Estudou arquitetura na Universidade
Lusíada, fez um curso de corte
e costura, fez um workshop de handbags
na central Saint Martins School em Londres,
desenhou para a Amarras, criou malas
para a marca espanhola Perteguaz e acessórios
para Dino Alves e Osvaldo Martins.


Se já se sente sem fôlego, Ricardo Preto
não. A sua obra continua por aí fora...

Apresentou
duas coleções nas manobras de maio e integrou
a plataforma LAB da Moda Lisboa,
em maio de 2006. Desenvolveu trabalhos
de customização para marcas como a Levi's,
Energie, Nike ou Miss Sixty e, como se
não bastasse, fez (e faz!) produção de moda,
como stylist, para revistas como a DIF,
ZOOt ou Umbigo.
Ricardo Preto é assim, uma força da natureza que
acredita que a maior barreira para a pasmaceira
é o próprio ato de não fazer. Eleva
aos pontos o nosso Portugal e afirma que a
mentalidade é o único entrave ao sucesso.


A verdade é que os seus pensamentos o
levaram longe. Depois do êxito alcançado
em nome próprio, viu nascer em 2012
Meam by Ricardo Preto, após o convite
para exercer as funções de diretor criativo
da empresa Meam. O sucesso da marca faz-se além-fronteiras
e conta com 22 pontos de venda em França
e 18 na Holanda, estando também à venda
em Portugal, em lojas multimarca, como
a Loja das Meias, Comcor ou BCT Design
Store no Príncipe Real, em Lisboa. Uma lição
para quem o conhece e para quem vai
passar a conhecê-lo.

Estudou arquitetura. Acha que a construção é uma base essencial para fazer roupas bonitas?

Não só roupas bonitas, mas para tudo
nesta vida... É necessário saber-se como se
constrói, mas antes disso há as ideias que
são difíceis de capturar. Para agarrar ideias
é necessário estar em sintonia, para
perceber e receber uma ideia que aparece.

O que o inspira?

Tudo, mas tudo
mesmo, pode ser inspirador, até uma má
experiência ou má ideia pode levar-nos
à inovação e consequente evolução. Mas,
se tenho de escolher, diria que o
movimento, a troca, a partilha e a surpresa...
Quando me sinto surpreendido por
qualquer coisa sei que está ali algo que me
estimula. E isso pode ser tudo. Por exemplo,
uma frase numa canção, num filme,
no metro, num livro, no discurso
de um amigo... Qualquer coisa pode ser
transformada noutra, de preferência
que seja algo de belo.

E um designer que o inspire?

Há um mestre que respeito
e adorarei para sempre e esse é o que
me inspira, que é Yves Saint Laurent.
Agora designers, embora não me sinta
influenciado, posso dizer que adoro
o Hussein pela ousadia inteligência
e independência. Também gosto de
Phoebe, Dries, Lagerfeld...

Na conceção das suas peças, o que considera mais importante? O corte? Os materiais? A cor?

Tudo é igualmente importante. Tudo
precisa de ser cuidado, pensado, nutrido
e adorado por mim porque é assim quando
se gosta do que se faz.

Como vê a moda em Portugal? Acha que nos falta sempre «um bocadinho assim», como refere o conhecido anúncio publicitário?

Ou «um bocadinho assado» para citar
esse grande artista que foi João Cesar
Monteiro. A moda em Portugal não
é diferente de qualquer outro lado.
Em qualquer lugar, é difícil conquistar-se
o seu espaço e relativamente à qualidade
das obras essas fronteiras já não existem,
infelizmente as cabeças das pessoas ainda
têm fronteiras.

Veja na página seguinte: O que falta à mulher portuguesa na arte de vestir

O que falta à mulher portuguesa na arte de vestir? Coragem?

A mulher portuguesa está bem
e recomenda-se. Não lhe falta nada.
Também há muita mulher mal vestida
em Nova Iorque.

Já viu a coragem que é
preciso para andar mal vestida na cidade
da Sarah Jessica Parker?

A moda é um destino difícil em Portugal?

Essa história de Portugal difícil tem
de acabar. Essa é a mentalidade que
reprovo totalmente e obstinadamente.


Eu trabalho imenso e essa é a barreira
mental que nos impede de tudo. Vou
dar-lhe um exemplo magnífico.
Falo-lhe do
nome Inditex. Espanha não tem qualquer
tradição no universo da moda, no entanto
são os maiores, os melhores a interpretar
a moda do mundo para todas as pessoas.

A marca Meam by Ricardo Preto já conta com umas dezenas de pontos de venda lá fora. É um orgulho?

Claro que é um orgulho e fruto de
muito trabalho, não ter medo de arriscar
e, mais uma vez, de não haver fronteiras
quando penso.

Como define a moda de Ricardo Preto?

Peças para mulheres que gostam de
usar uma roupa mais do que uma vez... Ou seja, conforto, qualidade, estilo e
intemporalidade é o que pretendo atingir.

E como é a mulher Ricardo Preto?

É como ela quer ser...

Pode dar-nos um cheirinho daquilo que apresentou na próxima edição da Moda Lisboa e que muita gente ainda não teve oportunidade de ver?

O futuro sempre, um passo à frente
de tudo o que tenho feito.

Que conselhos daria às leitoras da Saber Viver para vestir com estilo?

A moda muda, mas o estilo permanece,
uma frase de uma senhora que se inspirou
em marinheiros e pescadores e, hoje,
é conhecida por Chanel. O estilo é uma
construção, um culto de quem observa
e tem prazer em experimentar o belo
ou, por outras palavras, saber viver!

Texto: Pureza Fleming

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