A decisão do Reino Unido de impor desde domingo uma quarentena a todos os passageiros provenientes da Espanha caiu como um balde de água fria no país, que tem os britânicos como principal contingente de turistas estrangeiros, com mais de 18 milhões em 2019.

"É um golpe muito duro (...) Para agosto, havia uma esperança de pelo menos salvar os móveis", resumiu esta segunda-feira o presidente da região de Valência (leste), Ximo Puig.

Alguns destinos turísticos da região, como a cidade de Benidorm, contam com até 40% de clientes britânicos.

A notícia veio justamente quando "tínhamos expectativas positivas para as próximas semanas, com o aumento das reservas, embora longe do que seria normal nesta época do ano", lamentou a gerência da Valencia Hosbec.

"Já há cancelamentos. Ninguém vai passar uma semana de férias e depois passar 14 dias trancado em casa", disse à AFP Emilio Gallego, secretário geral da Federação Espanhola de Hospitalidade.

A Exceltur, outra empregadora do setor, estima que a quarentena britânica pode custar 8,7 mil milhões de euros entre agosto e setembro para o setor, que previa redução da sua faturação para metade em 2020.

Ciente do impacto na economia, que deve 12% da sua riqueza e 13% dos seus empregos ao turismo, o governo espanhol trabalhou para que Londres excluísse da quarentena os passageiros dos arquipélagos das Canárias e das Baleares, onde a incidência do vírus é tão baixa que o operador turístico TUI decidiu manter os pacotes de férias para os clientes do Reino Unido.

As regiões da Andaluzia e Valência, altamente dependentes destes visitantes, também pediram a criação de corredores aéreos seguros nas Ilhas Britânicas.

A Espanha esforçou-se para recuperar a confiança dos turistas e estabelecer-se como um destino seguro.

Desde abril, o momento mais difícil do confinamento, os destinos costeiros desenvolveram uma ampla e dispendiosa gama de medidas: desde o estabelecimento de divisórias nas praias ou o uso de drones para monitorar o seu cumprimento, até à instalação de capachos impregnados com desinfetante ou a realização de testes rápidos em hotéis.

Porém, quando a epidemia parecia estar sob controle após um confinamento mais severo do que nos países vizinhos, as infecções por coronavírus começaram a aumentar rapidamente, triplicando em duas semanas.

Nos últimos 14 dias, Espanha contabilizava 40 novos casos por 100.000 habitantes, contra 15 no Reino Unido e França ou 8 na Alemanha, segundo um cálculo feito pela AFP com base em dados oficiais.

Por outro lado, em termos de óbitos, com 26 nas últimas duas semanas, está em melhor situação do que o Reino Unido (816).

A situação varia por região. Aragão e Catalunha, no nordeste, acumulam a maioria das infecções, enquanto Andaluzia e Valência mostram uma evolução mais positiva.

Perante a recomendação do governo francês de não viajar para a Catalunha, o presidente desta região, Quim Torra, garantiu esta segunda-feira que "destinos importantes como a Costa Brava ou a Costa Dorada (...) não são afetados (pelo vírus) e pode-se viajar com segurança".

Mas admitiu que a situação é "crítica" em Barcelona ou Lérida (150 km a oeste), onde os cidadãos são aconselhados a ficar em casa.

A Confederação Espanhola de Hotéis (CEHAT) denunciou uma situação "injusta (...) e totalmente ilógica" e defendeu que os estabelecimentos espanhóis têm os "protocolos mais rigorosos da Europa".

Também pediu medidas "cirúrgicas" para conter contágios localmente e pediu que os turistas passem por testes de diagnóstico antes e depois da viagem para evitar estas quarentenas.

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