Tinha concertos agendados em França e no Luxemburgo agora no início do ano mas teve de os adiar por causa da pandemia. De férias no México, falhou o aniversário do pai, o cantor e empresário Tony Carreira, que fez 58 anos a 30 de dezembro, mas fez-lhe uma declaração de amor nas redes sociais. Em entrevista exclusiva ao Modern Life/SAPO Lifestyle, o cantor, compositor, ator, designer de moda e empresário, que está a celebrar 10 anos de carreira, comenta as principais notícias que saíram sobre ele na imprensa nos últimos meses e faz revelações surpreendentes.

A pandemia obrigou a maioria dos artistas a adiar projetos e concertos. No seu caso, já reagendou alguns dos concertos que tinha agora no início do ano, como o do Bataclan, em Paris, lá mais para a frente, para abril. Em termos de novidades, o que é que está a preparar?

Neste momento, estou a comemorar 10 anos de carreira. No dia 18 de março, vou assinalar a data no Coliseu dos Recreios em Lisboa e, no dia 26 de março, no Multiusos de Guimarães. Eu comecei em 2011. O primeiro álbum foi lançado a 17 de outubro de 2011.

Nos últimos tempos, tenho estado em estúdio [a preparar um novo disco, "Oyto"] e tenho estado ligado a outros projetos. Tenho feito lives [atuações ao vivo transmitidas em direto] no YouTube, tenho feito o programa "Carreira de chef" e tenho outros projetos, que irão arrancar brevemente, que estão relacionados com isso...

Acabou há uns meses de gravar uma telenovela, "Bem me quer", exibida pela TVI. Existem planos para voltar à representação?

Nos últimos meses, saiu muita coisa na imprensa...

Uma das notícias que saiu avançava que era um dos nomes em cima da mesa para interpretar o seu pai, Tony Carreira, na série que a TVI está a preparar sobre a vida dele. Ele já afirmou publicamente que não apoiava a ideia...

Essa é uma das coisas que se falou mas, vou ser sincero, nunca me vieram sequer propor isso. Na altura em que saíram as notícias, eu nem sequer sabia que o meu nome estava na equação. Soube isso pela imprensa...

Mas agradava-lhe a ideia?

Não sei... [faz uma pausa] Mas acho que a ideia de fazerem uma série sobre a vida dele é uma ideia bonita. Recentemente, vi, na Netflix, "Luis Miguel: La Serie", uma série sobre o Luis Miguel, um intérprete latino que é, provavelmente, o maior cantor da América Latina. A série é brutal. Por isso, acho que faria todo o sentido isso acontecer com o meu pai. Era bonito... Mas em relação a mim tem-se falado muita coisa, que vou para a SIC, que fico na TVI...

E, afinal, quem é que tem razão?

Eu, basicamente, quero estar num sítio onde possa ser feliz e onde possa realizar os seus sonhos. Há muitas coisas que eu quero fazer que estão ligadas à ficção e à produção de conteúdos. Na mesma linha do "Carreira de chef", gostava de criar um programa de televisão que eu pudesse apresentar.

Mas eu não seria apenas o apresentador. Seria também a pessoa na origem da ideia do programa. Tenho muitas ideias de coisas que quero fazer e onde eu vier a ficar terá de ser um sítio em que eu sinta que tenho a liberdade de ser feliz naquilo que eu faço.

Essa decisão que ainda não está tomada?

Não. Tomo-a um dia destes. Em breve... [risos]

Outra das notícias que a imprensa avançou no final do ano passado indiciava que a sua namorada, a atriz, modelo e empresária Carolina Carvalho, estaria grávida. Vai ser pai em 2022?

Ui... [risos] Não faço ideia. São coisas que não consigo prever...

Neste momento, então, não tem informações privilegiadas que apontem nesse sentido?

Não, não tenho qualquer informação acerca disso... [risos]

Em meados de 2018, na primeira entrevista que concedeu ao Modern Life/SAPO Lifestyle, afirmou que ainda não tinha grande vontade de ser pai. Agora que já fez 30 anos, já sente o apelo da paternidade?

Eu acho que nunca te sentes preparado, sinceramente. Há muitas pessoas à minha volta que já têm filhos e, a avaliar pelas conversas que vou tendo com elas, nunca estamos preparados para isso. As coisas acontecem quando têm de acontecer...

É um dos rostos da Tezenis, uma etiqueta de vestuário italiana. Tem também a sua própria marca de roupa, a Ninety One Paris. Com o passar do tempo, a moda foi ganhando importância na sua carreira. É uma estratégia deliberada?

Eu sempre gostei muito de moda e esta junção com a família Tezenis é uma ligação que já vem de há algum tempo. Já tem para aí uns quatro anos... É uma coisa que continuo a gostar de fazer. Gosto de moda, gosto de roupa e a Carol, a minha namorada, também é uma das caras da Tezenis. Acaba por ser uma ligação muito familiar, ao mesmo tempo. É sempre bom continuar a pensar em ideias novas com a Tezenis e a participar em eventos promocionais como este.

E como é que correu a produção fotográfica na origem das imagens usadas na campanha?

Foi difícil porque eu gosto de comer! [risos] Tive que ir para o ginásio... [pausa] Eu tive uma lesão no braço, que foi pública na altura, durante as gravações da [telenovela] "Bem me quer". Essa lesão dificultou-me as idas ao ginásio. Tive que fazer um tratamento porque rasguei um dos músculos do braço e, então, foi mais complicado desta vez do que da primeira.

Mas a equipa da Tezenis esteve comigo e compreendeu as minhas limitações. Eu fiz essa produção em agosto, quando já estava mais ou menos apto para conseguir voltar a treinar, para estar em forma na sessão fotográfica. Com a idade, também já é mais difícil. Aos 30, já é mais complicado, mas estou contente com o resultado...

