Dias depois de anunciar que vai fazer uma pausa na carreira, Tony Carreira esteve à conversa com Daniel Oliveira, no programa ‘Alta Definição’, da SIC.

A entrevista começou precisamente com esta decisão, sendo que o último concerto do artista antes desta pausa será no dia 17 de novembro, no Altice Arena, em Lisboa.

Eu espero que não seja uma coisa que dê mais polémicas, mais coisas que escrevam que não correspondam à verdade. É uma pausa que é completamente legítima e eu queria que fosse eu a falar. Não que fosse uma pausa que viesse aos ouvidos do público escrito. Queria ser eu a dizê-lo”, começou por dizer Tony Carreira, referindo que foi uma decisão que tomou há “seis, oito meses”.

Há momentos em que temos que parar para refletir, para continuar a ter paixão naquilo que fazemos, e para isso precisamos de tempo”, explicou.

Antes de anunciar ao público que ia estar longe dos palcos durante algum tempo, o cantor contou primeiro aos filhos, que o apoiaram desde logo: “Acharam que eu tinha razão, que estava no momento de o fazer”.

Entre todos os discos gravados em português e francês, as muitas digressões, promoções, todos os quilómetros na estrada e as atuações em muitos países, agora está “focado em festejar os seus 30 anos de canções com o público, que é o melhor do mundo”.

Têm-me acarinhado de uma forma incondicional, com um carinho que não há palavras para agradecer. Acho que está num momento em que preciso de um tempo para o futuro. Para voltar ao estúdio, voltar a compor, voltar a fazer coisas, porque não quero andar por andar. Necessito dessa pausa para tentar fazer ainda melhor”, acrescentou.

Tony Carreira assegura que não é sua vontade parar para sempre. “Definitiva não será, pelo menos não é a minha vontade. Simplesmente preciso de tempo para fazer o meu trabalho, como sempre fiz”.

Acusações de plágio

Esta pausa chega pouco tempo depois de o artista português ser acusado de plágio e enfrentar um processo em tribunal. No entanto, o cantor garante que, apesar das “injustiças”, este foi o “processo que menos o desgastou”.

“Isto não é um processo, pode vir a sê-lo, mas não é. Acho que ainda ninguém percebeu o que está a acontecer. Tudo aquilo que estou a viver neste momento é uma cena que já vivi em 2008, há dez anos, onde efetivamente estávamos a falar do que se fala hoje, mas de uma forma justa que é a história das canções onde podemos considerar plágios, claro que sim, porque estão muito próximas das canções originais. Eu não o neguei na altura e fiz aquilo que me compete que era reparar o erro. Paguei a quem tinha de pagar, inclusive, há autores de quem sou amigo”, frisou.

Ainda sobre este processo, Tony Carreira voltou a dizer que apenas se tratou de uma “vingança”. “Há um senhor que tem comigo um problema em tribunal onde perdeu três vezes e, no meio dos músicos, sabe-se que ele jurou um dia vingar-se. E está a vingar-se de uma forma que é completamente incorreta”, partilhou, assegurando que “nunca assinou” as canções que não são suas.

Nunca disse que eram minhas porque não são, está lá na capa dos discos. Esses acordos com os autores foram feitos e ele coloca que antes do acordo é que há crime. É isso que ele invoca no Ministério Público. Isso simplesmente é uma maneira de denegrir a imagem de alguém, de vingar de uma coisa que ele perdeu. O nome da Companhia Nacional de Música é um nome muito pomposo, mas não é nada de nacional. É simplesmente uma editora que pertence a alguém e é esse alguém que está a fazer tudo isto. Mas não é um processo que me tenha desgastado porque estou completamente de consciência tranquila porque há dez anos resolvi tudo. Esse senhor não tem direitos de nada em nenhuma dessas canções, nem naquelas que eu já fiz o acordo com os autores, nem nas novas que ele cita naquela lista que eu nunca assinei”, continuou.

Em 2008 sabia que “tinha um problema para resolver”, mas desta vez está de consciência tranquila. “Aliás, eu se quisesse este problema já estava resolvido há muito tempo. Pagava 30 mil euros e esse problema estava resolvido. O homem ia embora com o dinheiro e já não se fala disso. Ficava mais barato do que aquilo que eu gasto em advogados. Agora o que [se segue] é ajudar uma instituição para que acabe isto por aqui. Tudo bem, isso faço com muito prazer. Agora dar um euro a uma pessoa que me quer roubar esse euro está fora de questão. Então aí deixo de ter vergonha na cara. Gosto de andar na rua com a consciência daquilo que sou. Uma pessoa honesta, com palavra...”, afirmou.

Apesar de todo o mediatismo à volta da situação, Tony Carreira não teme que isto coloque em causa a sua carreira de 30 anos. “Acho que muito dificilmente, quase impossível, um artista enganar o público mais do que dois, três anos. E se isso pudesse manchar, então aí, definitivamente, em vez de uma pausa é desaparecer porque então nada faria sentido”.

Gerir as emoções do que dizem sobre si, principalmente nas redes sociais, onde dispararam as reações sobre o assunto, é a “parte mais fácil”.

“Há pessoas que não têm vida, o tempo para essas pessoas limita-se a falar mal sempre de tudo. Tenho a sorte de não ir muitos às redes sociais, portanto, até me protejo bastante bem disso”, confessou, salientando que o que mais o desiludiu foram “alguns colegas que infelizmente as carreiras já não estão no seu melhor”. “Mas eu não tenho culpa disso e não sei porque é que de repente dizem coisas tão feias, mesmo tendo a noção que por vezes eu incomodo, o sucesso incomoda. Eu trabalho para isso e se acontece o culpado é o público e não tenho culpa quando os outros não têm a carreira que provavelmente até merecem ou não”.

E este processo não fez com que perdesse a amizade de alguém, até porque nesta profissão também “não tem muitos” amigos. “O sucesso incomoda”, voltou a frisar.

Ainda assim, não é pessoa de guardar rancor. “Há pouco tempo alguém me disse uma coisa muito sábia que é: A cada dia que passa o tempo é cada vez menos, mas na minha idade já começa a ser alarmante. Acho que o tempo que eu quero gastar daqui para a frente tenho que o gastar bem gasto porque já não é muito. E para o gastar bem gasto tenho que concentrar a minha cabeça naquilo que realmente é importante. Já não quero desperdiçar tempo”.

30 anos de carreira

Estes 30 anos de carreira foram muito acima do que que esperava. Aliás, nunca pensou chegar tão longe e fazer tanta coisa. “Fiz três filhos maravilhosos, gravei 20 discos, vendi 5/6 milhões de discos, dei dois mil concertos, cantei em países que nunca pensei. Alguma vez me passaria pela cabeça cantar 17 vezes no Altice Arena...”.

Uma carreira que foi construída graças ao seu público e não há nada que faça sem pensar nele. “Para lá do respeito, tenho uma gratidão para com as pessoas que fizeram de mim aquilo que sou”.

Neste processo não faltou o apoio dos fãs. “As pessoas já perceberam que isto é uma vingança. O meu público neste momento é realmente fantástico”.

Tony Carreira não conta ficar para a história. “Para a história não fica nada. Não me parece que daqui a 100 anos se fale nisso. Se é para ficar para a história será a Amália”. No entanto, gostava de ser recordado com uma canção “com a qual teve problemas”. “O ‘Cantor de Sonhos’ e o ‘Sonhos de Menino’. E que me recordassem como uma pessoa do povo, um tipo porreiro. Já era bom”.

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