No século XIX, à semelhança da de outros mercadores de Santorini, a família Psychas investiu na exportação dos famosos vinhos desta ilha grega para a região de Odessa, na Ucrânia, banhada pelo Mar Negro. Na década de 1950, quando Manos Psychas, um oficial da marinha nascido já em solo ucraniano, chega àquela que foi, durante anos, a residência dos seus antepassados fica chocado com o que encontra.

A propriedade, com uma fabulosa e idílica vista para o azul das águas da caldeira do vulcão da ilha, destruída por um tremor de terra, está ao abandono. Determinado a estabelecer-se naquele local com a mulher, Nadia, o militar decide adquirir algumas das casas escavadas nas rochas e nos estábulos, também eles degradados, de Perivolas, uma área de vinhas e pomares sobranceira ao mar.

A ideia inicial é criar um refúgio familiar mas, à medida que o seu sonho vai ganhando forma, o enclave privado transforma-se numa propriedade sedutora que começa atrair um número crescente de convidados e curiosos. Nos dias que correm, o Perivolas transformou-se numa das mais atrativas unidades hoteleiras de Santorini. «É um local de sonho para a alma», elogiou já a revista Condé Nast Traveler.

«É um trabalho de amor», considera também Patricia Schultz, autora do livro de viagens «1.000 places to see before you die», publicado pela editora Workman em 2003. Uma obra que reúne os mil sítios a visitar antes de morrer que a autora elegeu. Em 2009, a conceituada revista Tatler incluiu-o também na lista dos 101 melhores hotéis do mundo. A sua piscina, com uma vista sublime, é uma das mais fotografadas.

Formas orgânicas e suaves com vista para o azul do Mar Egeu

Inicialmente usado para habitação familiar, o Perivolas continua a ser um local acolhedor e intimista. Faz, aliás, gáudio disso. As 20 habitações, todas elas diferentes e com vista de mar, recuperam o espírito arquitetónico das casas brancas escavadas nas rochas que ainda hoje povoam Santorini. Além de elementos de artesanato locais, incorporam traços do estilo decorativo das Cíclades, com formas orgânicas e suaves.

As paredes são de pedra uniformizada e aclarada, os tetos rebaixados e as camas, muito confortáveis, construídas em alcovas. Flores colhidas à mão, sofás baixos, tapetes tecidos manualmente e almofadas coloridas em tons de fúchsia e lilás são outros dos apontamentos distintivos da decoração minimalista que, para privilegiar o descanso e a evasão, até dispensou as televisões dos quartos.

«Perivolas é o símbolo do luxo descontraído. Edificado sobre um penhasco com vista para o Mar Egeu, este refúgio de escape íntimo foi concebido para ser um local onde se pode esquecer do resto do mundo. Construído ao estilo de um anfiteatro, a sua localização escalonada combina expansivas vistas com o luxo da tranquilidade absoluta», pode ler-se nos folhetos disponibilizados no interior das habitações.

Situado a escassos metros do centro de Oia, que muitos consideram uma das localidades mais belas de toda a Grécia e a mais romântica e deslumbrante de Santorini, é o local perfeito para partir à descoberta da ilha. Além de Fira, a capital, locais como Imerovigli, Pyrgos e Perissa são de passagem obrigatória. O passeio de barco ao vulcão local impõe-se. As muitas adegas que existem no seu território também merecem um desvio.

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Um luxo reservado a poucos

É muito provável que já a tenha visto em capas de revistas ou de catálogos de viagens. A piscina infinita do Perivolas é uma das mais escolhidas para ilustrar as belezas naturais da ilha. «Um santuário paradisíaco», como o descreveu a Condé Nast Traveler. Antes ou depois de a experimentar, é junto a ela que se delicia com um pequeno-almoço de exceção no restaurante do hotel, também ele escavado na rocha.

A antiga adega da propriedade foi convertida num espaço de restauração que, ao almoço e ao jantar, serve uma cozinha grega de autor com um toque de paladar da gastronomia mediterrânea, idealizada pelo chef Nena Ismyrnoglou e materializada pelo chef Fotis Roufas. Aberta desde 1983, esta unidade hoteleira, que encerra anualmente entre novembro e março, dispõe ainda de um requintado spa e de um ginásio.

O privilegio de assistir ao pôr do sol no terraço privativo que cada uma das habitações tem, fugindo assim à confusão de turistas, máquinas fotográficas, telemóveis e de selfie sticks que se acotovelam nos pontos que os diferentes guias turísticos garantem oferecer «a melhor vista do mundo» é, todavia, um dos maiores luxos que o Perivolas oferece, como comprovámos enquanto nos deliciávamos com um copo de vinho doce da região.

Os preços, esses, à semelhança dos praticados no resto da ilha, não são, no entanto, dos mais acessíveis. Em época baixa, as habitações custam, em média, consoante a sua tipologia, entre os 520 € e os 1.900 €. Nos meses de maior procura, esses números sobem para valores que oscilam entre os 650 € e os 2.500 €. Além do pequeno-almoço, os transferes do e para o porto e/ou o aeroporto também estão incluídos no preço.

Texto: Luis Batista Gonçalves com Enrique Menossi, William Abranowicz e Timos Tsoukalas (fotografias)