No último artigo discutiu-se o conceito de era astrológica e o que significava a Era de Aquário. Vamos portanto elaborar e desenvolver essa temática que será o ponto de partida para o estudo dos movimentos astrológicos que afectam a humanidade.

Cada era astrológica define uma temática de desenvolvimento particular para o colectivo. O signo dessa era descreve as qualidades arquetípicas a serem integradas no colectivo. A Era de Aquário é colorida por aquilo que definimos como Consciência Grupal.

A humanidade está na sua grande maioria centrada num estado de consciência que se pode denominadar por Consciência de Massa. Neste estado, o ser humano está maioritariamente condicionado pela sua herança genética, familiar, cultural e racial. Os desejos da sua personalidade têm como foco uma segurança quase biológica – bem estar, familia, relações afectivas básicas, etc.

Para se chegar ao estado de consciência grupal, terá de haver um trabalho de individualização destes condicionamentos básicos, de caracter instintivo-biológico, e uma vivência de processos de estruturação e transformação da personalidade.

Só assim se pode desenvolver um entendimento humano e empático que permita ao indivíduo ter a percepção do seu papel e responsabilidade no colectivo humano.

Para que seja possível a passagem do nível de massa para o grupal é necessário um nível intermédio: a Autoconsciência.

A autoconsciência implica uma centragem do indivíduo em si mesmo e nos seus desejos pessoais. Esta focalização no eu tem de ter uma intensidade tal que permita a sua diferenciação do fluxo da massa. Neste processo, o indivíduo destaca-se do seu conteúdo familiar, racial e nacional, tornando-se o principal impulsionador do seu próprio destino.

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Hoje em dia, o número de indivíduos autoconscientes está em constante crescimento. Dando origem à importância do indivíduo que está patente, por exemplo, em todos os anúncios de televisão. Ao nível internacional, há uma forte apelo para a individualização e para a identidade cultural de cada país.

Esta autoconsciência acarreta uma fase de egocentrismo e egoísmo bastante notórias e marcantes, mas infelizmente são um mal necessário para que o processo de individualização possa ser potenciado. No entanto este facto não deve nem pode servir de desculpa para nada. É indesejável que um ser humano permaneça demasiado tempo nesta fase, pois é só um degrau no processo e não um fim em si.

Ao ser integrado todo este processo e ao obtermos uma humanidade autoconsciente, vamos também poder obter uma atitude saudável e correcta em relação às dinâmicas de grupo.

Actualmente, o grupo e o espírito pesudo-aquariano apenas servem de desculpa para permissividades e aceitação indiscriminada de conceitos completamente caóticos da espiritualidade, esoterismo e metafísica. Servem de desculpa para uma incapacidade de estar consigo mesmo, que é projectada para os grupos, que assim se transformam em lugares de refúgio para personalidades desconexas, em vez de unidades estruturadas de serviço e desenvolvimento humano.

Contudo, apesar de todos estes obstáculos e deformidades do processo de desenvolvimento humano, é visível uma tendência de fundo para a actuação grupal.

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Cada vez mais a “aldeia global” é uma realidade. Apesar de algumas xenofobias, a aceitação das múltiplas culturas humanas é cada vez maior. Há fortes impulsos económicos e políticos para a criação de grupos internacionais. Temos também toda a acção de organizações não governamentais que, sob tutela da ONU, tentam incutir no colectivo a discussão e implementação de principios e condutas verdadeiramente humanas.

Estamos numa era de mudanças e transformações. Estas não estão apenas relacionadas com desenvolvimento tecnológico, mas com o crescimento da humanidade em termos de consciência. Só a consciência pode solucionar a actual irresponsabilidade humana face a si mesma e ao planeta.

No próximo artigo iremos analizar os enquadramentos astrológicos actuais e o seu significado perante o colectivo em transformação.

por Luis Ribeiro


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