Pedro Barroso abriu o livro da sua vida numa entrevista inédita a Daniel Oliveira, exibida no 'Alta Definição' deste sábado. O ator desinibiu-se de falar sobre os seus maiores fantasmas e começou por recordar a infância, marcada por alguma carência.

"Sou desconfiado. Não muito crente nas pessoas. Hoje em dia mais. Cresci numa estrutura maravilhosa, cresci com os meus avós. A minha mãe foi muito presente, o meu pai por circunstâncias da vida não tão presente", começou por dizer.

A ausência do progenitor e a distância da mãe, que trabalhava fora do país, fizeram com que se sentisse muitas vezes "menos acompanhado": "Se calhar abandonado é a expressão certa. Criou-me a necessidade de ser gostado, a necessidade de aceitação".

"Quando era mais criança falharam aniversários e natais. Lembro-me da minha mãe me perguntar se eu estava bem e se calhar a minha defesa fazia-me dizer que sim no sentido de não a entristecer. Mas foram silêncios que foram pesando", continuou.

Essas lacunas sentidas na infância culminaram no que diz ser um "confronto" consigo mesmo na fase adulta. Pedro Barroso confessou que durante muitos anos não soube lidar com as emoções, o que fez passar por duros períodos de negação.

"Aprendi há dois anos a partilhar sentimentos, é bonito e é duro. Hoje em dia estou mais focado no que posso reconstruir dentro de mim. Aprendi a dizer não. São atos de coragem. No meu processo deixei para trás pessoas, uma novela, perdes dinheiro, deixas para trás uma situação monetária mais confortável, amizades, o país durante um tempo", afirmou.

Consumo de drogas para "não lidar com emoções"

Em 2018, durante as gravações da novela 'A Herdeira' da TVI, Pedro Barroso viu-se num momento de profunda dor, onde o ritmo acelerado de gravações era o seu refúgio à realidade.

"Quando estava a gravar a novela [‘A Herdeira’] decidi entrar em tratamento. Foi um processo para olhar para o que estava a danificar. Depois de construir tanta coisa com carinho, estava a danificar tudo com o consumo de cocaína. Decidi entrar em tratamento com ajuda", relatou.

"Os consumos ajudavam-me a não lidar com as emoções. Se pudesse trabalhar durante 24 horas, para mim ótimo, porque não tinha de lidar comigo", referiu.

O mês em que esteve dedicado à sua recuperação é hoje recordado como um dos períodos mais bonitos do seu percurso, também pelos laços que criou com as pessoas que conheceu nesse "estágio".

"Tive um mês de retiro, deram-me esse tempo na novela, acho que me salvaram a vida. No final perguntaram-me se queria continuar a gravar e eu disse que sim. Foi um tempo muito feliz para mim. Estás com estranhos que passam a ser os teus companheiros de guerra".

Viu-se dominado pelos pensamentos mais obscuros

"Houve uma altura em que eu estive muito próximo de desistir e essa altura eu não me quero esquecer", frisou, referindo-se ao período mais negro durante o qual ponderou pôr fim à vida.

"O que é que evitou que tu não desistisses?”, questionou Daniel Oliveira. "Quero acreditar que foi alguma coisa maior, a minha avó. Porque são momentos em que estás tão cansado de falhar que aquela parece a melhor opção. Saíres daí é complicado. Mas depois há pessoas que acreditam em ti e que vêem em ti o que tu não vês", rematou.

Pedro Barroso afastou-se do pequeno ecrã em outubro do ano passado, enquanto gravava a novela 'Valor da Vida', da TVI. Na altura alegou "necessitar de um período de descanso".

Atualmente afirma sentir-se numa fase de reestruturação. Acorda todos os dias às cinco da manhã "para fazer a sua oração" e por volta das seis começa a treinar.

Leia Também: Pedro Barroso desabafa: "Estava a gravar e decidi fazer tratamento"

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