Certificado pela Yoga Alliance dos Estados Unidos da América, aposta numa abordagem mais informal a esta filosofia. Depois de trocar o marketing pelo ioga, Jean-Pierre de Oliveira criou o projeto Yoga Spirit e é uma das referências desta filosofia de libertação do mundo material em Portugal. Além de modernizar a visão da modalidade, tem dinamizado o hot yoga e criado novos conceitos de abordagem a esta prática milenar, como é o caso do yoga pure, do yoga tónico e do yorganic.

É autor de «Slow living yoga», publicado pela editora Arena, uma obra que será lançada durante o evento Wanderlust 108, o primeiro triatlo mindful do mundo, que se realiza no próximo dia 8 de outubro de 2017 no Campus da Fundação EDP/MAAT, em Belém, em Lisboa, do qual é um dos embaixadores. Em entrevista ao Modern Life/SAPO Lifestyle, explica o que o motiva e fala do percurso que escolheu.

Como é que o ioga entrou na sua vida?

Sempre fui uma pessoa muito ativa. Tenho experiência em marketing. Trabalhei em multinacionais durante muitos anos e rapidamente me dei conta de que, para poder aguentar a pressão e aquele ritmo de vida que existe nestas empresas, para conseguir responder às solicitações muito exigentes, além de ser um bom profissional, tinha de conseguir um bom equilíbrio mental.

A patir daí, aproximei-me da filosofia do ioga e comecei a incorporá-la no meu dia a dia. Fiz algumas formações, continuando sempre a trabalhar em marketing, mas chegou uma altura em que comecei a perceber que, para mim, fazia muito mais sentido fazer uma vida mais ligada à filosofia do ioga do que à filosofia das empresas multinacionais.

Também me dei conta que as pessoas que têm com uma vida social muito ativa precisam de motivação e de inspiração, isto para explicar como é que o ioga me tem ajudado a superar os desafios do quotidiano. A partir daí, comecei a construir uma imagem própria, uma visão muito prática com uma linguagem muito abordável, explicando conceitos.

Isto tem feito com que as pessoas tenham mostrado curiosidade e me sigam cada vez mais. Criou-se aqui um grupo de pessoas com vontade de aprender e de poder evoluir também. Aqui é onde encontro o meu lugar, um pouco como uma motivação e uma inspiração, explicando que é perfeitamente viável termos hoje em dia uma vida equilibrada.

Ainda assim, há pessoas que não fazem ioga e que olham para a modalidade com desconfiança. Como lida com isso?

No passado, o ioga era um mundo muito mais fechado, mais exclusivista e muito mais ligado às ciências esotéricas. Isso afastava muita gente e os primeiros praticantes de ioga eram vistos como pessoas um bocadinho à margem da sociedade. A visão do ioga tem evoluído imenso devido a pessoas como a Filipa [Veiga, professora de ioga, bloguer e autora do livro «Yoga-me – A arte de abrir o coração», publicado pela editora Nascente] e como eu.

Temos feito um trabalho de divulgação do que é realmente a filosofia do ioga. Não somos nós que nos temos de adaptar à filosofia do ioga. A filosofia do ioga é perfeitamente adaptável à vida de cada um no nosso quotidiano, no dia a dia de qualquer pessoa. E é nisto que, hoje em dia, a situação está diferente. As pessoas começam a perceber que não precisam de se aliar a grupos específicos para poder usufruir dos benefícios do ioga.

Podem trazer um bocadinho do ioga para as suas vidas. Podem introduzir os seus princípios na sua forma de lidar com as outras pessoas, na sua forma de se alimentar e até na forma de se relacionar com as pessoas mais próximas. Houve uma evolução do ioga que se democratizou. Eu não escondia que praticava ioga mas, para mim, eram dois mundos diferentes.

Veja na página seguinte: Sente-se uma pessoa melhor desde que faz ioga?

Eram dois mundos completamente à parte?

Sim, havia o do ioga e o da vida real, o da vida social e da vida que todos nós levamos. E, hoje em dia, chega-se a um ponto em que conseguimos perceber que essas duas visões são completamente maleáveis e misturáveis. Conseguem unir-se e só assim é que faz sentido. Não faz sentido eu explorar uma filosofia de bem-estar se viver numa redoma, numa gruta ou num sítio completamente excluído da vida social.

