Mais tarde, neste mesmo dia, a tempestade tropical Leslie tocará Portugal. Uma violência de vento e de chuva que não parece ter a concordância da manhã soalheira de Mora. Por hora, não é nas alturas, no céu azul fresco, pasto para rebanhos de pequenas nuvens, que há convulsão. É rente aos telhados do casario branco, aninhado na vila alentejana, que se vive agitação. Um afã desenhado por centenas de pequenos corpos, pontos negros à distância, num bailado aparentemente sem sentido.

“Estão a juntar-se para a migração”, enfatiza a um par de metros Jaime Pires, munido de máquina fotográfica com objetiva ostensiva. O proprietário do Hotel Solar dos Lilases tem, desde a sala de refeições onde nos encontramos, posto privilegiado sobre os campos em torno. Uma paisagem de montado, fazendo do sobreiro, da azinheira e do olival imperadores. Jaime, nascido no concelho alentejano de Mértola, conheceu a agitação de muitos anos a laborar na área informática em Lisboa. Há dez anos adquiriu e recuperou o Hotel Solar dos Lilases. Um empreendedor que tem na ornitologia uma das suas paixões. “Vê-as, são andorinhas. Agora repare, as cores são espantosas, veja os azuis no peito”. Com Jaime percebemos que há todo um sentido neste voo rasante das andorinhas, bordejando os beirais. “Caçam pequenos insetos, estão a alimentar-se antes de partirem de viagem”.

Mora: Perdoem-nos os peixinhos do Fluviário, mas desta vez os protagonistas têm 8 mil anos de história
Passadiço rente à Ribeira de Raia. Mais de um quilómetro de estreito convívio com a fauna e flora do território.

Com Jaime, ficamos na manhã outonal, inteirados de que Mora é um dos lugares em território nacional com mais aves, depois de Sagres, na ponta sudoeste do Algarve. Região com alguns exemplares raros como o atestou a perseverança do proprietário do Solar dos Lilases: “Certa vez andei três meses a correr uma ribeira à procura de um Borralho. E encontrei-o”.

Argumentos que fazem da região um santuário para os observadores de avifauna. Há condições locais que o explicam, com a presença de arrozais e de muita água, retida nas barragens, como as do Gameiro, Maranhão e, mais distante, a de Montargil.

Água significa uma flora abundante, esta atrai insetos e, naturalmente, estes servem de supimpa petiscada aos passarocos. Jaime Pires explica-nos com deleite estas relações de cumplicidade na natureza. Factos que exigem paciência e tempo para os perceber. Como o que teve um norte-americano que se interessou por este concelho alentejano, distrito de Évora, maravilhando-se e alertando para a diversidade de flores nos campos da região. “Só flores de tonalidade amarela, encontramos dezenas de diferentes espécies”, sublinha o nosso anfitrião.

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Imponente, a Igreja Matriz de Pavia.

Uma diversidade biológica que se traduz num verdeiro prontuário da avifauna local, com o pardal, cartaxo, pintassilgo, bico-grossudo, maçarico, pato-real, ´marrequinha`, milhafre, águia de cabeça redonda, águia calçada, peneireiro, abutre, grifos e as nossas amigas andorinhas. “Sabe, só de andorinhas há cinco espécies identificadas no nosso país. Por exemplo, as dos beirais, das chaminés, das barreiras e das rochas. E gaivotas? Olhamo-las sem interesse mas são animais incríveis. Identificamos mais de 50 padrões de cinza nas penas. Servem mesmo como escala de cores”.

Um labor que exige registo. “Sabe, só existe se estiver registado”, enfatiza Jaime. Um facto que podemos extrapolar para qualquer outra realidade. Mora, concelho com perto de quatro mil habitantes, distribuídos em quatro freguesias (Mora, Pavia, Brotas e Cabeção) sabe-o o bem. Há 11 anos entrava no mapa da curiosidade nacional quando anunciava a abertura do primeiro Fluviário da Europa. Mais de uma década volvida, 800 mil visitantes depois, não há como dissociar a palavra Fluviário do termo que se lhe cola à pela, Mora. Uma casa para dezenas de espécies de rio e que, a dois tempos, serve para alertar para a diversidade nacional no que toca a variedade piscícolas nos ambientes das ribeiras, rios, barragens, entre outros ecossistemas, e um despertar das consciências para as ameaças que pairam sobre estes mesmos ambientes e seus habitantes.

