David Carreira ficará afastado dos palcos, mas não da música. Foi isto que garantiu durante uma entrevista que deu ao Fama ao Minuto. De sorriso fácil e com uma descontração contagiante, o artista, de 32 anos, falou sobre esta nova fase da sua vida. Atualmente, está a preparar-se para uma digressão, a última antes de fazer uma pausa dos concertos.

'A Última Dança', nome da tour, começará com um concerto na Altice Arena, marcado para o dia 11 de maio.

Até lá, o artista prometeu o lançamento de um novo álbum, que contém duas músicas muito pessoais: uma dedicada ao filho, Lucas (fruto do seu relacionamento com a atriz Carolina Carvalho) e outra à irmã, Sara Carreira, que morreu na sequência de um trágico acidente de viação em 2020.

Já começaram os preparativos para o concerto na Altice Arena?

Neste momento é mais sobre a gestão de convidados e alinhamentos e o que estou a pensar em tocar. Ultimamente, com o lançamento das músicas novas, não tenho tido dois segundos livres, o que é bom.

E não sente falta de ter esses dois segundos livres?

Quando queres ser independente em coisas boas - e o facto de agora ter a minha própria editora - faz com que acabe por gerir mais coisas, mas faz parte da vida. Estou tão empolgado em como as coisas têm corrido... Quem corre por gosto não cansa e é isso que eu tenho sentido ultimamente.

Não é uma pausa na carreira, antes pelo contrário, quero continuar a lançar música e até lançar mais

Quanto tempo vai demorar a pausa?

Sinceramente não tenho noção de quanto vai demorar. Porquê? Porque nunca fiz uma pausa de digressões. Não é uma pausa na carreira, antes pelo contrário, quero continuar a lançar música e até lançar mais. Vai ser completamente novo. Estou há 12 anos a fazer uma tour todos os anos. Não quer dizer que sejam 12 digressões, mas na prática, todos os anos estou em digressão. Não sei como é que vai ser esta vida fora da estrada, das digressões, dos concertos. Não sei se [a pausa] irá demorar um, dois, três anos...

Como chegou a esta decisão?

É algo que pensei fazer antes de 2020, até para quebrar a rotina e ter mais tempo para estar em estúdio. É isto que a maior parte dos artistas estrangeiros faz, não estão constantemente em digressão. Há um lançamento de um projeto/de um álbum novo e vão para digressão para mostrar esse projeto/músicas novas. Em Portugal é que acaba por não ser tanto assim, a maior parte dos artistas está continuamente em digressão.

Apeteceu-me quebrar um bocado essa rotina e experimentar fazer as coisas de maneira diferente. É isso que tenho vindo a seguir nos últimos tempos... Ter a minha própria editora e ser independente, lançar duas músicas no prazo de um mês, sinto que é tudo novidade, está a ser muito bom.

O Lucas de alguma forma influenciou essa decisão?

Sim, acabou por influenciar e deu-me vontade de aproveitar mais. Ele vem comigo muitas vezes a estúdio e acompanha-me neste processo todo, na digressão é mais difícil.

Acho que o útil se juntou ao agradável. Depois desta tour e de muita música que vai sair, vou precisar de tempo para preparar outro álbum. O bom é que vou poder estar mais tempo com a família, com os amigos e com o meu filho e vê-lo crescer. Isso vai trazer-me motivação para fazer um álbum mais rapidamente e melhor.

Não sente a pressão de ser o melhor pai e ao mesmo tempo o melhor artista que consegue ser?

Não, porque a gestão até agora tem sido muito tranquila. Nunca me pressiono muito nessas coisas, porque no meio de tanta coisa para fazer não se consegue gerir tudo. Não sinto que tenha sido uma pressão acrescentada, antes pelo contrário, sinto que é algo que me motiva mais ainda. A querer fazer mais e a querer fazer melhor.

Vou ser sincero, tanto eu como a Carolina nunca pensámos nisso de 'eu quero ser este pai ou eu quero ser esta mãe'

É o pai que imaginava que ia ser? Há pessoas que idealizam bastante esse papel antes de o bebé nascer.

Vou ser sincero, tanto eu como a Carolina nunca pensámos nisso de 'eu quero ser este pai ou eu quero ser esta mãe'. No geral, sempre que alguém vai ser pai ouve os mesmos conselhos: 'dorme tudo agora', 'aproveita tudo agora', 'a vida muda'. Há vários chavões que toda a gente usa e parece que faz parte do nosso inconsciente. Nunca demos importância a essas coisas e pensámos 'vai ser o que for'. Na prática, tem corrido bem. O facto de não colocarmos uma pressão acrescentada ajuda, não sei se inconscientemente ele sente isso.