Faz sentido conhecer e usufruir destes conhecimentos para os poder adaptar à minha vida. E as coisas têm evoluído até na parte profissional. Temos cada vez mais alunos que querem ser professores de ioga. Sou cada vez mais abordado por pessoas, muitas vezes alunos meus, que querem aprofundar esta filosofia e que me pedem formação para aprenderem sobre ioga.

É um aspeto curioso...

É curioso e indicador da consciência que as pessoas começam a ter que podem fazer alguma coisa relativamente à própria vida. Não querem serem só passivas e receber só influências da vida social que nos oprimem um pouco…

Sente-se mesmo uma pessoa melhor desde que abraçou o ioga?

Sinto que uma pessoa nunca para de aprender e nunca acaba de crescer. Vamos melhorando algumas coisas mas a mudança é evolutiva. Não é mudar tudo e decidir hoje que já não vou comer carne nem beber leite e que vou ter uma vida mais saudável em termos de alimentação. É uma coisa que tem que vir de forma progressiva.

É uma mudança que não pode ser radical. Não podemos passar do preto para o branco. Tem de haver, pelo meio, uma evolução para aceitarmos quem nós somos e para utilizarmos as nossas características próprias de forma muito mais positiva.

É um dos embaixadores do Wanderlust 108. Por que é que as pessoas devem ir a este evento?

Para quem já conhecer o ioga, é ótimo, porque vamos reunir-nos com vários professores e vários estilos de ioga. Vamos partilhar, vamos passar um ótimo dia num ambiente diferente. As pessoas que praticam ioga têm uma visão muito mais livre, com uma maior capacidade de aceitação em relação ao mundo externo e à sociedade.

Se nos juntarmos e mostrarmos que este é um movimento que está a ganhar força, que há uma vontade de mudança e crescimento nas pessoas, então vai ser um ótimo sítio para nos reunirmos e para podermos falar, trocar e partilhar ideias. Para quem não conhecer o ioga, é participar e desmistificar um bocadinho a ideia daquela da seita esotérica.

É uma oportunidade de mudar esse paradigma e de adotar um estilo de vida mais saudável no sentido de tomarmos consciência de que muitas das coisas que fazemos não nos são benéficas. Há coisas que podemos fazer para vivermos melhor e, ao corrigir uma forma de pensar que não nos valoriza, que não nos ajuda, podemos desenvolver um tipo de pensamento mais positivo, que nos enaltece e que nos permite crescer.

Veja na página seguinte: Está a preparar alguma coisa especial que possa anunciar já?

Vai ficando mais entusiasmado à medida que o evento se aproxima?

Sim, o entusiasmo é muito grande. Há muita motivação e vontade de criar para que haja mais. Tem haviado uma ótima recetividade por parte dos meus alunos ou, pelo menos, das pessoas que conheço ligadas ao ioga. Há alunos e professores com uma grande vontade de participar e têm surgido cada vez mais perguntas sobre o que é e sobre o que vai ser realmente.

Está a preparar alguma coisa especial que possa anunciar já?

Vai ser lá lançado o meu primeiro livro, «Slow living yoga», que tem mais a ver com como é que nós podemos integrar a filosofia do ioga no nosso quotidiano. Muitas vezes, não associamos a filosofia do ioga a um estilo de vida, associamos o ioga a uma sequência de posturas, a um trabalho essencialmente físico, onde as pessoas são, em muitos casos, vistas como demasiado esotéricas.

Não é nada disso! O ioga é uma filosofia que nos permite viver mais em harmonia com o todo. Com a sociedade, com as pessoas que nos rodeiam e, essencialmente, com nós próprios. O meu livro, que tem subjacente a filosofia que primeiro mudamos nós e só depois mudamos o mundo, vai abordar muito este tema. Vamos aproveitar o Wanderlust para o lançar.

O facto de ser esperada muita gente neste evento acaba por ser um desafio acrescido ou, de alguma maneira, deixa-o mais ansioso ou reticente por ter de enfrentar uma plateia tão grande?

Não estou nada reticente. Estou muito habituado a plateias grandes. Participei no [evento] Open Mag da [revista] Saber Viver, onde também houve uma grande adesão. Além disso, todos os meses dou uma aula aberta em Lisboa, a chamada aula de ioga comunitária que funciona por donativo livre e onde já apareceram mais de 100 pessoas.

Até gosto muito mais dessas práticas. Fico a vibrar muito mais. Tenho muito mais energia. A energia das pessoas é sempre fantástica e há uma motivação que se vai criando pelo facto de ver os outros a aderir ao repto da organização e a também querer praticar ioga.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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