As crianças gritam, correm, caem ao chão, ficam impacientes, choram, fazem birras, sujam-se a comer, falam com a boca cheia, apontam com o dedo – enfim, são crianças e é bom não esquecer esse pequeno grande pormenor.

“Neste mundo hedonista, esperamos que as crianças se comportem como exemplos de boa educação desde muito pequenas”, escreve Carlos Pajuelo, psicólogo e professor da Universidade da Estremadura, num artigo para a rubrica Escola de Pais do jornal Hoy. O especialista, que também é pai, defende que nos esquecemos cada vez mais de que “as crianças não nascem ensinadas e levam muitas horas, muitos dias e muitos anos a aprender”. Por isso é fundamental treinar esta capacidade: a paciência.

Pajuelo sublinha que uma sociedade em que crianças têm de se comportar como adultos “nega o valor da infância”. E aconselha os pais a pensarem nestes cinco pontos quando ficam incomodados com a infantilidade dos seus filhos.

  1. As crianças não incomodam. O que incomoda são alguns comportamentos delas. Não se massacre com pensamentos do género “cala a boca”, “não fales alto”, “para com isso”. A natureza é sábia e por isso é que existem pais, avós, professores, familiares e vizinhos, para ajudar na tarefa de educar. Embora a grande responsabilidade seja dos pais e das mães, é preciso contar com a colaboração do resto da tribo. Uma boa forma de trabalhar nessa tarefa é ser paciente e tentar entender o comportamento das crianças em vez de começar a insultar-se – a si e a eles – mentalmente. Pajuelo reforça: “Os erros das crianças e adolescentes fazem parte do processo de aprendizagem.”
  2. Educar é ensinar ativamente os modelos corretos de agir. É por isso que pais e mães não devem esconder-se atrás dos filhos quando estes se comportam de forma irritante para com os outros. É preciso contrariar certas ações e comportamentos, explicando-lhes que não têm o direito de perturbar as outras pessoas. E persistir. “Se perceber que a criança se esforça para se controlar, reconheça-o. Deixe-o saber que tentou agir corretamente e que isso é louvável.”
  3. “As crianças podem fazer coisas inapropriadas, mas também são divertidas, criativas, carinhosas, empáticas, surpreendentes, compreensivas, leais, curiosas e inocentes”, lembra o especialista. Perceba que elas têm valores, não obedecem cegamente. “Conheço muitos adultos que incomodam mais do que algumas crianças e ninguém lhes diz que a culpa é do pai e da mãe”.
  4. “Adoro crianças, há sempre uma que me belisca, matreira, mas se eu a confrontar, quase sempre vem dar-me beijos. A quem me belisca, dou abraços duplos. É por isso que as crianças nunca me incomodam porque todas precisam do que nós, adultos, precisamos: reconhecimento e abraços; confiança e abraços; consideração e abraços”.
  5. “As crianças não são irritantes, estão simplesmente vivas e fazem barulho. Sujam-se, gritam, riem. As crianças precisam dos adultos para entendê-las, educá-las e, acima de tudo, protegê-las. Proteja as crianças e a infância. Como podemos sentir-nos incomodados com o maior tesouro da sociedade?”

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