"O preço do carbono deve começar alto o suficiente para evitar efeitos do 'paradoxo verde'", que é o aumento da produção de petróleo e emissões para evitar perdas de capital face a uma implementação lenta de políticas ecológicas, disse hoje, no Fórum do Banco Central Europeu, o economista Rick van der Ploeg, da Universidade de Oxford (Reino Unido).

Também Signe Krostrup, do Banco da Dinamarca, advogou no mesmo fórum que, "se o preço do carbono não começar alto o suficiente, se há uma política de atraso, começa-se mais abaixo e depois teremos uma subida muito mais acentuada numa data mais adiantada".

Para contrariar os efeitos negativos de uma subida destes impostos, Rick van der Ploeg defendeu que devem ser feitas transferências para países e setores mais pobres da economia, "o que não está a acontecer", e para políticas laborais de adaptação económica às alterações climáticas.

"É verdade que os políticos tendem a procrastinar", disse o economista, lembrando que é fácil "acordar em Paris [referência ao acordo sobre o clima de 2015] e tirar grandes fotografias, mas depois a taxação do carbono é normalmente delegada para os sucessores", disse o académico.

Desta forma, "há sempre a tendência de começar a taxar o carbono de forma demasiado baixa", o que leva a que "se tenha de fazer muito mais, mas mais tarde", para compensar.

"É como na pandemia. Se queremos resolver a pandemia, é melhor tomar medidas de forma rápida e forte, é muito mais eficiente do que atuar mais tarde", comparou.

Entre outras medidas sugeridas no artigo apresentado por Rick van der Ploeg no fórum, encontra-se também a criação de uma autoridade independente para as emissões de carbono ("um banco central do carbono"), de forma a não existir uma tão grande dependência dos governos e de lóbis, e com um "mandato claro" acerca das emissões.

O académico apela ainda à realização de testes de 'stress' carbónico, para avaliar a resiliência das economias face às alterações climáticas, e à adoção multilateral de medidas, de forma a não dar vantagem fiscal competitiva a países vizinhos dos que decidam taxar as emissões carbónicas.

O fundamental é "evitar uma transição 'verde' desordenada", defendeu.

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