O funeral da atriz Adelaide João, que morreu na quarta-feira, aos 99 anos, realiza-se no próximo dia 12, no crematório dos Olivais, em Lisboa, disse hoje à Lusa fonte da Casa do Artista.

Nesse dia, de hoje a uma semana, haverá uma "celebração da palavra", às 12h45, seguindo-se a cerimónia da cremação, às 13h00, segundo a mesma fonte.

A atriz Adelaide João, de 99 anos, que em 2007 recebeu o prémio Sophia de carreira, morreu na madrugada de quarta-feira, na Casa do Artista, em Lisboa, vítima de covid-19.

Na quarta-feira, o presidente da junta de freguesia de Carnide, Fábio Sousa, confirmou à Lusa a existência de dez casos de infeção pelo novo coronavírus na Casa do Artista, em Lisboa, onde residem cerca de 70 pessoas. A situação está controlada, garantiu.

Maria da Glória Pereira Silva, de nome artístico Adelaide João, nasceu em Lisboa, em 27 de julho de 1921, e iniciou a carreira como atriz amadora, no grupo de teatro da Philips, onde trabalhava.

A viragem para a profissionalização aconteceu, nos anos de 1950, com o encenador e realizador Artur Ramos, que a convidou para o elenco de "Fim de semana em Madrid", de Miguel Barbosa.

Adelaide João encetou então estudos de teatro no Conservatório Nacional e, em 1961, partiu para Paris para os prosseguir, como bolseira, tendo trabalhado com várias companhias francesas, como a de Raymon Rouleau, no Théâtre de Montparnasse, assim como no Théâtre Sarah Bernhardt, já que obteve a carteira de atriz profissional naquele país.

No ano da partida, representou ainda "O consultório", de Augusto Sobral, no Teatro Nacional D. Maria II, e, "A rapariga do bar", dirigida por Couto Viana, no Teatro da Trindade, pela Companhia Nacional de Teatro.

No regresso a Portugal, em 1965, fez parte de companhias como Teatro Estúdio de Lisboa, Teatro Experimental de Cascais, Casa da Comédia, Empresa Vasco Morgado, O Bando, de que era cooperante, e a chamada Companhia de Teatro da RTP, dirigida por Artur Ramos, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, onde as peças em cartaz tinham depois divulgação nacional, através da televisão, na rubrica "Grandes Momentos do Teatro".

Em O Bando, Adelaide João fez parte, entre outras, do elenco das peças "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, e "Os anjos", de Teolinda Gersão. No Maria Martos, representou Tchekhov, Arthur Miller, Bernardo Santareno, Bertolt Brecht, Manuel da Fonseca, Miguel Franco.

Trabalhou ainda com outras companhias independentes como A Comuna, o Teatro da Cornucópia, os Bonecreiros, A Barraca.

O seu trabalho na televisão repartiu-se por séries, telenovelas e telefilmes, além do teatro televisivo.

Esteve no elenco de telenovelas como "Vila Faia" (1982), "Origens" (1983), "Chuva na areia" (1985), "Palavras cruzadas" (1987), "Nunca digas adeus" (2001) e "Tudo por amor" (2002).

"Os gatos não têm vertigens" e "Oxalá", de António-Pedro Vasconcelos, "A mulher que acreditava ser presidente dos Estados Unidos", de João Botelho, "Telefona-me" e "A estreia", de Frederico Corado, "O processo do rei" e "O fim do mundo", de João Mário Grilo, "Francisca" e "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, "Manhã submersa", de Lauro António, "Verde por fora, vermelho por dentro", de Ricardo Costa, "A santa aliança", de Eduardo Geada, "Nós por cá, todos bem", de Fernando Lopes, e "Dom Roberto", de Ernesto de Sousa, contam-se entre os filmes em que participou.

O último trabalho de Adelaide João na televisão data de 2014, na série televisiva "The Coffee Shop Series", cuja primeira temporada foi transmitida na SIC Radical e, a segunda, na RTP 2.

O seu nome está também no elenco de "Angola Momentos Kodak", de Rui Goulart, filmado nos anos de 2018/2019.

Leia Também: Atriz Adelaide João morre aos 99 anos vítima de Covid-19

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