Em Portugal, chamam-lhes plumérias, mas também há quem as conheça como frangipani. Nas ilhas da Polinésia Francesa, onde florescem em abundância em árvores de médio porte, esse é um dos nomes que lhe dão. Tipanier é, no entanto, a designação mais utilizada pelos habitantes locais quando se lhes referem. Além da beleza, da cor e do aroma que exalam, têm a particularidade de só arder a temperaturas acima dos 500º C. No feng shui, são associadas ao amor.

As vahinés, como são conhecidas as mulheres polinésias, usam-nas para indicar o seu estado civil. As solteiras que procuram namoro enfeitam-se prendendo uma na orelha direita. As comprometidas exibem-na na esquerda. Quando, há cerca de três décadas, uma empresária italiana resolveu criar uma unidade hoteleira num terreno de palmeiras e de plumérias junto a uma das praias de areia branca da ilha de Moorea, o nome acabou por surgir naturalmente.

Localizado em Haapiti, a apenas oito minutos de avião ou pouco mais de 40 minutos de Papeete, cidade do Tahiti que é a capital da Polinésia Francesa, o Hotel Les Tipaniers é um pequeno recanto de paraíso. Composta por 22 bangalós, com capacidade para uma, duas, três ou quatro pessoas, esta unidade hoteleira de duas estrelas é o cenário perfeito para os amantes da natureza no seu estado mais puro.

Com ou sem cozinha, as habitações, cabanas típicas locais com telhados de colmo, têm vista para a praia ou para o jardim. Veja a galeria de imagens desta unidade hoteleira. Para descobrir outras belezas naturais da Polinésia Francesa, clique aqui.

A personificação plena de um ideal de tranquilidade

Moorea, considerada uma das mais belas ilhas do arquipélago,é a personificação plena do que se imagina quando se pensa em paraísos tropicais. As águas da lagoa que a circunda são cálidas e de um azul transparente que deixa entrever uma quantidade surpreendente de peixes de várias cores e tamanhos. A vegetação é densa e luxuriante e a que circunda as cabanas do jardim do Hotel Les Tipaniers, fares como lhes chamam lá, não foge à regra.

Tanto essas como as que estão situadas em cima da praia têm uma pequena varanda privativa, onde pode descansar entre um mergulho no mar, uma sesta na toalha, um passeio pelo areal, um cocktail no bar do hotel ou uma atividade aquática. Parece um paradoxo mas, apesar de aparentemente não haver nada para fazer, não faltam motivos de interesse para quem pretende usufruir de umas férias tranquilas mas, todavia, não desprovidas de animação.

Um pontão de madeira liga a zona da praia a um pequeno embarcadouro. É daqui que partem os barcos que levam os turistas à procura de baleias e de golfinhos, as excursões náuticas que incluem mergulhos com raias e com tubarões, os pequenos cruzeiros que navegam tranquilamente pelas águas lagoa ao por do sol e as embarcações que fazem as ligações aos motus, pequenas ilhotas privadas com praias mais pequenas e menos frequentadas. O mergulho também é muito procurado pelos turistas.

Veja na página seguinte: A viagem que começa com a oferta de flores de tiaré

A viagem que começa com a oferta de flores de tiaré

Alguns dos bangalós do Hotel Les Tipaniers foram renovados em 2015, passando a ter ar condicionado. Os restantes serão modernizados a partir de 2016. Muito procurada por franceses e por polinésios, são poucos os portugueses que até hoje lá pernoitaram, uma situação que Valérie Coutereel, diretora de alojamento da unidade hoteleira, gostaria de ver alterada nos próximos anos.

Apesar de não existirem voos diretos regulares de Portugal para a Polinésia Francesa, a Air Tahiti Nui voa para Papeete a partir de Paris, via Los Angeles, nos EUA. A viagem demora cerca de 22 horas e, pouco após a descolagem, os passageiros são brindados com uma flor de tiaré que, tal como a pluméria, também exala um aroma inebriante e sedutor. À chegada ao aeroporto, além de uma receção com cantares e danças locais, aguarda-os também um colar de flores coloridas e perfumadas.

Coloridos e perfumados são também os pratos servidos no restaurante do Hotel Les Tipaniers. A ementa vive essencialmente das especialidades locais, à base de peixe e marisco, mas também existem pratos de fusão com influência francesa e inspiração italiana, como a massa com gambas e vieiras servida com um generoso e suculento molho de baunilha. Absolutamente imperdível! A piza do mar, com pedaços de peixe e de marisco que chegam a ter quatro e cinco centímetros de altura, também merece ser provada.

A magia de uma dança ao luar

O bar da unidade hoteleira, em cima da praia, é o melhor local para iniciar e terminar os dias. De manhã, ao pequeno-almoço, servido com vista para uma paisagem como as que costumam ilustrar os catálogos das agências de viagem, tem, no entanto, de ter cuidado para evitar que os muitos pássaros que o observam lhe roubem a comida que deixou na mesa enquanto se foi reabastecer. Ao final do dia, sobretudo ao fim de semana, o local enche-se de música, com a atuação de músicos e de bandas locais.

Nessas alturas, a varanda panorâmica ou até a própria praia, onde não faltam cadeiras espreguiçadeiras, são os melhores locais para a ouvir. Na noite em que lá estivemos, um rapaz de oito anos, filho de uma família polinésia de férias no local, aproveitou a tranquilidade de uma noite de lua cheia para, ignorando tudo e todos à sua volta, se deixar contagiar pelos ritmos, executando coreografias com passos como os que os seus antepassados imortalizaram. Um espetáculo que fica na memória.

Inesquecíveis são também os passeios de piroga na lagoa e os de bicicleta à volta do empreendimento que muitos hóspedes fazem. Tanto de aluguer de uma como de outra é grátis. Mediante pagamento, existe a possibilidade de contratar passeios a cavalo por entre alamedas verdejantes, atividades de pesca em alto mar, passeios de exploração pedestre pelas partes mais altas da ilha e ainda circuitos em moto-quatro por caminhos inóspitos. Os bangalós para uma a duas pessoas junto à praia, sem cozinha, têm preços a partir dos 123,80 €. Os do jardim, com cozinha, custam o mesmo. Já os mais caros rondam os 142 € por noite.

Texto: Luis Batista Gonçalves