O David 'atira-se de cabeça' na relação que mantém com os fãs. Nunca houve nenhuma ocasião em que sentisse que precisava de mais espaço?

Tenho uma ligação próxima com quem me acompanha, porque também já são 12 anos. Há ali uma centena de pessoas que faz todos os concertos da tour, ou quase todos. Acho que o facto de nunca ter criado essa barreira acaba por aproximar-nos ainda mais. Já tive alguns casos [problemáticos], mas nem foram de fãs assim tão próximos, foram de pessoas mais distantes.

Quando uma música tem muito sucesso sinto que há um pico desses comentários negativos. É bom sinal quando mais 'haters' aparecem porque mostra que a música está a resultar

Os 'haters' nas redes sociais não o afetam?

Essas pessoas não são fãs... Às vezes tenho vontade de rir com certos comentários, porque alguns têm piada e são muito originais. Houve uma altura em que até respondia no Twitter. Hoje não o faço porque não dispenso muito o meu tempo para essas coisas.

Mas, quando uma música tem muito sucesso sinto que há um pico desses comentários negativos. É bom sinal quando mais 'haters' aparecem porque mostra que a música está a resultar.

Ainda sente a sombra de 'ser filho de' ou já ultrapassou isso?

Acho que já. O estilo musical é completamente diferente. Cada um tem um público diferente, se calhar há alguns que se cruzam, o que é ótimo, mas sinto que já não há tanto esse peso.

Mas acredito que tenha sentido?

A minha sorte foi que nunca pensei nisso. Ao ter começado pela representação nos 'Morangos com Açúcar' acabei por ir para um público totalmente diferente em relação ao meu pai e ao meu irmão. Esse público cresceu e hoje já não há preconceitos como havia antes, há 12 anos. A sociedade está sem preconceito, o que é ótimo. As pessoas vão pelo projeto em si, pela proposta que tens a fazer, pela música. Não há tantos entraves ou barreiras.

Mudaria alguma coisa nas decisões que tomou ao longo da sua carreira?

É óbvio que há muitas coisas que se calhar faria diferente, mas também se tivesse feito diferente ter-me-ia prejudicado de outra maneira. Acabei por fazer o que sentia, um bocado também como esta pausa. Daqui a três anos posso olhar para trás e dizer que não foi uma boa opção, mas é o que sinto agora. Sempre fui atrás daquilo que eu sentia, nunca pensei muito a nível estratégico, a minha vontade prevalecia sempre.

Nessa questão da estratégia, não tem, por exemplo, o objetivo de chegar lá fora?

Os mercados onde acaba por tocar a minha música são sem dúvida os francófonos, com quem eu tenho uma ligação especial. Já lancei dois álbuns lá, nasci em França, falo fluentemente francês, portanto faz sentido para mim trabalhar com eles e vou continuar a fazê-lo.

Depois o mercado do Brasil, PALOP, mercados de língua portuguesa, porque a minha música em português tem mais lógica com esse tipo de participações.

É internacionalizar cada vez mais, sabendo que sou um artista português e estou muito bem em Portugal. Não tenho razões de queixa, sempre fui muito acarinhado, até nos momentos mais difíceis da minha vida, para mim é o melhor público do mundo, não há comparação. Vivi 10 anos em França quando lancei os dois álbuns franceses e rapidamente tive de voltar para Portugal, porque sabe muito bem viver aqui.

Sente-se mais português então?

Sem dúvida. Há muitas coisas em que eu me revejo na cultura francesa, mas sou muito mais português.

Vou cantar poucas vezes a música para a Sara. Só quando fizer sentido

No novo disco que vai lançar há uma música que dedica à Sara, sua irmã. Como é que foi o processo de construir o tema?

Há duas músicas que me demoraram mais a fazer. É a música para o Lucas, meu filho, que também entra no álbum, e a música para a Sara. São as mais complicadas, porque há uma maior responsabilidade daquilo que vou fazer nesses temas. Demorei mais tempo a escrever e a gravar também.

A música para a Sara só gravei uma vez, mas tive de ter a certeza do que o que estava a escrever era o indicado.

São as músicas em que tenho mais responsabilidade, mais cuidado no que estou a escrever, quero que fiquem o mais perfeitas possível, porque são as mais pessoais. Há essa preocupação de o Lucas e de a Sara terem orgulho nestas duas músicas.

Como é que o David cantou essas músicas? São temas delicados, embora que de maneira diferente.

A do Lucas canto para ele e ele gosta. Tenho um vídeo meu a cantar-lhe a música e ele a sorrir. Para a Sara ainda não cantei ao vivo. Ainda não está pensado, mas é daquelas músicas que penso que vou cantar muito poucas vezes, só em situações que faça mesmo sentido.

Leia Também: David Carreira sobre a morte da irmã Sara: "Não arranjo justificação"

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