Muitas crianças em idade pré-escolar ou escolar têm medo de ir ao médico.

Filomena Patrocínio, cozinheira, também tinha essa noção.

Foi, no entanto, com alguma surpresa que se apercebeu de que Matilde, a sua filha bebé de 13 meses, manifestava receio sempre que a levava ao pediatra.

«Ela sempre foi bem disposta e sociável mas, quando vê o pediatra, desata a chorar. Ele é muito atencioso mas, desde que ela teve de ir duas vezes ao hospital, nunca mais reagiu da mesma forma aos médicos», desabafa esta mãe.

«Mal entra no consultório, fica em pânico e durante o exame mostra-se aflita, mesmo que o médico nem use bata. É normal este tipo de comportamento? O que posso fazer para minimizar a reacção dela? Será que esta situação vai passar com a idade?», questiona.

A pediatra Helena Carreiro não tem dúvidas quanto ao problema de Matilde. «Refere-se ao que era chamado síndroma da bata branca, que continua a acontecer, embora a maioria dos médicos pediatras já não utilize bata quando observa as crianças», constata. «Existem ainda, na maioria dos consultórios, espaços para a criança brincar na tentativa de tornar aquele ambiente mais adequado ao seu ambiente natural», refere ainda.

Quanto à reacção da bebé, considera que faz parte do desenvolvimento normal da criança. «Por volta dos oito meses, ela apercebe-se que existem outros espaços à sua volta, que não lhe são familiares, e reage com o choro, muitas vezes levado ao pânico. Na consulta, esta reacção é, muitas vezes, exacerbada, porque a criança é despida, manuseada por outra pessoa, parte do exame é realizado na marquesa, sendo tudo isto interpretado como elementos de agressão», contextualiza.

«Pode tentar ajudar o seu filho, permanecendo junto dele, pegando-lhe ao colo quando possível e, sobretudo, transmitindo-lhe calma e segurança», recomenda a especialista. «Quando a criança é mais crescida, é útil tentar em casa uma brincadeira de faz-de-conta, do que se irá passar na consulta», sugere Helena Carreiro.

«Mas, sobretudo, deve manter e transmitir calma, pois a criança absorve todos os sentimentos do adulto. Assim, aos poucos, a criança, estabelecerá um vínculo de proximidade com o pediatra e, por volta dos dois anos, este será encarado como um amigo», conclui a pediatra.

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