Pessoas com menos escolaridade têm mais preconceitos contra refugiados

Pessoas com menos escolaridade, que se sentem pouco seguras na sua área de residência e com ideologias políticas de direita tendem a demonstrar maior preconceito para com os refugiados e imigrantes, indica um estudo da Universidade do Porto.
créditos: EPA/NIKOS ARVANITIDIS

Esta é uma das conclusões do estudo "Predicting prejudice towards immigrants: personality and social variables" ("Prevendo os preconceitos contra imigrantes: personalidade e variáveis sociais"), desenvolvido pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e a que a Lusa teve hoje acesso.

O principal objetivo era "abordar o preconceito sobre imigrantes com uma dupla perspetiva", analisando, por um lado, "à luz de características mais pessoais" e, por outro, tendo em consideração os aspetos sociais e demográficos, disse à Lusa um dos investigadores responsáveis, Rúben Silva.

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Havendo em Portugal "um grande fluxo de imigrantes", os responsáveis pelo estudo analisaram as atitudes negativas em relação aos imigrantes, utilizando variáveis de personalidade (abertura à experiência e amabilidade) e variáveis sociais (ideologias políticas, segurança que sentem na vizinhança e o nível de instrução).

"Quisemos transportar para o contexto português os conceitos desta temática e tentar perceber quais os principais aspetos que estão associados ao preconceito para com imigrantes, sobretudo tendo em conta a situação atual da crise dos refugiados, para o qual há uma potencial aplicação", explicou.

Preconceito associado ao meio social de cada um

No decorrer do estudo, verificaram que os aspetos sociais "estão mais associados ao preconceito para com os imigrantes do que os aspetos de personalidade", ainda que ambos sejam importantes para caracterizar esse fenómeno. De acordo com o investigador, os indivíduos com "elevada amabilidade", considerado um traço da personalidade que, geralmente, identifica pessoas "simpáticas, calorosas e cooperativas", tendem a demonstrar menos preconceito.

Segundo indica, estes dados (obtidos por questionário) demonstram, de uma forma aprofundada, que o preconceito "não é algo somente inerente a certas pessoas", havendo características pessoais associadas, mas também sociais.

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