Foi uma das protagonistas do bem humorado programa da SIC, Prazer dos Diabos, escreve, faz entrevistas na rádio, comunica, e ri. O sorriso fica-lhe mesmo bem.

Mais do que radialista, Inês é uma comunicadora. De uma simpatia contagiante, é impossível resistir à cumplicidade que ela cria enquanto conversa. O sentido de humor corre-lhe nas veias enquanto o sorriso faz parte da sua natureza. A rádio, que começou aos 16 anos, é uma paixão assim como a escrita, mas a maior de todas é a filha de quatro anos com quem descobriu o amor incondicional. É um prazer conversar com ela.   

Gosta de dizer a idade?
Tenho 40 anos e sinto-me completamente miúda. Ainda há dias estava a assistir a um concerto e o artista levantou-se do piano e veio cantar para o meio do público, e, a certa altura, estava a cantar colado à minha cara. Achei aquilo tão carinhoso que lhe dei um beijo e logo a seguir senti-me uma miúda por ainda fazer estas coisas.

Como foi o seu percurso profissional?
Quando acabei o liceu candidatei-me à faculdade, ao curso de Românicas, e não entrei, e foi então que decidi fazer um pequeno curso de jornalismo de rádio no Centro de Formação de Jornalistas, e simultaneamente inscrevi-me na Escola Ballet Teatro, no Porto, onde fiz um ano de Teatro.

Chegou a representar?
Fiz uma pequena peça no Rivoli, Menos Dez Minutos de Amor, com a voz do José Alberto Carvalho.

Começou na rádio com que idade?
Com 16 anos e nunca mais parei. O José Alberto Carvalho que, nessa altura, me ouvia na Rádio Nova Era, no Porto, enquanto ele trabalhava na Rádio Nova, encontrou-me na Rua de Santa Catarina, e desafiou-me para ir para a TSF. E foi assim que com 19 anos fui formalmente convidada por Emídio Rangel para fazer parte do grupo da TSF do Porto.

Pouco depois casou-se?
É verdade. Com 20 anos apaixonei-me e casei-me, e, logo a seguir, eu e o meu marido fomos convidados para vir para a TSF em Lisboa. Na altura tivemos muita pena de deixar tudo no Porto, mas viemos, e acabei por ficar 12 anos na TSF.

Foi lá que começou também a fazer televisão?
Ao fim de algum tempo comecei a sentir que estava a cristalizar um bocadinho e comecei a apresentar um programa para a RTP2 de curtas metragens que ainda hoje existe. Atualmente faço só a voz do programa.

Até que deixa a TSF?
Por volta dos 31-32 anos volta a dar-se uma grande mudança na minha vida. Nessa altura fazia uma colaboração na TVI como copy das promoções de Morangos com Açúcar, e logo a seguir surgiram imensas coisas muito positivas. Às vezes é preciso quebrar um ciclo para dar entrada a novas coisas. Pouco depois, o Luís Montez convidou-me para fazer parte da equipa da Radar, uma rádio mais pequena mas que abrange um público muito elitista, onde comecei a fazer um programa de entrevistas chamado Fala Com Ela.

A partir daí começou a fazer muitas coisas…
Faço um programa na Antena Um, com o Júlio Machado Vaz, há três anos, faço outro na Antena Três com o Pedro Boucherie Mendes com quem também fiz o Prazer dos Diabos com a Adelaide de Sousa. Escrevo há mais de sete anos, com um pseudónimo, uma coluna com uma tónica marota na imprensa, e comecei agora a fazer crítica gastronómica para a Sábado com a marca do humor.

Onde vai buscar esse jeito para o humor?
É uma coisa minha. A família da minha mãe tem esta característica. Ainda me lembro de ver a minha mãe e as minhas tias a chorar a rir umas com as outras…

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Comunicar tem mesmo a ver consigo.
Acho que sim. O meu irmão mais velho é jornalista na TSF e professor universitário, mas é muito mais recatado do que eu. Não sei se é por ser mulher, mas sou muito mais social e sociável. O que não deixa de ser curioso porque, apesar de ter nascido em Lisboa, cresci numa aldeia muito pequenina chamada Mindelo.

A vida tem-lhe corrido bem?
Sem dúvida. Tudo tem vindo ao meu encontro de uma maneira muito feliz e eu permito que elas venham porque as abraço. Mas, de facto, não há nada que eu queira de uma forma gananciosa.

A experiência da maternidade está a ser a melhor de todas?
Ainda é recente. A minha filha acaba de fazer quatro anos e está a ser uma experiência maravilhosa. Ainda há dias escrevi no Facebook que demorei 36 anos a conhecer o meu amor incondicional. É a única coisa que me tira o chão!

E aprende-se a relativizar tudo na vida.
É por isso que é muito importante que as mulheres passem por essa experiência. Tudo o que me pareceu dramático nas paixões e nas paixonetas não é rigorosamente nada. O facto de ter sido mãe mais tarde permite-me olhar para trás com outro distanciamento. 

Como é a sua filha?
Como é filha de dois radialistas, tem um poder de comunicação extraordinário.

As pessoas da rádio dizem que nada tem a magia da rádio. Também sente isso?
É, embora eu também goste muito da escrita. São duas coisas em que, apesar de tudo, estamos protegidos. Quando estou a escrever ninguém me vê, na rádio também. Já a televisão deixa-me num estado de tensão que acaba por me tirar a espontaneidade.

A crítica gastronómica tem a ver com o seu prazer pela cozinha?
Gosto muito embora nunca me tenha dedicado muito à cozinha por falta de tempo. No entanto, poder juntar o prazer da mesa com os vinhos e poder escrever sobre isso é fantástico. E também é bom porque se abrem outras portas: locais, comidas e novos paladares.

Quando não tem nada para fazer o que a descontrai?
Gosto muito de sair com a minha filha e com o meu namorado, de ir almoçar ou lanchar fora, e também gosto de ir ao cinema, mas não tenho nenhum hobby.

Continua a chamar namorado ao pai da sua filha?
Vivemos juntos há sete anos mas não somos casados, é por isso que continuo a chamar-lhe namorado...

Qual vai ser o seu próximo desafio?
Tenho dois livros para entregar. Já editei um com o tal pseudónimo, e agora tenho mais dois quase prontos.

Está bem com a vida?
Tirando os quatro quilos a mais, sinto-me maravilhosa! Estou muito bem porque sou verdadeira naquilo que faço.

  

Palmira Correia

 

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