Numa entrevista reveladora, Bradley Wiggins partilhou com a revista Men’s Health uma parte da sua vida que, até agora, sempre preferiu manter em segredo: a infância traumática marcada por episódios de assédio e violência. O ex-atleta explicou que o facto de nunca ter enfrentado o seu passado fez com que não conseguisse sentir orgulho naqueles que, em 2012, eram, para grande parte dos espectadores e fanáticos por desporto, feitos incríveis na sua carreira: ser o primeiro britânico a ganhar a Volta a França e arrecadar a sua sétima medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

“Foi provavelmente o período mais infeliz da minha vida”, disse sobre o escrutínio, atenção mediática e bajulação que, na época, se geraram em torno de si e do seu sucesso. Essa mudança drástica contribuiu para que Wiggins se sentisse perdido em relação à sua identidade, passasse uma imagem pouco autêntica sobre quem realmente era e vivesse para agradar os outros. Tudo isso contribuiu para que, em 2016, abandonasse o ciclismo, um desporto com o qual sempre manteve uma relação de amor/ódio.

Foi preciso bater no fundo para compreender que os traumas de infância que tinha por resolver e as memórias reprimidas de que sempre fugiu foram extremamente prejudiciais para a sua vida, levando-o a que não conseguisse desfrutar das vitórias que o ciclismo lhe proporcionou ao longo da sua carreira.

“Fui assediado por um treinador quando era mais novo – tinha cerca de 13 anos – e nunca aceitei isso completamente”, revelou o ex-ciclista de 41 anos sobre este acontecimento traumático que manteve em segredo durante anos e o impacto que veio a ter na sua vida adulta. “Suprimi isso. O meu padrasto era bastante violento comigo, costumava chamar-me maricas por usar lycra e essas coisas, por isso achava que não lhe podia contar. Eu era muito solitário.”

Nesta entrevista conduzida por Alastair Campbell, jornalista e antigo porta-voz oficial de Tony Blair, Wiggins falou ainda sobre a infância marcada pela violência dos gangues - que o levou a testemunhar o assassinato de um professor - e o abandono do progenitor, que conheceu pela primeira vez ao atingir a maioridade.

“[Nessa altura] Reavivamos uma espécie de relação, mas depois não falamos nos últimos dois anos que antecederam o seu assassinato. Estava a viver na pobreza. Nunca cheguei a ir ao funeral”, afirmou sobre o pai, que também foi ciclista profissional, e que levou uma vida conturbada. “Ele era o meu herói. Queria mostrar-lhe aquilo que valia. Ele era um bom ciclista – poderia ter sido muito bom – mas foi um talento desperdiçado. Ele era um alcoólico, maníaco depressivo, muito violento e tomou muitas anfetaminas e drogas [desportivas] na época. Apesar de nos ter abandonado, a minha mãe idolatrava-o.”

Esta é a primeira de uma série de entrevistas com figuras públicas - batizada Talking Heads - a serem publicadas pela Men’s Health e que pretendem salientar a importância da saúde mental masculina.

Pode ler a entrevista na íntegra aqui.

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