Seria expetável para o leitor prosseguir aqui a verve discorrendo sobre este Fluviário, detendo-se nas brincadeiras do casal de lontras europeias, nos tanques que reproduzem fielmente a fauna e flora aquáticas, nos esforços concertados, por exemplo com a Universidade de Évora para devolver ao habitat natural o Saramugo, pequeno peixe da bacia fluvial do Guadiana, quase extinto.

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O Fluviário de Mora, inaugurado há 11 anos, já recebeu perto de 800 mil visitantes.

Ao contrário das expetativas e levando à letra as palavras matinais de Jaime, “só existe se estiver registado”, vamos empreender viagem noutra direção. O Fluviário e o seu Parque do Gameiro com um passadiço de mais de um quilómetro ao corrente da Ribeira de Raia com os seus salgueiros, freixos, loendros, têm o seu cantinho reservado nas afeições dos portugueses.

Nas pedras também há vida

A viagem faz-se desde o Fluviário até à sede de concelho, percorrendo pomares de pessegueiros. Um produto que associamos à região Oeste, tocada pelas brisas atlânticas, e que aqui encontra uma maturação mais rápida. Razão para empresas sediadas próximo ao litoral aqui, neste interior, encontrarem condições de produção que permitem antecipar a colocação da fruta no mercado. Uma valia que ganha com o regadio da barragem de Maranhão.

De momento, o nosso objetivo é Mora e uma estrutura que merece registo para memória futura. O Megalitismo, assim dito, pode não traduzir termo enfático neste nosso tão tecnológico século XXI. Megalitismo é pré-história e aconchega uma prole de outros termos a que iremos dar sentido. Dólmen, anta, mamoa, cromeleque.

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Representação da construção de um cromeleque. Uma reprodução que nos leva para o quotidiano de há milhares de anos. Maqueta no Museu Interativo do Megalitismo, em Mora.

Já este 2018, o concelho de Mora inaugurou, numa antiga estação ferroviária, o Museu Interativo do Megalitismo. Uma valência que é mais do que um museu, é um convite, através dos artefactos, a convivermos com as populações que desde há oito mil anos habitaram a região. Território onde, mais tarde, se estabeleceriam fronteiras e, com estas, os limites do concelho de Mora. É Daniela Anselmo, guia do Núcleo do Megalitismo, atualmente a frequentar o mestrado de antropologia física, que connosco faz esta viagem retrospetiva. Um périplo que nos permite perceber como há vida por detrás das centenas de pedras vetustas em exposição. São, antes, veneráveis testemunhos do passado.

Para o visitante, a viagem arranca com um filme em três dimensões, visionado no auditório do museu, e que nos impele para o quotidiano do Neolítico ibérico. Na película, as crianças brincam, os anciãos narram as epopeias da época e transmitem saber, os homens caçam e pescam, as mulheres laboram na comunidade.

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Um desafio a todos os visitantes do Museu Interativo do Megalitismo. O que representam estes dois objetos do Neolítico?

Em filme, o milagre de insuflar de vida o périplo que fazemos nos meandros do museu. Cenário singular, com centenas de estrados de madeiras em simulação dos substratos históricos que nos trazem deste passado, com oito mil anos, para a interatividade do museu do presente.

Daniela explica-nos, “são populações que aqui chegaram fixando-se nas planícies onde produziam a sua agricultura”. Uma presença que percorreu milhares de anos para se substanciar, atualmente, em traços vincados no território. É sem dificuldade que ao percorrermos a região deparamo-nos com antas, “os monumentos funerários, por vezes acolhendo centenas de corpos que, quando cobertos de terra, quais colinas, têm o nome de mamoas”. Assim como cromeleques, marcos rochosos dispostos na vertical, em alinhamentos com dezenas de pedras em fiadas apontando ao equinócio. “Um símbolo de mudança. Aqui na região não se encontraram artefactos nestas estruturas, ao contrário do que acontece com as antas”.

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Maqueta com a representação de uma povoação do Neolítico.

Passeamos na ala do Núcleo dedicada à “Morte “, percebendo como na época havia a preocupação com o cuidar do corpo e nos artefactos que o acompanhavam, “contas de colar, pontas de seta”, sublinha Daniela. Da “Morte” para a “Vida” e a forma como esta se consubstancia, o Núcleo do Megalitismo reproduz em maqueta o povoado da Barroca, com sete a oito mil anos. E do pó renasce no presente a arquitetura de uma cabana, com o seu telhado de troncos entrelaçados cobertos de palha, fachadas em madeira coberta de barro. Artefactos de pedra polida, como machados e enxós, outros de pedra lascada, como setas e lâminas de uso diverso.

