O QUE ESTÁ A SENTIR
Quando olha para o seu recém-nascido enquanto o embala, não pode deixar de pensar no quão milagroso é cuidar de um bebé. No entanto, este milagre depressa irá chocar com a sua nova realidade.
Para as mães, é muitas vezes significativa a mudança entre o momento em que sente aquele ser desconhecido pontapear e alongar-se no interior do seu ventre e o seu aparecimento enquanto pessoa totalmente separada e que tanto necessita da sua dedicação e atenção.
Para algumas, o sentimento de ligação é tão forte que quando o bebé está adoentado e chora, também sentem vontade de chorar. Para outras, as alterações hormonais a par da intensidade das emoções e do esforço podem causar uma depressão pós-parto.
Para os pais, a experiência revela-se diferente, mas não menos intensa. Aqui está ela finalmente, aquela pequena pessoa totalmente dependente de si. Poderá sentir um carinho avassalador, como nunca antes, ou um enorme sentido de responsabilidade: como conseguirei cuidar dele?
Como conseguirei mantê-lo em segurança? Poderá ainda sentir insegurança: como devo pegar-lhe ao colo e tranquilizá-lo, ou construir a minha relação com o bebé? Por fim, poderá surgir um sentimento de ciúme associado à quantidade de tempo que o bebé precisa de passar com a sua parceira.
Todas estas emoções – e muitas outras que não referimos – poderão surgir. Acrescente-lhes uma imensa falta de sono e compreenderá porque é tão importante para os novos pais serem pacientes e compreensivos para com eles próprios e um para com o outro. Saiba mais sobre o seu bebé na próxima página

ESTÁ NA HORA DE COMER
Quando amamenta, está a fazer muito mais do que fornecer alimento ao bebé. Está também a ajudá-lo a sentir-se seguro no mudo que o rodeia.
Se o bebé pudesse falar:
Neste momento, chorar é a melhor forma para mim de comunicar e é por isso que o faço com tanta frequência. Pode ser por ter a fralda suja, por precisar de miminhos ou por ter fome.
E tendo em conta a velocidade com que estou a crescer, o mais provável será mesmo estar com fome. Se achares que tenho fome, toca levemente a minha bochecha e ver-me-ás a virar automaticamente a cabeça e começar a chuchar. Por vezes, preciso de praticar a sucção.
Quando choro de fome e apareces com comida, percebo que consigo comunicar e fazer com que as coisas aconteçam! Adoro sentir-me aconchegado, que olhes para mim e fales baixinho enquanto como.
Adoro sentir-me próximo de ti. Para já, quero receber o que preciso quando preciso. Em breve, irei aprender a esperar um ou dois minutos, mas só o conseguirei se tiver a certeza que virás para tratar de mim.
O que o bebé está a aprender:
Quando satisfaz a fome do bebé, está a ajudá-lo a sentir-se calmo, o que lhe permite concentrar-se brevemente na sua mais importante tarefa – aprender como funciona o mundo à sua volta – olhando para o seu rosto, ouvindo o som da sua voz, sentindo o movimento do embalo.
Quando fala calmamente com ele e acaricia lentamente a sua cabecinha enquanto come, o bebé está a aprender que é amado e que merece ser bem tratado. Começa a entender que pode confiar na mãe e depender dela. Esta lição de confiança estabelece as bases para as relações saudáveis ao longo da sua vida.
Quando ajuda o bebé a perceber que os seus esforços para comunicar são bem sucedidos, também está a ajudar as suas capacidades linguísticas: chora quando tem fome e a mãe aparece, alimenta-o e ele sente-se melhor.
Isto constitui um incentivo para comunicar mais, em primeiro lugar através de gestos e da vocalização e, mais tarde, através das palavras. Também está a ajudá-lo a compreender as causas e os efeitos (choro e a seguir aparece a mãe ou o pai), o que lhe permite criar uma noção acerca do mundo esmagador, e sempre impressionante, que o rodeia.
O que pode fazer:
- Fale com o bebé num tom de voz tranquilizador enquanto o alimenta.
- Acaricie suavemente o seu cabelo e corpo para que possa sentir o poder calmante do toque. Saiba como reconfortar o seu bebé na próxima página

