Aos 52 anos, Marcoantonio del Carlo continua a eleger o povo português como o seu público por excelência, dando o melhor para conquistar todos os dias a sua atenção.

Nasceu no estrangeiro e optou por vir para Portugal com o pai na adolescência, onde, de resto, permanece até aos dias de hoje.

Com uma carreira vasta no cinema, teatro e televisão, o ator já integrou o elenco de várias produções nacionais, entre as quais, ‘Filha do Mar’, ‘Saber Amar’, ‘Morangos com Açúcar’, ‘A Impostora’ ou ‘Espelho d'Água’.

Pouco tempo antes de voltar a subir ao palco do Teatro Armando Cortez – onde está em cena desde ontem, dia 1 de março, até ao dia 4 com a peça ‘Porque é que os cães cheiram o rabo uns dos outros’ - Marcoantonio del Carlo esteve à conversa com o Fama ao Minuto, partilhando algumas das recordações que guarda e falando da sua carreira.

Nasceu na Rodésia mas foi a atenção do público português que conseguiu conquistar. Qual a primeira memória da sua chegada a Portugal?

A vista do avião por cima da Ponte 25 de Abril. Lisboa estava a seduzir-me pela primeira vez. A paixão dura até hoje.

Antes de Portugal, esteve uma temporada em Moçambique. Quais as melhores recordações que guarda desse tempo?

Não me lembro muito desse tempo. Mas quando voltei a África, já como adulto, percebi que estava em terras que conhecia. O cheiro, a luz, a cor de África estavam já em mim.

Como italiano, não dispenso a minha pizza semanal. Enquanto português, todas as quintas-feiras não sou ninguém sem o meu cozido com todos

Que características tem tipicamente italiana? E portuguesas?

São muito parecidas. O Sul faz parte do nosso horizonte. Bebemos no mar e na terra a nossa essência. Como italiano, não dispenso a minha pizza semanal. Enquanto português, todas as quintas-feiras não sou ninguém sem o meu cozido com todos.

Como define a cultura portuguesa?

Fernando Pessoa, Camões, Eça de Queiroz, Saramago, Luís Miguel Cintra, Paula Rego, Gil Vicente, Cutileiro, Amália, Sisa Vieira... e muitos mais. A cultura portuguesa é uma das culturas mais ricas do mundo. Portugal tem um passado que se reflete no presente que já é futuro.

Sente-se mais ligado ao povo português ou ao italiano?

Em Portugal sou português. Em Itália sou italiano. No mundo, quando viajo, sou meridional, por ser português/italiano.

Já pensou em regressar a Itália e continuar com a sua carreira lá?

Quem sabe... Talvez um dia. Mas acho que não consigo deixar este jardim à beira mar plantado.

Qual é para si a maior inspiração no mundo artístico?

O talento dos outros.

Como recorda os primeiros passos no mundo da representação?

Lembro com muito carinho das primeiras horas de aprendizagem no antigo Conservatório de Lisboa com os meus colegas de turma: Diogo Infante, Rita Loureiro, Maria Henrique, Miguel Seabra, entre tantos outros.

Seja em cima de um palco ou em frente a uma câmara, gosto de fingir que sou outra pessoa

Além dos palcos, também tem uma presença assídua na ficção portuguesa. Com qual dos trabalhos se sente mais fascinado?

Gosto de ser ator e de representar. Seja em cima de um palco ou em frente a uma câmara, gosto de fingir que sou outra pessoa.

Qual o projeto que mais prazer lhe deu?

O próximo! Não sou, de todo, saudosista.

Temos sempre filas de pessoas que nos querem agradecer por lhes termos contado histórias divertidas e surpreendentes

Voltou agora ao Teatro Armando Cortez com a peça ‘Porque é que os cães cheiram o rabo uns dos outros’. O que pode o público esperar deste espetáculo?

Este projeto já tem um ano de vida e de estrada. Eu e o André Do Áudio, que toca ao vivo a banda sonora que compôs para esta peça, andamos a representar este texto pelo país todo desde o ano passado. Por onde temos representado a peça, no final, temos sempre filas de pessoas que nos querem agradecer por lhes termos contado histórias divertidas e surpreendentes. E é isso que nós temos para oferecer neste espetáculo. Contamos com palavras, e tocamos com música, histórias que divertem e fazem sonhar quem tem enchido os teatros por onde temos andado. E agora vai ser a vez do Teatro Armando Cortez, em Lisboa.

Cozinho para os amigos e por enquanto fico-me por aí. Quem sabe, talvez um dia começo a cozinhar à séria?

O seu gosto pela cozinha não é desconhecido. Alguma vez se imaginou como um verdadeiro chef italiano?

Ser Chef não é para todos. Eu cozinho para os amigos e por enquanto fico-me por aí. Quem sabe, talvez um dia começo a cozinhar à séria?

A veia culinária é da mãe ou do pai?

Dos dois e de uma avó paterna, a nonna Giulia, que era uma grande cozinheira.

Aos 52 anos, qual foi o momento mais feliz da sua vida?

Continuar a ter quem acredite em mim como ator. É bom sentir isso mas ao mesmo tempo sentes que tens a responsabilidade de ter de fazer sempre, e cada vez mais, bem o teu trabalho.

Vivia tudo como viveu até aqui?

Não faço ideia. Mas talvez mudasse qualquer coisinha...

Hoje é um homem completamente feliz?

Sinto-me bem comigo. Mas estou sempre à procura de mais.

Já confessou que era muito tímido e que leva muito tempo para seduzir uma mulher… Mas essa sua veia italiana conquistou muitos corações portugueses?

Sempre fui eu o conquistado.

O amor é o sentimento mais forte e importante na vida do ser humano?

Sem amor não há vida.

Vejo diariamente crianças mutiladas a chorar com dores. E isso me faz-me ter vergonha de pertencer a este mundo

Se lhe fosse dada a oportunidade de concretizar um desejo, qual seria?

Que o horror da morte de crianças inocentes na Síria parasse de imediato. Não sei que razões a razão comanda naquela zona do mundo. Só sei que vejo diariamente crianças mutiladas a chorar com dores. E isso me faz-me ter vergonha de pertencer a este mundo. Vergonha!

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