Pavia, Namora e as cusquices de Umbelina

A cerca de 15 quilómetros da sede de concelho, Pavia, reserva-nos outro argumento para surpresa, humana e patrimonial. Um primeiro olhar, no Largo dos Combatentes da Grande Guerra, a Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia, figura nascida na terra, em 1907, desenhador, aguarelista e ilustrador neorrealista, atualmente com uma interessante mostra do seu espólio patente no museu que lhe é dedicado.

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Casas em Pavia. Salientam-se as imponentes chaminés.

Pavia, localidade com perto de 900 habitantes, rodeada dos silêncios dos grandes horizontes alentejanos, dá-nos, com tempo para a descobrir, uma lição de toda a perda advinda das viagens em modo via rápida. Um par de horas da nossa atenção e encontramos, sob a fina camada do óbvio, nomes e história onde não os suspeitávamos. Um exemplo, no Terreiro, contíguo à Casa Museu, uma anta com mais de cinco mil anos aconchega a Capela de São Dinis, monumento nacional, erigido no século XVII.

Já dentro de portas, na Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia, somos acolhidos por Joaquim Matos, da Associação criada para salvaguardar a obra e memória do artista paivense. Acompanha o nosso anfitrião, Custódia Casanova, professora, uma apaixonada pela história local, autora do livro “Pavia, Meu Encanto, Minha Aldeia é Todo o Mundo” (edições Colibri). É com a omnipresença de aguarelas e gravuras assinadas por Manuel de Pavia que percebemos a riqueza da freguesia, com mais de 230 monumentos megalíticos, “alguns ainda virgens, ao coberto das mamoas”. O espólio do Neolítico presente no museu é apenas uma parte daquele contido em “43 caixas com vestígios arqueológicos que ´moram´ no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, e que aguardam retornar ao concelho de Mora”, como nos alerta Joaquim Matos.

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Pormenor da fachada da casa onde viveu, em Pavia, Fernando Namora.

É com Custódia Casanova que fazemos a ligação entre o escaparate presente no Museu com obras, entre outras dos escritores Alves Redol e Fernando Namora e a presença deste último em Pavia. Aqui, na localidade que já foi sede de concelho, viveu o autor de “Retalhos da Vida de um Médico”. Na vila alentejana, inspirou-se Namora para uma das suas obras maiores “O Trigo e o Joio”. Na companhia de Custódia, franqueamos as portas do Museu e percorremos duas centenas de metros de malha urbana, no rasto do escritor português. Logo, aqui, à saída do núcleo expositivo, o “Largo das Esperas, onde os homens vinham oferecer-se aos lavradores para o trabalho nos campos”, fundamenta a nossa interlocutora.

A poucos metros, num passeio que não exige caminho com montada, chegamos ao edifício onde em tempos esteve instalada a Câmara Municipal, também prisão. Isto sob a presença tutelar da alta Torre do Relógio e na proximidade do antigo edifício da Misericórdia. Na vila com uma só rua, como a descreveu Namora, não é difícil encontrar a casa de Dona Umbelina, figura que o escritor verteu para a sua obra, a partir de Dona Quitéria. “Namora viveu na casa em frente e não lhe era difícil observar o dia-a-dia da habitante”, comenta em tom vivaz Custódia, acrescentando, “o escritor também pintava e tem um quadro que retrata toda a vila, desde o Solar”. É deste ponto elevado que abarcamos parte considerável do casario. Avultam as chaminés poderosas, pesando sobre as casas modestas, “só havia a divisão de fora, com a cozinha e sala, e a de dentro, com o quarto”, consubstancia-nos a historiadora local.

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Edifício onde em tempos se acomodou a Câmara Municipal de Pavia, assim como a prisão.

Embalados pela tarde morna (A Leslie ainda vai demorar), tocamos, a passo, o ápice de Pavia, a sua Igreja Matriz (ou Igreja Matriz de São Paulo), datando do século XVI, reconstruída após o Terramoto de 1755. Templo que nos recorda no traçado uma igreja fortaleza. Alvo corpo poderoso, com silhueta acastelada, defendida por torres cilíndricas. No âmago da estrutura, o retábulo representando a Conversão de São Paulo. A oportunidade de retemperamos forças. Vem aí a janta. Antes, um périplo de 20 quilómetros de estrada até Brotas.