RECONFORTAR O RECÉM-NASCIDO
Quando reconforta o bebé, está a ensinar-lhe que o mundo é um lugar seguro e que alguém se preocupa com os seus sentimentos. Quanto mais satisfeito se sentir, mais energia terá para estabelecer ligações com os outros e para aprender como funciona o mundo à sua volta.
Se o bebé pudesse falar:
Quando choro, nem sempre significa que estou com fome. Por vezes, choro apenas porque acho o mundo que me rodeia assustador. Outras vezes, choro para libertar tensões. A adaptação a este mundo exterior não é tarefa fácil! Sempre que choro, significa que preciso de ti.
Por favor, responde o mais depressa que puderes. À medida que me fores conhecendo, aprenderás a “ler” e a responder aos meus vários apelos, passando por diversas provas e mal-entendidos. Por vezes, nada parece resultar, mas não fico zangado contigo.
Poderei precisar de chorar um pouco para aliviar a pressão. Se o meu choro começar a perturbar-te seriamente – e isso poderá acontecer – podes colocar-me num lugar seguro durante alguns minutos ou pedir a outra pessoa que tente ajudar. Não te esqueças, estamos ambos a adaptar-nos a grandes mudanças na nossa vida.
O que o bebé está a aprender:
Ao responder rapidamente aos apelos do recém-nascido, estará a mostrar-lhe que cuidará sempre dele, e este aprende que consegue comunicar eficazmente. Não se preocupe, não estará a mimá-lo demasiado. Na realidade, vários estudos demonstraram que os bebés que recebem uma resposta rápida e sensível quando choram têm tendência para chorar menos de um modo geral porque aprenderam que recebem sempre o cuidado necessário.
Quando reconforta o bebé, está a ensinar-lhe formas de se acalmar a si próprio. Por exemplo, se os abraços o ajudam a acalmar, mais tarde poderá abraçar-se ao seu objecto de conforto (talvez um urso de peluche) para conseguir adormecer sozinho. Com o passar dos anos, a sua atenção imediata ajudá-lo-á a sentir que consegue confortar-se a si próprio e controlar-se, mesmo em situações de maior tensão.
O que pode fazer:

- Quando o seu bebé lhe “diz” que está perturbado, experimente vários métodos. Verifique se tem fome ou se precisa de arrotar. Veja a fralda. Segure-o em várias posições. Cante ou fale calmamente com ele. Aconchegue-o numa manta de bebé. Leve-o a passear no carrinho ou de carro.
- Aprenda de que forma o bebé gosta de ser reconfortado. Por exemplo, alguns bebés poderão achar opressivo o facto de falar e olhar para ele ao mesmo tempo. Poderá ter de fazer uma coisa de cada vez: olhe para o bebé sem falar, cante para ele sem estabelecer contacto visual. Saiba como compreender os sinais do seu bebé na próxima página

Compreender os sinais do bebé
Em seguida, apresentamos um quadro com uma descrição do que as crianças aprendem nas diversas fases e do que pode fazer para ajudá-las a desenvolver essas novas capacidades. À medida que for avançando no quadro, deve lembrar-se de que cada bebé é único e que segue um padrão de crescimento e desenvolvimento próprio, ao seu ritmo.
O estabelecimento de uma relação forte e próxima com a mãe constitui a base da sua aprendizagem e do seu crescimento e desenvolvimento saudáveis. Qualquer preocupação relativa ao comportamento ou desenvolvimento do bebé merece atenção. Exponha sempre quaisquer dúvidas ao seu pediatra ou a outro profissional de confiança.
O que bebé necessita acima de tudo
Sabemos que quer dar o seu melhor de modo a ajudar o seu bebé a ter um desenvolvimento saudável. Sabemos ainda que muitos pais estão sobrecarregados com dias muito preenchidos, fazendo com que a ideia de acrescentar actividades extra para estimular o desenvolvimento do seu filho possa simplesmente parecer irrealista.
É este o poder da magia dos momentos diários. Aquilo de que o bebé mais necessita para ser feliz é de si. Nada pode substituir o que a criança aprende enquanto explora o mundo e partilha as suas descobertas durante os momentos do dia-a-dia consigo.
Esperamos que este texto lhe tenha demonstrado que a magia de ser pais não reside em nenhum brinquedo que compra nem no mais recente produto criado para tornar o seu bebé mais esperto. A magia existe na interacção diária com os pais que ajuda a criança a desenvolver capacidades fundamentais – como a confiança, a curiosidade, a colaboração e a comunicação – necessárias para conseguir aprender e ser bem-sucedido ao longo da vida. Veja na próxima página um guia prático para lidar com bebés dos zero aos dois meses

