Porque continuamos sem poupar dinheiro?

É uma pergunta muito pertinente e a que devemos tentar dar uma resposta. Sim, é certo que os desafios da poupança são muitos. As despesas são crescentes. As tentações do consumo são demasiadas. Mas se estamos numa situação em que o rendimento disponível das famílias aumentou fruto da queda das prestações com crédito, deveríamos conseguir poupar um pouco mais. Ou não?

É importante que tenhamos em mente os grandes números. Em 2000 tínhamos uma taxa de poupança de 10% do rendimento disponível das famílias, taxa que caiu para perto de 5% em 2017. Mais uma vez, temos de notar que esta taxa caiu num cenário económico favorável, com o aumento do emprego e a queda das prestações com créditos. Imaginemos agora que o cenário se inverte, estamos preparados para os ajustes que serão necessários? Ou teremos, mais uma vez, de apertar o cinto?

Não poupamos porque não vale a pena?

Podemos ser tentados a concluir que não poupamos porque não vale a pena. Não poupamos porque as taxas de retorno das nossas aplicações financeiras, nomeadamente os depósitos a prazo, são muito próximas de zero. Sim, é certo que não existe um grande incentivo financeiro de curto prazo. No entanto, temos de pensar que os benefícios da poupança não são apenas financeiros. A poupança permite-nos ganhar muito conforto e segurança financeira, sabendo que estamos protegidos financeiramente em caso de algum imprevisto. Permite-nos viver de forma mais descansada e sem medos pois temos uma folga para qualquer alteração de circunstâncias.

Não devemos poupar apenas…

Aqui brincamos um pouco com as palavras. Devemos poupar sim. Mas temos de poupar com objetivos. Definir objetivos permite-nos ter uma motivação adicional para conseguirmos caminhar, num caminho que é muitas vezes penoso ou árduo. Saber os motivos dos nossos sacrifícios irá dar-lhes um sentido maior. E aqui cada pessoa saberá para que é que está a poupar. Pode poupar para a reforma. Poupar para viajar. Poupar para comprar a sua habitação. Poupar para pagar os estudos dos filhos. Cada um sabe de si e Deus sabe de todos, certo?

Pense duas vezes antes de gastar…

Muitas das compras são feitas por impulso. Compramos sem ter critérios rigorosos de decisão ou simplesmente porque somos expostos às estratégias de marketing agressivo cada vez mais presentes. Assim, sugerimos algumas estratégias, como seja:

  • A regra das 24 horas, que nos diz que se queremos comprar alguma coisa temos de refletir pelo menos durante 24 horas. Deste modo, conseguimos afastar-nos da compra por impulso e muitas vezes iremos desistir daquela compra que afinal não é assim tão importante;
  • A criação do efeito escassez, que nos pede que destinemos no início do mês uma parte do nosso orçamento familiar a uma conta poupança. Com isto reduzimos o rendimento disponível para consumir, obrigando-nos a um maior critério no momento de gastar o dinheiro;
  • Avaliar o preço com base no número de horas que tem de trabalhar para o suportar. Com esta estratégia irá conseguir ter uma avaliação mais objetiva do preço, pois o mais relevante é mesmo o valor e não tanto o preço.

O Dia Mundial da Poupança pede-nos uma reflexão adicional sobre as nossas despesas e os nossos hábitos de poupança. No entanto, todos os dias são bons para pensarmos em estratégias para conseguirmos atingir os nossos objetivos de forma mais rápida e eficiente.

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