«Sou uma rapariga. Sou divertida, curiosa, inteligente, corajosa, saudável, simpática e terna. Sou bonita tal como sou», lê-se num cartaz publicitário da campanha de saúde pública lançada por Michael R. Bloomberg. O presidente da Câmara de Nova Iorque, nos EUA, desafia, assim, as inatingíveis noções de beleza promovidas pela indústria de moda e de cosmética. Destinada a melhorar a autoestima das raparigas entre os 7 e os 12 anos daquela cidade, a campanha transmite uma aura positiva e energética, mostrando jovens de raças e tamanhos diferentes.

É nesta faixa etária que as meninas começam a ter problemas com a sua imagem, o que pode conduzir a perturbações alimentares, alcoolismo e até suicídio. «A autoestima tende a baixar quando só acedemos ao melhor dos outros e se gera uma insatisfação crónica em que nunca nada em si é suficientemente bom», sustenta a psicóloga Filipa Jardim da Silva. Inédita, a campanha NYC Girls Project inclui cartazes publicitários que inundaram Nova Iorque através dos autocarros e do metro.

A lista de materiais de promoção inclui um vídeo de 30 segundos que passou nos táxis, no YouTube e no site Nyc.gov/girls, uma ação na rede social Twitter (#ImAGirl) e aulas gratuitas de ginástica. Os cofres de uma das maiores metrópoles do mundo ficaram com menos 330.000 dólares, cerca de 257 mil euros, tudo para ajudar a próxima geração de mulheres a terem mais confiança em si mesmas.

O reverso do anonimato online

Todos diferentes mas cada vez mais iguais. «Estamos a sacrificar a privacidade e a identidade das pessoas», afirma Christopher Poole, criador do site 4chan. Mais de sete milhões de pessoas usam-no e conta com mais de 700.000 entradas por dia. Contudo, está a perder seguidores devido à aderência massiva às redes sociais. O Futaba Channel, conhecido por 4chan, foi criado pelo empreendedor quando tinha apenas 15 anos para poder comunicar com os amigos sem restrições de conteúdo.

É único porque não tem registo nem arquivo. Numa conferência TED, em 2010, Christopher Poole admitiu que o site se tornou famoso por permitir discussões cruas sobre temas adultos. Ambiente que gerou fenómenos da internet (como os vídeos virais) e também propiciou conteúdos obscuros, como o canal Marble Cake. Este, foi criado pelo grupo de ativistas e hackers Anonymous, conhecidos por dificultarem o funcionamento de sites governamentais e usarem máscaras de Guy Fawkes (revolucionário do século XVII) em protestos de rua.

Apesar de Christopher defender os fóruns enquanto lugares onde as pessoas podem fazer uso da sua liberdade de expressão impunemente, a verdade é que conseguem o mesmo efeito nas redes sociais. Falsificar uma identidade apenas dá um pouco mais de trabalho, dado que é necessário fazer registo, procurar fotografias de pessoas reais e manipulá-las.

Texto: Filipa Basílio da Silva com Luis Batista Gonçalves (edição internet)

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