Estes esquemas são, muitas vezes, tão bem pensados e desenvolvidos, que é simples cairmos neles. Por isso, é essencial estar bem informado sobre o modo de atuação destas entidades, de forma a evitar ser mais uma vítima deste tipo de crime.

Mesmo com os vários alertas feitos pelo Banco de Portugal, a verdade é que as burlas continuam a aumentar, principalmente no mundo online. Ou seja, estas abordagens já não são só feitas através de telefonemas ou de anúncios de classificados em revistas e jornais, mas sim através das redes sociais ou e-mail.

De forma a facilitar a identificação destes esquemas, reunimos neste artigo um conjunto de dicas que o podem ajudar.

1. Verifique se é uma entidade habilitada

O primeiro passo, e talvez o mais importante, é perceber se a entidade está habilitada a conceder crédito.  E como? Através do Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal, onde vai encontrar a lista de instituições registadas e, portanto, habilitadas a exercer atividade financeira em Portugal.

Certifique-se também que a empresa com que está a negociar e que está por detrás daquela publicidade é mesmo uma entidade autorizada. Muitas vezes, as entidades fraudulentas chegam a utilizar indevidamente a imagem e o nome de uma entidade de confiança.

2. Cuidado com as condições aliciantes, mas pouco prováveis

Os "burlões", para além de prometerem financiamento rápido, barato e sem custos, oferecem também condições de crédito que, quando comparadas com as que existem no mercado português, levantam algumas suspeitas. Essas condições, entre outras, passam por:

  • Prazos muito mais alargados do que aqueles estipulados pelo Banco de Portugal;
  • Taxas de juro baixíssimas e cobradas apenas anualmente;
  • A possibilidade de fazer amortizações sem sofrer qualquer penalização;
  • Flexibilidade de pagamento caso o cliente deixe de ter condições para o fazer;
  • Promessa de ter o dinheiro na conta numa questão de horas ou poucos dias (o que, no caso do crédito habitação, não é possível).

A fim de comprovar a veracidade da informação e fazer análise do seu pedido de crédito, a consultora precisa de ter acesso aos seus documentos. Logo, se não lhe pediram nada e prometeram um processo "sem burocracia", tem aí outro alerta vermelho.

Estes são só alguns exemplos. Na verdade, são muitas as condições que estas entidades acabam por falsear para conseguirem atrair e burlar mais pessoas.

3. Pesquise informações sobre a empresa

Procure informações sobre a idoneidade da empresa mediadora de crédito e testemunhos ou reclamações. Esteja atento a possíveis comentários e alertas sobre estes contactos feitos por outras pessoas. Recorra a sites confiáveis, como o “Portal da Queixa” ou similares, nos quais os consumidores partilham informações e experiências.

É ainda importante verificar o website da empresa e se esta está presente nas redes socias. Se não estiver, pode ser mais um sinal de alerta. Hoje em dia, é quase impossível que uma empresa não tenha um perfil numa rede social, uma vez que, em termos de marketing, qualquer organização procura estar onde estão os clientes, numa relação de proximidade e o mais humana e acessível possível.

4. Pediram-lhe uma comissão de análise ou pré-aprovação?

Este é o grande objetivo das entidades ditas fraudulentas: conseguir extorquir dinheiro de quem procura estes serviços. Por isso, é muito comum que cobrem para avaliar a situação do cliente, mas não só. Estas empresas chegam mesmo a pedir dinheiro para desbloquear o crédito.

É importante que consiga distinguir as comissões bancárias, que de facto existem, do dinheiro solicitado em caso de burla. Quando se trata de uma entidade autorizada, esta só cobra possíveis comissões associadas ao processo no momento em que é celebrado o contrato de crédito. No caso dos intermediários de crédito, estes não devem cobrar qualquer comissão nem custos pelo serviço prestado ao cliente uma vez que, tal como o próprio nome indica, apenas intervêm na intermediação de crédito, mas não são quem o vai conceder.

5. Atenção ao tipo de comunicação

É importante estar atento aos pequenos detalhes, como o tipo de escrita utilizada, se existem erros ortográficos ou gramaticais, ou se há incoerências. Muitas vezes, como estas empresas têm origem no estrangeiro, os erros gramaticais podem resultar de uma tradução automática.

Desconfie ainda de anúncios com a linguagem de "dinheiro fácil" ou "sem burocracias", por exemplo.

Foi vítima de burla com créditos ou conhece alguém?

Se foi vítima de algum crime ou tomou conhecimento de que uma determinada entidade se dedica a atividades financeiras ilegais, denuncie a situação ao Banco de Portugal. Pode fazê-lo por telefone (213 130 000), por e-mail (info@bportugal.pt), preenchendo um formulário online, e ainda, presencialmente. Apresente também queixa às autoridades (por exemplo, à PSP, à GNR, à Polícia Judiciária ou ao Ministério Público).

Em caso de dúvida, e até confirmar a credibilidade da entidade em questão, não forneça documentos, dados pessoais ou bancários.

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