“O movimento é apartidário, não existe qualquer ligação com nenhum partido político”, assegurou Alice Gato em declarações à agência Lusa.

Seis escolas secundárias e faculdades em Lisboa foram, na semana passada, ocupadas por grupos de estudantes em protesto pelo fim da exploração dos combustíveis fósseis até 2023.

As ocupações prolongaram-se até sexta-feira e no sábado os ativistas juntaram-se à marcha pelo clima, organizada pela coligação “Unir Contra o Fracasso Climático”, que contou com a presença de alguns representantes partidários, incluindo a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

“Em todas as marchas pelo clima há apoio de partidos políticos, não é novidade”, afirmou Alice Gato, porta-voz da Greve Climática Estudantil, que organizou as ocupações integradas no movimento internacional “End Fossil: Occupy”.

Ressalvando que a marcha foi promovida por várias organizações, Alice Gato sublinhou que no caso das ocupações “a liderança é estudantil”.

“É um movimento apartidário, mas isso não significa que os partidos políticos não possam apoiar”, insistiu, admitindo que o apoio dos partidos é bem-vindo.

“Precisamos de todo o apoio possível”, referiu, considerando, no entanto, que o ideal seria ver uma maior adesão por parte dos jovens, em geral. “Se são de partidos ou não, pouco interessa”, acrescentou.

Alice Gato afirmou ainda que o movimento tem sido muitas vezes questionado sobre o envolvimento de alguns partidos políticos nos protestos que se iniciaram na segunda-feira passada das escolas António Arroio, Liceu Camões e nas faculdades de Ciências e Letras da Universidade de Lisboa, no Instituto Superior Técnico e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

“Acho que ainda é difícil para a sociedade imaginar que podem haver coisas grandes não organizadas por partidos, mas a verdade é que é isso que está a acontecer”, sublinhou.

Na página do movimento “Fim ao Fóssil: Ocupa” na Internet, o movimento partilha apenas uma mensagem de apoio da comunidade cultural e artística, subscrita por 371 artistas, e uma mensagem de solidariedade subscrita por 107 professores e investigadores.

As ocupações decorreram durante toda a semana nas seis escolas e faculdades, sendo que, na quinta-feira, o protesto na escola artística António Arroio escalou e várias dezenas de estudantes bloquearam a entrada da escola, com algumas alunas coladas às portas principais e os portões fechados, impedindo a realização de aulas, que também foram suspensas na sexta-feira.

Na madrugada de sábado, quatro ativistas que desde segunda-feira ocupavam a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa foram detidos pela PSP, que os retirou, por uma porta lateral, do estabelecimento de ensino.

Estudantes do Liceu Camões regressaram hoje à ocupação, fechando a cadeado a escola. Entretanto, os ativistas aceitaram suspender o protesto a partir de terça-feira e, segundo o diretor, João Jaime Pires, o funcionamento normal será retomado, com o compromisso, por parte da direção, de o tema das alterações climáticas e do combate aos combustíveis fósseis seja debatido em ambiente escolar.

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