O primeiro de vários hospitais de campanha criados no Reino Unido para fazer face à pandemia da covid-19 foi hoje inaugurado em Londres remotamente pelo príncipe Carlos, que se encontra na Escócia, onde se isolou após contrair a doença.

O herdeiro da coroa britânica, atualmente instalado na propriedade real de Balmoral, qualificou a "obra espetacular e quase inacreditável" pela rapidez com que foi realizada e um "exemplo de como impossível pode ser tornado possível.

"Este hospital representa uma mensagem prática de esperança para aqueles que mais precisam neste momento de sofrimento. Esperemos que seja um período mais curto e com o menor número de pessoas possível", afirmou por videoconferência, antes de pedir à chefe de enfermagem, Natalie Gray, para descerrar a placa de inauguração.

O HMS Nightingale no centro de exposições e conferências ExCel vai começar a trabalhar inicialmente com 500 camas equipadas com oxigénio e ventiladores, mas está preparado para chegar a uma capacidade máxima de 4.000 camas.

O pavilhão de 87.328 metros quadrados no leste da capital, que normalmente recebe feiras internacionais, foi transformado no maior hospital do Reino Unido em nove dias graças à intervenção de cerca de 200 militares, sub-empreiteiros privados, profissionais do serviço nacional de saúde (NHS) e voluntários.

Quando estiver em pleno funcionamento, vai precisar de 16.000 funcionários, desde médicos e enfermeiros a outro tipo de pessoal, o que levou o NHS a apelar até a tripulantes de companhias aéreas com formação em primeiros socorros para ajudarem como voluntários.

Regressado também de isolamento após ter contraído a doença na semana passada, o ministro da Saúde, Matt Hancock, esteve fisicamente no local e salientou que o novo hospital tem capacidade equivalente a 10 hospitais distritais.

O projeto, disse, "mostra o melhor do Reino Unido a trabalhar em conjunto nestas circunstâncias difíceis, ao conseguir por de pé umas instalações em tão pouco tempo para que possamos dar assistência e os melhores cuidados possíveis às pessoas".

O avanço previsto da pandemia da covid-19 no Reino Unido levou as autoridades sanitárias a aumentarem a capacidade para receber mais pacientes.

A direção geral de saúde de Inglaterra NHS England disse ter libertado 33.000 camas em vários hospitais graças ao adiamento de operações e de outro tipo de tratamentos, e garantiu mais 8.000 camas junto do setor privado, bem como profissionais e equipamentos.

O Governo britânico está a atualmente a construir outros hospitais semelhantes para tratar pacientes com covid-19 em centros de exposições noutras cidades, em Birmingham, Manchester, Glasgow e Harrogate e numa universidade em Bristol, estando mais um em Glasgow a ser avaliado.

O aumento exponencial da taxa de mortalidade levou também as autoridades a criar morgues temporárias, incluindo uma em Manor Park, perto do HMS Nightingale inaugurado hoje, e outra no aeroporto de West Midlands, no centro de Inglaterra.

O número total de mortes relacionadas com a covid-19 no Reino Unido aumentou na quinta-feira para 2.921, mais 569 do que na véspera, enquanto o número de casos positivos subiu para 33.718, informou o Ministério da Saúde britânico.

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