As substâncias químicas são parte de nós e de tudo o que nos rodeia. Contudo, são muitas as substâncias com as quais hoje entramos em contacto, que nos eram completamente desconhecidas há 10/30/50 anos atrás. Tal implica que o nosso organismo e os ecossistemas passaram a ter contacto com substâncias químicas desconhecidas, em relação às quais não podem contar com séculos ou mesmo milénios de evolução, o que teve e tem repercussões na nossa saúde e no ambiente.

Se muitas das substâncias químicas usadas são fundamentais para a nossa qualidade de vida e bem-estar, o facto é que há um conjunto alargado que é uma forte ameaça à saúde humana e ao ambiente. A progressiva visibilidade do tema da presença de substâncias químicas perigosas em produtos que usamos no quotidiano, começa a conquistar espaço no debate público.

Testes feitos em vários países da União Europeia (em particular na Dinamarca, Suécia e Alemanha) demonstram que produtos como brinquedos, mobiliário, roupas, entre outros, podem conter substâncias químicas perigosas, que afetam a nossa saúde e o ambiente de forma negativa.

Estas substâncias entram no nosso corpo através dos alimentos, do contacto com a pele ou do ar que respiramos e podem contribuir para problemas de desenvolvimento, infertilidade, cancro, entre outros efeitos negativos.

6 conselhos para uma vida com menos tóxicos

Ainda que a forma mais eficaz de proteger a saúde humana e o ambiente das substâncias químicas perigosas seja através de legislação e da proibição da sua utilização, existem alguns cuidados que podemos ter para procurar minimizar o seu impacto no nosso bem-estar.

1. Consumir menos

Deve consumir menos, seja alimentos, seja produtos e bens de uso quotidiano, como roupas, cosméticos, produtos de limpeza. Normalmente não precisamos de tantas coisas quantas as que temos e sentimos vontade de adquirir. Comprar menos e de forma mais responsável é fundamental para tornar o nosso quotidiano menos complexo e com menor possibilidade de contacto com substâncias perigosas.

2. Consumir de forma mais consciente e responsável

Deve procurar compreender se o produto que deseja é mesmo uma necessidade inadiável, de onde vem, como foi produzido, qual a sua durabilidade/qualidade, possibilidade de reparação, reutilização, uso de materiais renováveis e certificados, etc.

Uma ferramenta à nossa disposição são os rótulos ecológicos (legítimos e sujeitos a verificação independente), como é o caso do rótulo ecológico europeu, que nos dão garantias que os produtos que estamos a consumir tiveram menor impacte ambiental na sua produção, não contêm tantas substâncias perigosas e têm um desempenho equivalente aos produtos convencionais.

3. Usar menos alguns produtos

Reduza o uso de produtos de higiene pessoal, de limpeza, perfumes, cosméticos, etc.. Em média cada um de nós usa mais de uma dezena de produtos de higiene pessoal/cosméticos por dia, em particular as mulheres. Quanto maior a quantidade usada, maior o risco.

O facto é que não precisamos nem de metade dos produtos que usamos no nosso dia a dia e cada utilização aumenta o cocktail de químicos a que estamos sujeitos, que mesmo que sejam em pequena quantidade em cada caso, todos juntos e ao longo do tempo podem levar a uma exposição significativa.

Optar por fazer os seus próprios cosméticos em casa ou preferir marcas com rótulo ecológico, são duas boas soluções, sempre que conjugadas com a parcimónia.

Este mesmo conselho é aplicável aos detergentes. Um utilizador comum pode facilmente reduzir para metade a quantidade de produtos de limpeza que utiliza, sem perda de eficácia. De novo, fazer os próprios detergentes ou optar por marcas com rótulo ecológico são alternativas importantes.

4. Ter cuidado com a alimentação

A alimentação é uma das principais portas de entrada no nosso corpo. Consumir produtos de agricultura biológica é um dos conselhos mais eficazes para reduzir o nosso contacto quotidiano com substâncias químicas perigosas.

Comprar produtos frescos, não embalados nem processados e da época ou encomendar cabazes diretamente aos produtores, podem ser medidas eficazes para contrabalançar o custo por vezes mais elevado que estes produtos têm.

Ter uma alimentação maioritariamente vegetariana (legumes, frutas, cereais e leguminosas) permite-nos reduzir a probabilidade de consumirmos alimentos onde houve bioacumulação de poluentes, para além de termos um impacte ambiental muito menor o que, por sua vez, também irá reduzir a quantidade de poluentes libertados no ambiente.

5. Evitar comprar alimentos embalados

Os materiais usados nas embalagens alimentares estão pouco regulados, em particular o papel, pelo que é muito importante evitar a sua utilização, em particular em relação a comida quente e com gordura.

Nunca aquecer comida, água ou chá ou consumir alimentos quentes em embalagens de plástico e de papel (café, sandes, etc.). Se comprar comida para fazer no micro-ondas, substitua sempre a embalagem original por vidro.

6. Arejar a casa

Arejar muito bem a nossa casa ou o espaço de trabalho diariamente deve ser uma prática comum, a par com evitar a utilização de velas aromáticas ou ambientadores. Limpar o pó das superfícies com um pano húmido e lavar o chão regularmente (associado á medida de descalçar os sapatos à entrada) são outras medidas importantes para reduzir o nosso contacto com substâncias perigosas.

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