Não importa quantos cursos de preparação para o parto façamos. Nem quantas agravidezes de amigas já tenhamos acompanhado de perto. Não importa se temos vinte sobrinhos ou se toda a vida lidámos com crianças. A verdade é que nenhuma mulher está preparada para ser mãe, no exato momento em que isso acontece.

Vamos ao desconhecido. Não sabemos como é aquele bebé que acabou de nascer, não sabemos se vai ser saudável, se vai dar boas noites, se vai sempre comer bem, se não vai ter uma bronquiolite semana sim, semana não. Não conhecemos o nosso filho e não nos conhecemos enquanto mães. Uma coisa é a teoria; outra, bem diferente, é a prática. Já vi mulheres que achava incapazes de vacilar perante uma situação de stress com um bebé completamente à toa perante uma simples sessão de espirros. E o inverso também acontece, obviamente. Nada é um dado adquirido e podemos ser mesmo apanhadas de surpresa.

É importante saber pedir ajuda, não nos fecharmos no casulo e não acharmos que conseguimos fazer tudo e que chegamos a todo o lado. Não somos super-mulheres e não temos que ser. É normal estarmos cansadas, facilmente irritáveis e muito vulneráveis. São muitas hormonas a funcionar, são as incertezas, é o desconhecido. Não nascemos ensinadas e não há, durante o parto, nenhuma espécie de download de software novo para dentro de nós que nos permita, dali em diante, resolver tudo sem vacilar.

Claro que ninguém melhor do que nós sabe como lidar com o nosso bebé. Somos, e seremos sempre, independentemente de quanta ajuda tenhamos, as mães dos nossos filhos; o nosso lugar não é posto em causa nem está ameaçado. Mas, por vezes, precisamos de apoio, de alguém que nos ouça, que nos ajude nas coisas básicas, que nos diga que toma conta do bebé durante uma ou duas horas para que possamos dormir. Isso não faz de nós menos mães nem menos mulheres. E este estender de mão, este pedido de ajuda pode fazer toda a diferença na nossa saúde.

Não tenham medo nem vergonha. Peçam ajuda, se sentirem que precisam de ajuda. A linha que separa uma mãe cansada de uma mãe doente pode ser muito ténue e não vale a pena arriscar. Cuidem de vocês, que merecem todo o cuidado do mundo. E não se esqueçam de que, lá porque agora há uma pessoa nova no mundo, vocês não deixaram de existir.

 

Lénia Rufino

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