia fetal. Ou seja, o ambiente onde se desenvolve o feto condiciona o seu desenvolvimento durante a vida. A isto chama-se “memória metabólica” e influencia, por exemplo, que a obesidade seja um problema perpétuo e autogerido.

Neste sentido, os filhos de mães com excesso de peso têm 40% mais probabilidade de padecer de obesidade e isso constitui um fator de risco para doenças crónicas, como as doenças cardíacas, síndrome metabólica e diabetes tipo II.

Durante os nove meses de gestação a mãe vai aumentar de peso. No caso de uma mulher com excesso de peso e que está a pensar engravidar, pode ser suficiente perder entre 5 a 7% do seu peso. Praticar exercício físico e fazer dieta pode ser a primeira medida para conseguir alcançar o peso ideal e ter um estilo de vida mais saudável.

Ingredientes da dieta da fertilidade

Aumentar a ingestão de ómega 3 e 6, vitamina D. Para isso coma salmão, sardinhas, truta e azeite.

O ácido fólico é importante para evitar a má formação do feto e pode encontrar em alimentos como as lentilhas, espinafres, laranjas e pera abacate.

As proteínas também são importantes e pode encontrá-las não apenas nas carnes (as melhores são as magras), mas também no grão, nas lentilhas, nas algas marinhas, nos frutos secos e no azeite.

Uma boa opção é optar pela dieta mediterrânica, que é rica em alimentos saudáveis, rica em proteína vegetal e fibra e baixa em hidratos de carbono. Nesta dieta privilegia-se o consumo de cereais, frutas, legumes, peixe e produtos lácteos. Evita-se o consumo de alimentos processados e gorduras saturadas (manteigas, óleos, carne vermelha, bolos, biscoitos, molhos e outros responsáveis pela obesidade e problemas de fertilidade).

Sabia que?

Se a mãe está dentro do IMC normal e o pai é obeso, o risco de obesidade afetaria só os filhos homens e não as filhas mulheres. No entanto, se a mãe é obesa afeta tanto os filhos rapazes como as raparigas.

Artigo escrito pela equipa da IVI Lisboa

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