Bernardo Blanco, um Autista Altamente Funcional, é a personagem que interpreta em ‘Nazaré’, novela da SIC, e foi um dos grandes destaques da entrevista que Guilherme Moura concedeu ao programa ‘Alta Definição’.

Um papel que tem recebido muitos comentários positivos, pela sua interpretação.

Sinto que quando me dão os parabéns ou se dirigem a mim não é por me reconhecerem, ou por me verem na televisão, é mais para me darem os parabéns pelo meu trabalho. Acho que isso é muito bom para mim, enquanto ator, saber que o meu trabalho está a ser reconhecido”, começou por realçar o jovem artista, de 22 anos, reconhecendo de seguida que é uma pessoa que tem “muito pouca confiança em si”.

“Mas esse reconhecimento eleva-me um bocadinho a confiança. A opinião dos outros, às vezes, pode ser um bocado um presente envenenado. Dizerem que estás bem e que és bom, às vezes isso pode levar-nos por um caminho que não é bom. Prefiro focar-me mais no meu trabalho e ter a certeza que estou a fazer aquilo que quero no momento”, acrescentou.

O seu maior medo quando ficou com o papel, confessa, “era não conseguir defender o autismo”.

Ao apresentador, Guilherme falou sobre a sua preparação para dar vida a Bernardo. “Li livros, vi filmes, séries e houve uma visita que fiz à Federação Portuguesa do Autismo que me foi muito útil porque foi a primeira vez que tive em contacto, especificamente, com um rapaz que tinha este problema e que me ajudou muito. Poder olhar para ele e ver como é que ele é enquanto pessoa, como é que me responde e como é que conversamos...”, explicou.

O jovem que conheceu na associação deu-lhe uma grande bagagem para construir o seu papel e, confessa, “era muito parecido com o Bernardo”.

Uma das certezas que mais realça da conversa que teve com o jovem é que: “Somos todos iguais, cada um à sua maneira, mas somos todos genuínos. Posso ter mais problemas, mas somos todos pessoas e gostamos de ser amados”.

Sobre as pessoas autistas que conheceu, o ator destaca que “sentiu que todos eram demasiadamente puros”. “Talvez por esta ingenuidade ou de não conseguirem entender a maldade. Por isso é que às vezes sofrem tanto. São tão puros e querem mostrar aquilo que gostam e aquilo que são, que as pessoas não entendem e preferem desprezá-los. As pessoas conseguem ser muito maldosas e não terem o mínimo cuidado com estas coisas, e não querem ceder em perceber porque é que uma certa pessoa teve um certo comportamento e acham que é melhor dizerem logo que estão mal ou que fizeram mal, que não é capaz e que não vai conseguir nada. Isto de 'não vai conseguir nada' é muito mau”, salientou.

E houve uma história, em particular, da conversa que teve com o jovem autista que mais lhe tocou. “Uma história que me contou sobre o pai, que ele não o aceitava e que não queria muito saber dele, que o via como um peso. Isso tocou-me muito", partilhou.

O seu trabalho tem captado a atenção de muitos portugueses e as mensagens provam isso mesmo. Segundo Guilherme, as palavras que mais tem recebido são de “familiares que lidam com o autismo a agradecer por estar a passar uma imagem diferente, por estar a conseguir sensibilizar as pessoas e mostrar um outro lado que não é assim tão estranho”.

O “pior” dia da sua vida

A morte do avô também foi um ponto marcante da entrevista. Foi quando tinha entre 14 ou 15 anos, andava no 9.º ano de escolaridade, quando sofreu com a perda do familiar, um dos dias mais marcantes da sua vida e a primeira vez que teve um contacto tão próximo com a morte. “Há-de ter sido o pior dia da minha vida, com certeza”, confessou.

“Estava em casa, a minha irmã chegou e disse-me que o avô tinha falecido. Só me lembro de ir tomar banho e ficar a chorar no banho. É uma imagem que tenho na cabeça", lembrou ao recordar o momento em que recebeu a notícia. "O meu avô sempre foi muito presente e sempre tive imenso respeito por ele. Sempre olhei para ele, achava-o o mais inteligente de todos os avôs e ainda hoje acho. Tenho boas memórias dele”, partilhou.

“Tive de aprender que as pessoas partem e que não há nada a fazer, e viver com isso. Hoje em dia tenho sempre medo, não quero pensar no dia em que os meus pais morrerem. Há-de acontecer e não há nada a fazer”, desabafou.

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