Em Brotas se fez lenda e com ela a Virgem sem um braço

Não há como dissimular a surpresa, chegados a Brotas, face ao cenário que se depara ao viajante no núcleo antigo da aldeia (a parte baixa da localidade). Componha-se o quadro: duas fileiras de casario aconchegam-se paralelas no vale, frente a frente. Ladeiam uma rua larga que termina em largo. E, numa fiel reprodução de um altar em templo Cristão, o Santuário de Nossa Senhora de Brotas, aqui está. Crescendo nas alturas, de faces alvas contra um céu de chumbo. A chuva anuncia-se e Brotas recolhe-se dentro de portas.

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Santuário Mariano em Brotas.

Aguarda-nos Maria do Rosário, apaixonada pela aldeia, sua história e a empreendedora que explora para turismo de habitação alguns dos antigos estabelecimentos que serviam de albergue aos milhares de peregrinos que, em tempos (hoje em dia também) aqui se dirigiam. Casas de Confraria como eram conhecidas, a de Palmela, de Lavre, de Setúbal, de Mora, de Cabeção, de Cabrela, entre outras. Nomes que ganham posteridade nas casas exploradas por Maria. É ela, nossa anfitriã, que nos conta a lenda de Nossa Senhora de Brotas.

Uma narrativa espicaçada pela imagem de Santa sem um braço. Há uma razão, escutemos Maria: “Há muito tempo um pastor viu uma das suas vacas cair numa cova funda. Desesperado com a perda do seu sustento, rogou ajuda à Virgem. Logo começou a esventrar o animal. Quando lhe cortava uma das patas, apareceu-lhe Nossa Senhora, prometendo-lhe ajuda caso ali se construísse uma capela. Cumprindo-se o destinado, encontrou o pastor a vaca sã. Da pata arrancada ao animal talhou-se a imagem de Nossa Senhora de Brotas”.

Brotas, topónimo que chegou longe. “No Brasil há 11 localidades com o nome de Brotas”, sublinha Maria do Rosário. Aqui, neste Alentejo interior, “chegavam a juntar-se oito mil pessoas frente ao altar Mariano na fachada frontal da igreja”, onde sobe imponente a Torre das Águias.

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Comeres: Onde o sazonal não precisa de ser justificado

Não há como lhe negar o direito à palavra quando chegados ao item comeres. Estamos no Alentejo, bastião de uma cozinha que tem resistido ao tempo e, grosso modo, a contaminações (não as de segurança alimentar, as outras, dos papagueados da cozinha da moda). De uma mesa que nasceu do dia-a-dia, na singularidade do território e que, de recursos parcos, fez uma cozinha diversa e com sentido. Não chegamos a Mora na expetativa de encontrar cozinha de autor como hoje em dia se apregoa, muito menos na necessidade de ouvir a frase “temos uma estreita proximidade com os fornecedores” ou “promovemos a cozinha assente no produto sazonal”. Isto porque sabemos que eles, os produtos, estão mesmo aqui e sediados nas suas respetivas estações do ano. Não é preciso muito mais.

Faz-se magia com pão, azeite, alho e uma golpada de água. Redobra-se a magia com ovo, bacalhau e uma boa carne de porco alentejano. Vai-se mais longe com um tempero de massa de pimentão, umas folhas de louro e umas ervas do campo. Quem já provou poejo sabe do que falamos. E se lhe juntarmos uns figos, uma boa carne de borrego ou cabrito, rematando com um doce local, uma Sericaia e umas Ameixas de Elvas, de longo labor, perfeito.

Isto para dizer que em quatro momentos provamos o concelho de Mora. No restaurante O António, com um ensopado de veado de carne tenra e molho suculento de ervinhas; no restaurante do Fluviário de Mora, onde cai a preceito uma açorda quente, de pão bem embebido no alhinho e no coentro, vertendo sobre uma posta de “fiel amigo”. A acrescer, uns figos frescos a casar em doçura com o sal do caldo. Também para memória futura, em Brotas, O Poço. Restaurante de comer regional, fazendo justiça aos enchidos alentejanos e a um duo irrecusável: uma sopa de tomate e uma carne de porco de alguidar com migas, ambas a pedirem repetição.  Em Pavia, O Forno, onde casa bem com o palato uma sopa de cação, de bom tempero e um cabritinho assado no forno, sem que lhe faltem as batatas e umas migas. A não desmerecer um elenco de sobremesas, a Encharcada ou um Tecolameco.

A Leslie chega. Há vento, moderado, alguma chuva, que todos agradecem. Por aqui a tempestade tropical é branda. Já não vai encontrar as andorinhas. Jaime Pires já nos havia alertado: “elas sabem quando têm de partir. Percebem a chuva”.

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