Ljubomir Stanisic esteve no jornal Edição da Noite, da SIC Notícias, e começou por falar da manifestação dos empresários do setor da restauração, bares e comércio, esta sexta-feira, na Avenida dos Aliados, no Porto. Um protesto que contou com momentos de maior tensão.

"Ninguém me convidou, nem tive nada a ver com aquilo, simplesmente quis ir lá apoiar, ser manifestante", explicou referindo que nesta altura deve haver uma "união". "Quis dar o exemplo e fui para o Porto, como cidadão português que devia fazer isso", acrescentou.

"O que aconteceu no Porto acho que foi um equívoco pequenino, não foi nada de grave. De facto, acenderam tochas negras e vermelhas como símbolo da morte da restauração no Porto, porque acho que faliram muitos restaurantes no Porto", disse, falando também nos caixões queimados durante as manifestações.

"Incendiou-se os caixões, uma das pessoas que tinha falido vários restaurantes, e disse: 'isto é o enterro do meu restaurante'. Alguém disse que não se podia fazer fogo, houve ali discussão, não houve porrada, nem cassetetes, não vi pancada e estive lá à frente. Simplesmente o que aconteceu acho que foi um pequeno incidente", continuou.

"Qualquer manifesto pode ter incidentes, neste caso foi um pequeno incidente que acho que até é insignificante porque estamos ali para falarmos das medidas e etc. Se o fizeram de propósito devem ser culpados. As manifestações que queremos fazer, o que queremos movimentar, o que vai acontecer amanhã [sábado 14 de novembro] em Lisboa, às 12h, no Rossio, é para ser pacífico, é para respeitarmos todas as regras", destacou de seguida.

Ljubomir Stanisic partilhou ainda o prejuízo do seu negócio: "Desde o dia 11 de março, 980 mil euros estão em prejuízo. Vou pedindo créditos e tentar pagar com banca, com privado, como consigo, eu e todos os portugueses porque eu não sou caso e nem sequer quero falar de mim. A situação é complicada".

"Estamos a falar do horário reduzido. Não existe horário reduzido. O restaurante abre à uma ou ao meio-dia para os almoços e aos jantares. Fins de semana são os dias que mais dinheiro facturamos, principalmente durante a crise da Covid e respeitamos as regras todas, mais do que muitos hospitais. Para entrar num restaurante é-lhe medida a febre, as mesas são desinfectadas, não podem estar postas. Vais à casa de banho e ela é desinfetada de seguida, quando voltas está tudo desinfetado de novo. Não conheço nenhum espaço governamental neste país que tenha as mesmas normas e as mesmas regras que nós praticamos na restauração. Entras num transporte público e ninguém vai limpar a cadeira a seguir a ti", comparou.

Ljubomir garante que o objetivo não é ir contra políticos, realçando que quer protestar de forma pacífica.

Sobre o anúncio do primeiro-ministro da compensação de 20% da perda da receita, Ljubomir comentou: "Isto é atirar areia para os olhos. De janeiro até outubro temos 44 semanas, entre 44 tivemos 11 semanas fechados, nessas 11 semanas faturamos 0. Entre as outras semanas das 44 semanas, as que tivemos abertos de janeiro a março houve alguma faturação, mas a partir da abertura após o primeiro confinamento, as regras passaram a ser 50% da ocupação. Faturamos 50% ainda menos. Façam um favor, esses 20% distribuam-nos pelas pessoas mais necessitadas. Nós vamos pedir mais créditos, vamos endividar-nos ainda mais".

"Elegemos este Governo, que é uma coisa muito importante, nós é que acreditamos nele e o colocamos no lugar onde está. Queremos que olhem para nós e nos apoiem. Este país ganhou três anos consecutivos o prémio de melhor destino da Europa, num dos anos um dos melhores destinos do mundo. Quem investiu dinheiro nisto tudo foram os privados. Desde 2011, a última crise, até hoje, investimos, cada um de nós, milhões de euros para levantarmos este turismo. Por isso é que este país se tornou belo, por isso é que temos reconhecimento gastronómico em todo o mundo", acrescentou.

O famoso chef mostrou-se a favor do fecho dos estabelecimentos para controlar a pandemia, mas, diz, essa medida tem de ser feita com apoios. "Fechei antes do Governo declarar Estado de Emergência porque não conhecia a doença e não queria infetar os meus. Hoje em dia que já conheço, já sei lidar com ela, quero estar aberto. Se é para fechar, vamos fechar todos sem problema nenhum. Somos a favor do fecho, mas enquanto fechamos alguém tem que nos dar apoio. Não queremos criar desemprego. Eu sou 100% de acordo com o fecho, mas tem que haver apoio", realçou.

Sobre os apoios anunciados até aos dias de hoje, afirmou: "Os apoios que nós temos não são apoios nenhuns. Nós estamos a endividar-nos porque qualquer euro que estamos a receber temos de o pagar. Tem dívidas e tem os seus próprios juros. Por isso, não temos apoios. Estamos a falar de Bélgica, Inglaterra, França e etc, que todos os empregados estão sentados em casa e recebem 80% dos seus próprios governos, e os empresários nem pagam rendas nem têm que se preocupar com nada. Simplesmente o Governo apoia-os".

Ljubomir enumerou também alguns dos pedidos feitos ao Governo. "Discutimos sobre várias [medidas], mas das mais importantes é a isenção da TCU a dia 30 de junho de 2021, pagamento por parte da Segurança Social de 100% das horas não trabalhadas até dia 30 de junho de 2021, reduzir o iva até 31 de dezembro de 2021 e são muitas mais. Estas são básicas. Mais urgentes e mais importantes", salientou.

Para a manifestação de hoje, em Lisboa, o chef voltou a reforçar que quer que seja feita uma manifestação pacífica, a cumprir todas as normas da DGS para que "o Governo perceba que estamos com a corda ao pescoço". "Esta manifestação vai ser pacífica, mas ninguém garante que no futuro vão ser pacíficas porque as pessoas estão desesperadas. Tenho diariamente pessoas a chorar", realçou.

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