«Let it go, let it go. Can't hold it back anymore. Let it go, let it go. Turn away and slam the door! (…) Let it go, let it go. I am one with the wind and sky. Let it go, let it go. You'll never see me cry…», diz a letra de «Let it go». Deixar andar. É disso que fala a famosa música do filme «Frozen», da Disney, que tanto sucesso fez e é também disso que vamos falar neste artigo. Afinal, quem nunca se deparou com este dilema de deixar andar?

E quais são as situações em que devemos deixar algo para trás e continuar em frente? Foi isso mesmo que perguntámos a Tiago Fonseca, psicólogo clínico da Psinove. «Enquanto seres relacionais, connosco e com os outros, deparamo-nos com diversas situações que nos põem em causa, provocando vários conflitos psicológicos internos», refere o especialista.

«Conflitos nas nossas crenças, nas nossas perceções, nos nossos julgamentos, nas nossas memórias, que implica com aquilo que somos de mais central, por gerar dissonância. Deixar algo para trás significa perceber e resolver estes conflitos», lembra Tiago Fonseca. E, como em tudo, avisa o psicólogo, «nunca devemos estar nos extremos», recomenda.

A chave de mudança que é preciso rodar

Deixar andar é resolver, percebendo as implicações e ficando bem com isso. «No entanto, não temos de esquecer nem de mudar quem somos, para deixar andar algo que queiramos transformar em nós», adverte. Para Tiago Fonseca, «deixar andar faz parte do processo de desenvolvimento de um ser humano e ocorre todos os dias, com pessoas, objetos, sentimentos, emoções, pensamentos e oportunidades».

Mais, «muitas vezes, deixamos ir, ou temos de deixar ir, umas coisas para ganhar outras». A chave, diz o psicólogo, é sermos, «emocionalmente, o mais verdadeiros possível connosco, de forma a percebermos o melhor que podemos fazer em cada situação, o que levará a um processo de resolução mais fácil e claro, implicará um deixar andar mais consciente pela lógica implicada».

Então, quando devemos deixar de sentir culpa?

«Quando fazemos algo que gera conflito em nós e, por isso, sentimos culpa, o sentimento é de arrependimento e angústia. Estes sentimentos surgem, uma vez que o que já fizemos está no passado e é, por isso, inalterável. No entanto, o que podemos alterar encontra-se no presente e no futuro», refere o especialista.

«E é aqui que assenta a oportunidade de deixar ir esta culpa. Devemos perceber o que causou este sentimento e fazer o possível por eliminar aquilo que consideramos um erro, aceitando que errar não é cometer o erro, mas, sim, insistir nele», afirma Tiago Fonseca.

Então, quando devemos deixar de duvidar de nós?

«Duvidar de nós, neste contexto, é diferente de nos colocarmos em causa... Colocar-nos em causa serve para podermos progredir, pondo à prova o nosso conhecimento, as nossas aprendizagens e o nosso desenvolvimento. Já duvidar de nós implica um movimento estático de responsabilização pessoal e incapacidade de resolução de problemas», diz Tiago Fonseca.

«Devemos deixar de duvidar de nós, quando percebemos o nosso papel nessa dúvida, no sentido de aceitarmos a ação que tivemos e que queremos ter e, acima de tudo, a certeza das nossas capacidades para o que nos propomos fazer», acrescenta ainda o especialista.

Veja na página seguinte: Quando devemos deixar de ter medo

Então, quando devemos deixar de pedir desculpa constantemente?

«Pedir desculpa constantemente ocorre quando se possui um autoconceito culpabilizador e crítico, incapaz de aceitar que os outros cometem erros ou, por inverso, que fazemos coisas adequadas para os outros e/ou para nós próprios. É preciso perceber quem somos, o que fazemos, as intenções com que o fazemos, com quem nos relacionamos e com quem criamos laços», diz Tiago Fonseca.

«Se estas questões forem esclarecidas na nossa mente, certamente que teremos uma visão mais clara de nós próprios e, por isso, mais verdadeira. Aí podemos deixar de pedir desculpa constantemente. É preciso também aceitar que, quando hoje olhamos para trás, é fácil responsabilizarmo-nos e culparmo-nos das coisas que fizemos mal», prossegue.

«Mas é preciso a consciência de que, na altura do acontecimento, agimos da melhor forma que sabíamos», ressalva Tiago Fonseca. «E, se assim for, não temos de pedir desculpa de forma desmensurada», acrescenta ainda o especialista.

Então, quando devemos deixar de ter medo?

«O medo é um dos principais fatores da evolução humana. É bom sentir medo, tal como dor, tristeza e, mesmo, ansiedade. Servem como marcadores de que algo está a acontecer e que devemos dar atenção às nossas necessidades psicológicas. O medo é adaptativo se for adequado ao contexto, potenciando as nossas ações no sentido da nossa proteção face ao estímulo que nos causa medo», refere Tiago Fonseca.

«Por outro lado, o medo pode não ser adaptativo se nos paralisar ou bloquear, não permitindo o nosso funcionamento adequado em diversas situações da vida. Devemos deixar de ter medo quando este já não tem um papel claro no nosso bem-estar, mas, para isso, temos de perceber que medo sentimos e que estímulos desencadeiam o mesmo. Se conseguirmos lidar com eles, podemos deixar de ter medo», diz.

Então, quando devemos deixar de proteger em demasia os nossos filhos?

«Esta sobreproteção é uma tendência natural. No entanto, muitas vezes, a proteção em demasia termina em disfuncionalidades emocionais e comportamentais, podendo promover nas crianças baixa autoconfiança, sensação de autoineficácia, pouca autonomia de exploração do mundo e de si próprias», adverte o psicólogo. «Devemos deixar de as proteger em demasia assim que possível», aconselha.

«Devemos fazê-lo quando estas dificuldades começarem a surgir, percebendo que, se a educação dada até então for adequada, o instinto protetor estará automaticamente em prática. Proteger os seus filhos é algo que os pais não deixam de fazer. E esta proteção não é má, pois mostra preocupação, afeto, carinho e amor. Devemos perceber o equilíbrio entre a autonomia e a confiança da criança para o seu mundo, independentemente da proteção dos seus pais», diz ainda.

Texto: Rita Caetano

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