“O Abajur Lilás”, de Plínio Marcos, é o título da primeira coprodução entre o Centro Dramático de Évora (Cendrev) e A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra, que estreia, no dia 19, na cidade alentejana.

A peça baseia-se no texto do brasileiro Plínio Marcos (1935-1999), que está “escrito num português amplo” e “é uma poderosa metáfora das diferentes formas de reagir em contextos de opressão”, adiantou hoje o Cendrev.

Esta é a primeira coprodução envolvendo o Cendrev e A Escola da Noite, com estreia agendada para dia 19 no centenário Teatro Garcia de Resende, em Évora, mantendo-se em cena até dia 28 deste mês.

Depois, “O Abajur Lilás”, que tem direção de António Augusto Barros, ruma ao Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, onde vai ser representado de 16 a 27 de maio e de 21 de junho a 01 de julho.

A peça relata a “história intemporal da opressão entre indivíduos e das diferentes formas, sempre complexas e multifacetadas, que estes encontram para ligar com ela”, como o individualismo, o pragmatismo ou a revolta, negação, esperança e desespero.

A trama inclui três prostitutas, “Dilma, Célia e Leninha”, que partilham o quarto onde vivem e trabalham.

Só que “Giro”, o proprietário, acha que são pouco produtivas e exerce sobre elas as formas de pressão e de motivação que conhece, com a ajuda de “Osvaldo”, uma espécie de secretário musculado.

“As relações entre as cinco personagens evoluem tragicamente, a partir do momento em que se quebra o abajur que iluminava o quarto”, resumiu o Cendrev.

Segundo a companhia profissional de teatro alentejana, a linguagem utilizada (o calão da cidade de Santos, São Paulo, de onde Plínio era natural) e a alegada obscenidade do texto foram argumentos da censura brasileira para, em duas vezes, proibir a estreia do espetáculo.

Plínio Marcos ironizava com a situação e com o facto de ter vários dos seus textos proibidos.

“O desafio aos censores e ao poder instituído é bem mais profundo, no entanto, do que a mera utilização de uma linguagem popular ou a apresentação de situações de miséria material e humana”, destacou a companhia.

Para o Cendrev, “numa sociedade em que a violência física e verbal está difundida e banalizada até ao ponto da indiferença”, é precisamente essa a “profundidade da obra de Plínio que mais toca, quase 40 anos depois da sua escrita”.

“Nenhuma censura consegue pôr cobro a essa reflexão, nenhuma forma de opressão – política, social ou económica, mais assumida ou mais nebulosa – lhe escapa”, acrescentou.

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