O Parque dos Labirintos acolhe, até 31 de outubro, mais uma edição excecional, a 11ª, do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima. Uma mostra paisagística que integra encantados e delicados jardins efémeros. São onze, para além do vencedor da edição de 2014, «Olhar o Minho», com o tema «a Água no jardim» como inspiração. Este ano, pela primeira vez, o evento foi aberto o concurso às crianças do ensino básico. Todas as escolas do concelho aderiram com as mais interessantes propostas, sendo escolhidos doze jardins.

O tema era livre mas alunos e professores centraram-se nas suas freguesias, dando destaque ao mundo rural, aos usos e costumes da região, ao ambiente, à geografia local e à toponímia para, a partir daí, construírem um jardim que melhor representasse a sua freguesia, mas também a região onde se inserem. Nasceu assim e aqui o I Festival de Jardins Escolinhas de Ponte de Lima.

O parque, nas margens do rio Lima, com uma vertente marcadamente cultural, acolhe ilhotas de jardins, imagens poéticas, invenções surpreendentes, este ano agrupadas em volta do tema da água e da geografia local, nos jardins das crianças. Segundo o presidente da autarquia, Victor Mendes, com este evento, concretizou-se um dos principais objetivos do festival, que é o de «conferir um contributo pedagógico, de mobilização e de sensibilização da população, sobretudo das camadas mais jovens, para a arte dos jardins e para os problemas ambientais».

Deste modo, segundo o autarca, é possível garantir «um desenvolvimento sustentável do concelho». O parque com a diversidade dos seus jardins é um local de harmonia, de descoberta, também de provocação, de extravagância botânica e técnica, para, através dos estímulos visuais, proporcionados por artistas e paisagistas, sermos levados a respeitar e a celebrar a natureza. Veja a galeria de imagens que reúne algumas das criações em exposição este ano.

A água como o espírito secreto dos Jardins

O rio Lima sugere o tema deste ano, mas também as preocupações ambientais. As alterações climáticas obrigam-nos a uma gestão rigorosa da água doce, um recurso sempre ameaçado e imprescindível para a vida no planeta.

O jardim, um pequeno ecossistema, não pode salvar o mundo, mas através da arte, da sua força estética, da inovação artística, este pequeno gigante, poderá ser um motor de reorganização do nosso pensamento e da nossa maneira de estar no planeta. A água, representando a infinidade dos possíveis, está expressa nestes múltiplos jardins, a visitar até 31 outubro.

A globalização através dos jardins

Mais internacional que nunca, a 11ª edição do festival recebeu 43 propostas provenientes de 14 países, das quais foram selecionadas onze. Além de Portugal, chegaram projetos de países como a Argentina, a Áustria, o Brasil, a China, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Polónia, República Checa e Sérvia. Portugal ocupa o primeiro lugar em propostas enviadas e Espanha o segundo.

Juntamente com o Festival de Chaumont-sur-Loire em França, o Festival der Gärten na região de Kamptal na Áustria e o Chelsea Garden Flower Show em Londres, o Festival de Ponte de Lima forma uma rede europeia de festivais de jardins. O objetivo desta iniciativa visa criar condições para a fixação das populações, para a dinamização do comércio local, sensibilização relativamente aos jardins históricos e restante património, e potenciar o turismo. No âmbito do Prémio Europeu de Turismo e ambiente, o concelho de Ponte de Lima foi incluído na lista dos oito melhores destinos europeus.

Veja na página seguinte: As 11 propostas selecionadas para a 11ª edição do festival

Criações globais que personificam conceitos ambientais diferenciadores

As 11 propostas selecionadas para a 11ª edição do festival são:

- «Água Domesticada» de Martina Zimmermannova de Petr Slovak e David Sterba da República Checa.

- «H2O» de João Jadão, Juliana Freitas, Ricardo Oliveira e Cid Carvalho do Brasil.

- «O Jardim do Ciclo da Água de Annapurna», um projecto de Keith Double e Paul da Irlanda.

- «Jardim dos Vendavais de Greta Parri» de Virgínia Neri e Cláudia Parisi de Itália.

- «Make a Wish» de Ana Catarina Teixeira, Ana Luísa Martins, Beatriz Truta, Maria Francisca Araújo, Sara Costa e Telma Coutinho de Portugal.

- Aquário - Pedaço de Vida Subaquática» de Ilona Kubala da Polónia.

- «Água, Um Ano no Jardim» de Ana Luísa Paulo, Ana Duarte, Cristina Vaz Lopes, Gonçalo Alegre, Luísa Morais Ferreira, Marta Tavares, Marta Trindade e Nuno Frederico de Portugal.

- «A Casa da Água» de Luliana Pavalan e Oa Bescos de Espanha.

- «Jardim Sensorial» de Álvaro Pereira, Luís Filipe Neto, Filipa Trigoso, Raquel Frias e Sofia Ferreira de Portugal.

- «Le Jardin Fa d’eau» dos Jardiniers Nomades, Arnaud Mermet-Gerlat, Stanislas Chuzeville, Michael Tourdonnet, Florin Michel e Richard Mariotte, de França.

- «Reflexos Infinitos» da Boku University, representada por Madalina Pop, Iulia Pripon, Philipp Rehberger, Roland Wuck e Angelika Lutz, da Áustria.

Distinções e visitantes no ano passado

O festival recebeu mais de 105.000 visitantes em 2014 e, em 2013, recebeu a distinção internacional de Festival do Ano 2013, no âmbito do prémio Garden Tourism Awards, atribuída no Canadá. O tema para 2016, entretanto anunciado, é «Jardins do conhecimento», pelo que se avizinham muitas criações tecnológicas.

Texto: Elsa Matos Severino com Câmara Municipal de Ponte de Lima (fotografias)

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