É curioso estar agora a falar abertamente da idade porque, na primeira entrevista que concedeu ao Modern Life/SAPO Lifestyle, em 2018, também admitiu que não gostava de dizer quantos anos tinha. Hoje, já está resolvido consigo próprio a esse nível?

Não, de todo. Pior ainda... Às vezes, minto, entre aspas, nas entrevistas. Não minto mas, se puder omitir a minha idade, omito-a. Nunca gostei de fazer anos. Gosto de viver o dia a dia sem me apegar a datas...

Voltando à preparação física para a produção fotográfica, além do exercício físico, foi preciso fechar muito ou os treinos foram suficientes?

Como gosto muito de comer, tive de abdicar de algumas coisas. O treino que fiz também foi mais intensivo desta vez. Eram 100 flexões ao acordar de manhã seguidas de 100 abdominais. Depois, era um treino por dia e novamente 100 flexões e 100 abdominais ao deitar.

A dieta também teve de ser mais rigorosa porque eu tinha muito pouco tempo. Eu tive apenas um mês para ficar em forma fisicamente. Uma grande parte do ano passado foi passada a recuperar da lesão que tive. Às vezes, ainda tenho algumas dores...

Fez fisioterapia?

Fiz, fiz... O músculo rasgou e isto é uma coisa que demora a recuperar... Foi um mês intensivo a ter cuidado com a alimentação e a ter um tipo de treino muito específico para o conseguir. O Lourenço [Ortigão, ator e empresário] foi uma das pessoas que me ajudaram. Estávamos muitas vezes juntos nessa altura e fazíamos treinos em conjunto...

Ele também estava com algumas limitações...

Sim. Não sei se era o treino da [revista] Men's Health que ele estava a fazer ou se era outra campanha qualquer mas ele tinha acabado de ser convidado para uma produção fotográfica e também estava numa fase de dieta e de treino. Treinámos os dois no Algarve e foi assim que me preparei. E depois foi giro ver as reações dos meus amigos e dos fãs...

Nalgumas das fotografias, surge em roupa interior. No dia a dia, é mais de boxers ou de cuecas?

Sou mais de boxers, sempre fui. Uso tanto os mais largos como os mais justos...

Tendo em conta que tem uma marca de vestuário, no âmbito desta parceria com a Tezenis, já lhe passou pela cabeça desenhar uma coleção de roupa interior para a marca? É uma coisa que pode vir a acontecer?

Pode. Porque não? Salvo erro, a Carol já desenhou uma coleção para a Tezenis, mas eles ainda não fizeram o convite... Até pode ser uma boa ideia para o futuro porque eu desenho muitas coisas. Recentemente, fiz uma coleção com a Carol sobre o amor para a nossa marca de roupa. É uma coisa que eu gosto de fazer. É óbvio que tenho a ajuda de vários designers durante o processo de criação mas eu apresento-lhes as minhas ideias e eles conseguem pô-las em prática.

Neste evento, as funcionárias da loja vestem umas t-shirts com a inscrição Tezenis x David Carreira. Poderia ser esse o nome da coleção...

Ai vestem? [mostra-se surpreendido e olha em redor] Isso é fixe! Um dia destes, tenho mesmo de fazer uma coleção criada e assinada por mim. Por acaso, era giro... Eu, em termos de roupa interior, sou mais de branco ou de preto.

Normalmente, uso mais os boxers com cores como pijama ou como roupa confortável para estar em casa ao fim de semana a ver uma série na Netflix. No dia a dia, são mais essas duas cores, o branco e o preto. Os de hoje são pretos... [levanta a camisola e mostra] A esse nível, acho que sou mais old school, mais conservador...

Em relação à Ninety One Paris e à coleção de moda que lançou com a Oak Wear, a marca da Carolina Carvalho, que batizaram como Cozy Love, o que é que foi pensado para o outono/inverno de 2021/22?

No final do ano passado, desenhei uma nova coleção. Vamos ter novidades, novas peças, este inverno. A coleção que fiz com a Carol esgotou rapidamente, o que foi muito fixe... No último ano, eu comecei a levar a marca de roupa para um patamar diferente. Deixou de ser merchandising [propaganda] para passar a ter peças que estão ligadas a mim enquanto David Carreira músico.

Algumas têm frases de concertos ou frases de álbuns, alinhamentos de concertos ou a minha cara, esse é o lado mais comercial, mas no último ano desenvolvemos peças mais relacionadas com o David que cria vestuário porque gosta de roupa mas que não têm nada a ver comigo enquanto marca porque não têm o meu nome nem o nome de nenhuma das minhas músicas. É roupa que eu gosto e roupa que visto porque gosto daquela peça.

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Esse foi o desafio que me lancei no último ano e correu muito bem. A coleção com a Carol é isso. Temos lá frases que falam do amor e cada uma das peças tinha diretamente a ver com isso, com a felicidade, com a fidelidade, a confiança, a amizade... Mas são peças que não têm o meu nome. Não têm escrito David nem Carol. E a verdade é que a coleção correu muito bem. Porque uma pessoa pode gostar da roupa que desenho mas não ser fã da minha música ou até gostar e não querer andar a exibir o meu nome. Foi esse o desafio que me lancei no último ano e é essa a estratégia que pretendo manter...

No outro dia, estava no Porto, a fazer uma ação com uma marca e, de repente, vi uma miúda com uma peça da minha marca, uma peça de uma das primeiras coleções que eu lancei. E foi muito fixe! Já me aconteceu algumas vezes ir a conduzir e, de repente, ver alguém com uma peça minha. Fico quase mais feliz do que ao apanhar uma pessoa a cantar uma canção minha.

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