O ator norte-americano Val Kilmer morreu esta terça-feira, aos 65 anos, após sofrer uma pneumonia. Um dos nomes mais conhecidos da sétima arte, conseguiu o seu maior sucesso comercial como Tom 'Iceman' Kazansky em 'Top Gun - Ases Indomáveis', em 1986.

O anúncio da sua morte foi feito pela filha, Mercedes Kilmer, ao New York Times, recordando que o pai havia sido diagnosticado com um cancro na garganta em 2014 - doença que, como se pode ver no mais recente 'Top Gun - Maverick', de 2022, lhe comprometeu a voz. Mercedes indicou que o pai chegou a recuperar do cancro, mas acabaria por sucumbir a uma pneumonia, esta terça-feira, tendo sido acompanhado até ao final pela família e amigos.

Kilmer foi também protagonista, em filmes como 'The Doors' (1991), na pele de Jim Morrison, e 'Batman Forever' (1995), onde interpretou o anti-herói de Gotham City. A sua imagem de ídolo rebelde combinada com uma personalidade forte granjeou-lhe uma carreira sedimentada, com especial sucesso nos anos 80 e 90: 'Top Secret', 'Heat', 'Real Genius' ou 'The Saint'.

O ator conheceu a sua mulher, a atriz Joanne Whalley, no 'set' de rodagem do 'Willow', de Ron Howard, em 1988. Ambos tiveram dois filhos, Mercedes e Jack, antes de se divorciarem, em 1996.

"Portei-me mal. Comportei-me corajosamente. Para alguns, comportei-me de forma bizarra. Não nego nada disto e não me arrependo de nada, porque perdi e encontrei partes de mim que nunca soube que existiam", afirma no final de 'Val', o documentário de 2021 sobre a sua carreira. "E sinto-me abençoado".

Uma longa carreira

Kilmer, foi o ator mais jovem alguma vez aceite na prestigiada Juilliard School. Estreou-se no cinema em 1984 com o filme de espionagem 'Top Secret!', seguido da comédia 'Real Genius' em 1985. Mais tarde, viria a mostrar os dotes de comediante em filmes como 'MacGruber' e 'Kiss Kiss Bang Bang'.

A carreira cinematográfica de Val Kilmer atingiu o apogeu no início dos anos 90, quando empunhou as pistolas de Doc Holliday, ao lado de Kurt Russell e Bill Paxton em 'Tombstone', de 1993, para depois protagonizar o fantasma de Elvis em 'True Romance' e em seguida um perito em demolições de bancos no filme de Michael Mann 'Heat', de 1995, ao lado de Al Pacino e Robert De Niro.

O ator -- um seguidor do método Suzuki de formação em artes Suzuki - atirava-se aos papéis. Por exemplo, quando interpretou Doc Holliday em 'Tombstone', encheu a cama de gelo na cena final para imitar a sensação de estar a morrer de tuberculose.

Ao interpretar Morrison, usava permanentemente calças de cabedal, pedia aos colegas de elenco e à equipa que se referissem a ele apenas como Jim Morrison e tocou The Doors durante um ano.

Essa intensidade deu-lhe a reputação de ser difícil trabalhar com ele, algo com que Kilmer acabou por concordar mais tarde, nas suas memórias - 'I'm Your Huckleberry' -, enfatizando a primado da arte sobre o negócio.

Kilmer publicou dois livros de poesia (incluindo 'My Edens After Burns') e foi nomeado para um Grammy em 2012 pelo álbum de 'spoken word' 'The Mark of Zorro'. Foi também artista plástico e cientista cristão durante toda a vida.

[Notícia atualizada às 07h24]

Leia Também: A ausência notória de David Hasselhoff no funeral da ex-mulher