O QUE DEVE ESPERAR ENTRE O NASCIMENTO E OS DOIS MESES
Preciso de apoio
A cabeça de um recém-nascido é grande em proporção ao resto do corpo. De facto, até os músculos do pescoço se desenvolverem nas primeiras seis semanas, o bebé não poderia de forma alguma sustentar a cabeça sozinho.
Tanto para ouvir
Os estudos demonstraram que os recém-nascidos são óptimos ouvintes. Por volta do 1º mês, conseguem associar os sons aos seus emissores e o seu som favorito acima de qualquer outro é o som da voz humana.
Tanto para ver
Durante os primeiros 2 meses, o bebé consegue concentrar-se melhor nos objectos que se encontram entre 20 e 30 centímetros dos seus olhos – a distância a que se situa o seu rosto quando está a amamentar.
Agarrar tudo
Os recém-nascidos conseguem exercer bastante força com os punhos, mas não conseguem segurar objectos intencionalmente. Agarram-se às coisas que se coloca nas palmas das suas mãos devido a um reflexo que já possuíam à nascença.
O QUE PODE FAZER
- Certifique-se de que apoia o pescoço e a cabeça sempre que o levantar ou pousar e verifique que o assento do carro e do carrinho de passeio estão colocados num ângulo que impeça a sua cabeça de cair para a frente.
- Ajude o bebé a reforçar os músculos do pescoço praticando jogos que envolvam o movimento dos olhos (e, mais tarde, da cabeça) de um lado para o outro (seguindo o movimento de um objecto) enquanto está sentado com apoio ou deitado de costas. Quando se concentra num brinquedo, desloque-o para trás e para a frente e por cima dele.
- Insista em falar com o bebé acerca de tudo. “Agora, vou tirar essa fraldinha suja”. “O papá está cheio de fome. O que vou comer?”. No entanto, não se esqueça que se o bebé virar a cabeça para o lado quando está a falar, poderá querer dizer “Silêncio, por favor.”
- Esteja atenta aos tipos de sons preferidos do bebé. Alguns recém-nascidos adoram música com fortes batimentos, enquanto outros preferem músicas mais calmas. Não tenha vergonha de cantar. Não interessa se a sua voz está afinada ou não, o bebé irá gostar dela de qualquer forma.
- Segure os brinquedos do bebé dentro do campo de visão ideal e tente encontrar brinquedos com cores contrastantes (preto e branco) e cores vivas.
- Pratiques muitos jogos de acompanhamento de objectos que envolvam deslocar lentamente um objecto de um lado para o outro enquanto fala com o bebé. Se este estiver acordado e atento, segui-lo-á com os olhos.
- Respeite os sinais enviados pelo bebé. Este dir-lhe-á quando necessita de fazer uma pausa virando a cabeça para o lado ou começando a chorar.
- Tente encontrar brinquedos que emitam sons agradáveis quando se mexem. O som irá despertar a atenção do bebé para o brinquedo e para as suas mãos.
- A segurança é uma prioridade absoluta! Certifique-se de que todos os objectos são demasiado grandes para caberem na boca do bebé. Veja na próxima página um guia prático para lidar com bebés dos dois aos quatro meses

O QUE DEVE ESPERAR DE UM BEBÉ ENTRE OS DOIS MESES E OS QUATRO MESES
Aprendo com as minhas mãos
Por volta dos 3 meses, quando os bebés percebem que as suas mãos fazem parte do seu corpo e que as conseguem controlar, têm o maior prazer em usá-las.
Dentro do meu alcance
Embora os recém-nascidos consigam agarrar os objectos que se coloca nas suas mãos, não começam realmente a tentar alcançar coisas antes de aproximadamente 3 meses, altura em que o fazem com ambas as mãos juntas.
Sempre a palrar
Entre os 3 e os 4 meses, os bebés começam a palrar com entusiasmo, e não o fariam para mais nenhuma outra pessoa que não para si. Irão evoluir das vogais abertas (ó e á) para novos sons e combinações, com os sons P, M, B e D.
O meu sorriso diz tudo
Os primeiros sorrisos do seu bebé (aqueles que reproduz no seu sono) são reacções de reflexo do seu jovem sistema nervoso. No entanto, por volta dos 2 meses, ele tem um sorriso muito especial só para si que reflecte de forma genuína o seu amor por si.
O QUE PODE FAZER
- Dê ao seu bebé a oportunidade de segurar, agarrar, puxar e abanar objectos seguros.
- Assim que o bebé desenvolver o controlo das mãos, será de esperar que leve tudo o que tiver nas mesmas até à boca. Certifique-se de que os objectos que segura estão limpos e de que são demasiado grandes para caberem inteiramente na boca do bebé.
- Deite o bebé sobre as costas e segure um brinquedo de cores vivas sobre o seu peito, ao alcance dos seus braços. Ele adorará tentar agarrá-lo com ambas as mãos e levá-lo até à cara para examiná-lo de mais perto.
- Fale com o bebé enquanto este tenta alcançar os objectos. Incentive-o, mesmo nesta idade, pois adorará saber que os seus esforços são apreciados. - Quando o bebé palra para si, não palre de volta. Fale com ele como se pudesse entender cada uma das suas palavras. Muito antes de pronunciar a sua primeira palavra a sério, já entenderá centenas delas graças a essas conversas precoces.
- Tome especial atenção ao ritmo do palrar do seu bebé. Se palrar e em seguida parar, significa que está à espera da sua resposta. Quando disser algo e depois parar, o bebé dará seguimento. É desta forma que os bebés aprendem a arte de conversar.
- Obviamente, não será necessário dizer-lhe que deve sorrir para o bebé sempre que este sorrir para si! O que podemos dizer é que a troca de sorrisos é a forma de brincar mais precoce e que prepara o terreno para uma vida cheia de relações de afecto.
- Quando lhe apetecer brincar, faça-lhe a vontade. Sopre levemente sobre a sua barriguinha, brinque ao “Cucu!”, emita sons divertidos e espere ver um sorriso desdentado. Se o bebé não estiver com disposição para sorrisos, poderá significar que está na hora do miminho ou de fazer uma sesta.

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