Numa primeira abordagem, a Astrologia e a Astronomia parecem estudar os mesmos fenómenos: estrelas, planetas e outros corpos celestes. Assim acontece, de facto. Existe, porém, uma diferença fundamental: a Astronomia estuda os aspectos físicos, objectivos e materiais dos corpos celestes, enquanto a Astrologia estuda o seu aspecto simbólico e mitológico e, sobretudo, a sua interacção com o modelo humano. É nesta dicotomia que reside a muito conhecida polémica daqueles que se atrevem a acusar a astrologia de coisa falsa. Regra geral, essas críticas são feitas por pessoas que nada sabem de astrologia, ou sabem apenas aquilo que as revistas e jornais divulgam que é «quase nada», em termos astrológicos.

Deixem-me dar-vos um exemplo que todos compreenderão: como posso comparar uma canja de galinha com um arroz de cabidela, que como sabem é feita com galinha ou frango? É possível esta comparação? Não. Como este texto não é para discutir as diferenças entre Astronomia e Astrologia, nem vou continuar por este caminho.

Num mapa astrológico estão representados dez corpos celestes genericamente designados por "planetas". Oito deles são, de facto, planetas: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano, Neptuno e Plutão. Fazem parte do Sistema Solar, tal como a própria Terra. Quanto aos outros dois objectos celestes, chamados 'planetas' em astrologia, temos: o Sol, que é uma estrela, como todos sabemos; e a Lua que é o satélite do nosso planeta. Estes dois corpos celestes, em astrologia, recebem a designação de luminárias, por emitirem luz. No entanto, por uma questão prática, dizemos que são planetas.

Veja a continuação do artigo na página seguinte

Alguns astrólogos utilizam também o planeta Terra como factor de interpretação. Outros incluem no mapa corpos celestes não planetários, nomeadamente, estrelas fixas, asteróides e planetóides, dos quais Quíron é o mais conhecido e comentado. No simbolismo astrológico, os planetas representam diversas funções ou aspectos da natureza humana, de acordo com a sua posição relativa no Sistema Solar e de acordo com a mitologia que lhe está associada.

Diz-se que um planeta "está" num determinado signo. Por exemplo: Mercúrio está em Capricórnio. Significa isto que, visto a partir da Terra, o planeta Mercúrio (ao qual foi atribuída uma determinada carga simbólica) está a passar por uma área específica da abóbada celeste, o signo de Capricórnio (que, por sua vez, tem também um simbolismo associado).

Se compararmos um mapa astrológico a uma peça de teatro, podemos considerar os doze signos como outros tantos papéis ou formas de ser (energias arquetípicas). Nesta comparação, os planetas seriam os actores que representam esses papéis. As casas seriam o espaço cénico onde se desenrola a acção da peça teatral. Finalmente, os aspectos representam a interacção dos actores (planetas). A tal peça de teatro (mapa astrológico) pode ser um história suave, agradável ou pode estar carregado de tintas fortes e densas. Como numa peça teatral, tudo é movimento, energia a funcionar e, tal como a própria vida, nenhum drama teatral é sempre intenso, do início ao fim, tal como uma comédia, também não está sempre a provocar gargalhadas aos espectadores. Há uma energia em movimento, com altos e baixos.

Veja a continuação do artigo na página seguinte

No exemplo dado mais atrás - Mercúrio está em Capricórnio -, diríamos que o planeta Mercúrio está, simbolicamente, a representar o papel de Capricórnio. Mercúrio está associado, entre outras coisas, à comunicação e à aprendizagem, mas, estando em Capricórnio, adquire contornos especiais próprios daquele signo. Capricórnio está associado à reserva, sobriedade e vontade de agir no colectivo. Assim, a capacidade de comunicar e de aprender de Mercúrio está tingida pela reserva e pela sobriedade de Capricórnio. A maneira de pensar é estruturada, prática e concreta com um senso de estratégia apurado. Não é um Mercúrio doidivana.

Vamos tentar estudar o Sistema Solar no seu todo.

O Sistema Solar como Modelo do ser Humano.

O princípio «o que está em cima é como o que está em baixo» recorda-nos que o Homem é, do ponto de vista simbólico, um reflexo do próprio Sistema Solar. Podemos, assim, encarar o Sistema Solar como um ser vivo gigantesco, cujos "órgãos" ou funções estão representados pelos planetas e outros objectos celestes, sempre em movimento permanente.

No centro do Sistema Solar encontramos o Sol. Tal como a consciência humana se expressa através de diferentes formas, também a energia solar se diferencia através dos planetas. A posição relativa de cada planeta define a função que simboliza.

Veja a continuação do artigo na página seguinte

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. Liga a consciência central (Sol) ao exterior (o resto do Sistema). Define a forma como apreendemos o Universo e, por consequência, a forma como comunicamos.

A seguir a Mercúrio encontramos Vénus. Representa a nossa capacidade de qualificar (dar valor) a algo exterior a nós. É, por isso, frequentemente associado aos relacionamentos amorosos (só podemos gostar daquilo ou de alguém que valorizamos).

É na Terra que são vividas todas as experiências perceptivas e valorativas da Humanidade. É nela que as funções representadas pelos planetas se expressam. Representa o campo de experiência, o campo da vivência concreta.

Na órbita da Terra temos a Lua. Simboliza a receptividade, a sensibilidade ao exterior. Funciona também como um "amortecedor" das experiências físicas, indica os mecanismos de defesa, hábitos, acomodações e instintos. Representa os condicionamentos, a ilusão da forma. A experiência concreta (Terra) está protegida pela Lua, mas é por ela limitada e condicionada.

Seguidamente encontramos Marte, o primeiro planeta exterior. Simboliza todos os movimentos para "fora", a acção, a actividade exterior, a agressividade, a actividade guerreira e sexual.

Veja a continuação do artigo na página seguinte

Passamos depois para o domínio de Júpiter. Relaciona a esfera pessoal com a esfera social, faz a ponte entre o indivíduo, como ser separado, e os outros seres humanos. Simboliza expansão, o alargar das fronteiras pessoais.

Complementando Júpiter temos Saturno. Simboliza a estrutura, a contenção. Marca o limite da experiência pessoal e social. É o construtor das formas. Define e dá existência material a todas as coisas. É o que restringe o Homem, o fecha em estruturas rígidas, o aprisiona e limita aos factores que já consciencializou. Júpiter e Saturno são os planetas sociais.

Úrano, Neptuno e Plutão são os planetas invisíveis a olho nu. Levam-nos para além dos limites da vivência humana "normal", para lá da personalidade. São os Planetas Transpessoais, que vêm "desafiar" a personalidade.

Úrano é um apelo mental e ideológico. Representa a inovação, o inesperado, o original, o novo, o excêntrico, a individualização e a globalização. Neptuno representa um apelo emocional. É um anseio de absoluto e de transcendência. Simboliza a empatia, a dissolução do ego, o Amor Universal. Plutão, último planeta conhecido, representa um apelo físico, "visceral", de transformação. Vem destruir ("matar") os padrões não funcionais do ego e fazer emergir ("renascer") tudo o que está oculto no inconsciente.

por: António Rosa

Saiba mais em:

Blog: http://cova-do-urso.blogspot.com/

Um bocadinho de gossip por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.

Subscreva a newsletter do SAPO Lifestyle.

Os temas mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Lifestyle.

Não perca as últimas tendências!

Siga o SAPO nas redes sociais. Use a #SAPOlifestyle nas suas publicações.